Equipes da secretaria de Meio Ambiente fizeram a retirada no sábado. FOTO: ACOM

Retirada feita no sábado divide opiniões

Equipes da secretaria de Meio Ambiente de Montenegro trabalharam na manhã de sábado, 23, na remoção de uma das árvores da Praça Rui Barbosa, no Centro. Espécie exótica originária da Austrália e de grande porte, a Grevillea Robusta ficava quase na esquina entre a rua Capitão Cruz e a travessa Carlos Gottselig. Tinha, pelo menos, mais de duas décadas de idade. A retirada foi uma determinação do Ministério Público (MP), através da promotora de Justiça Rafaela Moreira Huergo, após apontamento do risco de queda que ela apresentava. Mas o caso ainda divide opiniões.

Quem levou a questão ao MP foi o engenheiro agrônomo Ricardo Senger. “Se ela caísse, ia cair na calçada da Capitão Cruz, poderia danificar um automóvel ou cair em uma pessoa. Ela estava torta, já bastante inclinada e pesava toneladas. Era só vir um vento a favor e ela ia cair”, coloca. Senger, que é membro da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, conta que emitiu um laudo e, primeiro, fez a indicação da retirada ao prefeito, ainda na gestão anterior. Como não viu resultados, levou a mesma documentação ao Ministério Público. Foi o que culminou na decisão da retirada, que saiu ainda em dezembro.

Secretário municipal de Meio Ambiente, José Clébio Ribeiro da Silva conta que técnicos da pasta avaliaram o estado da árvore e concordaram com o risco. “Poderia causar um problema muito maior para as pessoas”, destaca.

Mas para o biólogo Rafael Altenhofen, presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema), a decisão foi precipitada. “É óbvio que ninguém vai colocar uma árvore na frente de uma vida humana. Agora, quando se alegam riscos, existem normas e existem técnicas para minimizar o risco, sendo que a supressão é a ultima delas. Aqui, logo se partiu para a alternativa mais radical”, opina, sugerindo a possibilidade de uma poda corretiva com a remoção de galhos que estivessem mais direcionados para a rua como uma alternativa viável.

Foto enviada pelo engenheiro agrônomo Ricardo Senger mostra o ângulo inclinado da árvore retirada e o risco de queda verificado. Defendendo a manutenção dela, o biólogo Rafael Altenhofen destaca que, por muitos anos, ela era inclinada, sendo que o tronco cresceu e desviou de outras árvores para encontrar luz. Ele avalia que o tronco estava íntegro

Altenhofen aponta que existem normas técnicas da ABNT que padronizam a análise de risco para que as decisões do tipo sejam técnicas e não por “juízos de valor”. O Comdema não chegou a ser consultado pela Prefeitura sobre o caso. “Se toda árvore que se acha que vai cair, se derruba sem uma norma técnica, nós não teríamos mais arborização no Município”, coloca.

O secretário municipal de Meio Ambiente reconhece que a Prefeitura não tem equipamentos e condições para “atender a algumas normas”, mas garante que sua equipe confirmou “vestígios de que a árvore estava com problemas de saúde.” “A Praça é muito antiga. E tem que ficar claro que outras árvores vão passar por situações semelhantes”, declara.

Para Ricardo Senger, o primeiro a apontar o risco de queda da árvore retirada, é normal que técnicos divirjam sobre situações como essa. “Mas, na dúvida, sempre se beneficia as pessoas e o patrimônio publico”, pontua. “O que eu coloquei também no meu laudo, entregue ao Ministério Público, foi que quem é a favor que deixe a árvore tem que assumir os riscos civil e criminalmente. Ninguém deve ter assumido.” Em nota oficial, a Administração Municipal apontou que irá plantar “árvores mais adequadas” no local.

Sobrou apenas o toco da Grevillea

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