Na tarde do último domingo, a Associação Cultural Beneficente Floresta Montenegrina esteve repleta de cultura e informação, fcom mesa de discussões, exposições de artes, oficinas, artesanato afro, dentre outras atrações.Essa foi a primeira parte da programação da agenda do coletivo negro Kumbalumuka, que busca criar espaços de aprendizado e troca de ideias, a fim de reparar dívidas históricas através de projetos e ações sociais. No próximo dia 23, outras atividades serão desenvolvidas com a presença de artistas locais.

Milena de Freitas Koch, 19, é uma dos seis integrantes do coletivo Kumbalumuka e explica que o principal intuito do grupo é passar informações sobre o assunto negro para todos da comunidade. O coletivo realiza atividades lúdicas em diversas escolas, sempre tratando do problema sobre o racismo. Na mesa de discussões, esteve presente a assistente social Angelita Silva; o biólogo Alexandre Ferraz e Murilo Vargas, atuante na área de Direito.

Angelita tratou da acessibilidade do povo negro à políticas públicas, reforçando a importância dos conselhos na cidade. “São 27 conselhos em Montenegro. Mas, entre eles, não há o conselho da igualdade racial. A população negra precisa estar inserida nos conselhos”, ressaltou. Angelita afirma que “para o fim do racismo, não basta não ser racista. Tem que ser anti-racista de atitude”.

Já Alexandre teve como tema a educação das relações étnico raciais, afirmando que é preciso descolonizar a educação. “Precisamos falar sobre isso. Vejo que o branco não quer ouvir os negros falarem sobre preconceito, porque sabem que eu estou falando o que realmente acontece. Já sou minoria em qualquer lugar que eu vou, aí quando quero falar sobre o racismo me olham com aquela cara de lá ‘ai lá vem ele de novo’”, pontua.

Murilo, por sua vez, começou sua fala destinada à aceitação. “Precisamos, em primeiro lugar, aceitar a negritude. Inserir os negros nos lugares que, de fato, são para eles também”, afirma. Ele explica que a principal função dos brancos nessa jornada, é a proatividade quanto aos negros. “Para a desconstrução do racismo, os brancos precisam entender que essa luta parte muito deles”, alerta ele. Ele enfatiza, ainda, que os negros vêm perdendo seus espaços atualmente e que para resolução desse problema, precisam se unir e tomar consciência de que podem estar onde querem.

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