Depois de selecionadas, as peças doadas são organizadas em prateleiras, para que as pessoas carentes possam escolher as que precisam
Aos poucos, uma pilha de roupas em situação de descarte se acumula na Secretaria Municipal de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania

A vontade de ajudar e o exercício da empatia são assuntos recorrentes na Diretoria de Assistência Social do município, já que esse órgão é responsável pela coleta e doação de roupas para pessoas em situação de vulnerabilidade social. No entanto, para algumas pessoas, essa atitude que deveria ser um gesto de solidariedade, tornou-se uma forma de descarte.

Diante de vários cômodos lotados de caixas com vestuários, não é difícil achar uma peça sem condições de uso, como um pedaço de solado de sapato, peças íntimas sujas ou um colete ortopédico feito sob medida. A diretora de Assistência Social, Leila Ternes, se mostra preocupada com a situação. “Algumas pessoas não doam algo como forma de desapego, no sentindo de que são coisas que elas querem compartilhar com os outros para ajudar, mas sim, aproveitam-se disso para jogar fora coisas que não precisam mais”, comenta Leila.

O que sobra de um lado, falta no outro. A escassez de roupas masculinas e principalmente infantis contrasta com as colunas de calças e blusas para mulheres. De acordo com Leila, existe uma demanda muito grande para esses tipos de vestimenta, mas que infelizmente a secretaria não está conseguindo atender. “Estamos precisando de mais doações para homens e crianças, mas desde que estejam em boas condições”, diz a diretora, acrescentando que peças de cama e banho também são bem vindas.

Em situação de vulnerabilidade social, a diarista Claudia Amorim, 42, é uma das tantas pessoas que conta com a solidariedade da população. Depois de uma enchente, ela, o marido e os 8 filhos perderam tudo. Com isso, as doações obtidas junto à Assistência Social de Montenegro estão sendo fundamentais para sua família. Ao ser questionada sobre as condições das roupas, ela comenta que já ajudou no processo de seleção, que ocorre quando chegam ao polo de distribuição. “Chega a ser desumano com quem precisa”, diz Claudia, relatando que já encontrou absurdos dentro das sacolas.

As roupas sem condições de uso doadas à Prefeitura estão se tornando um grande problema para a secretaria municipal de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania. Segundo Leila, não há o que fazer com a enorme quantidade de vestuário estragada. Uma das alternativas apontadas pela diretora é a utilização de algumas peças para produção de artesanato com tecido.

Com a ajuda de duas costureiras que prestam serviço voluntário, alguns trajes ainda são ajustados, como calças jeans que chegam rasgadas, mas quando isso não é possível, mais peças se somam às pilhas de roupas descartadas. “As pessoas ou entidades que trabalham com artesanatos como fuxico, tapetes, customização, entre outros, podem pegar aqui o que for necessário para reaproveitar”, diz Leila.

Atualmente, a retirada de doações pode ser feita de segunda a terça-feira, somente na parte da amanhã na Secretaria Municipal de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania, na Rua Apolinário de Moraes, 1705, Centro, nos fundos do Hospital Montenegro.

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