Dia da Língua Brasileira de Sinais foi comemorado no último sábado, 24. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No último sábado, 24, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) completou 19 anos. Através do decreto nº 5626, publicado em abril de 2002, a Libras foi oficializada como a segunda língua oficial do Brasil.
Para Carlos Diego Cardoso Ferreira, professor da disciplina de Libras do curso de Letras do IFSul, a data representa uma conquista para a comunidade surda. “Essa lei institui algumas conquistas que os surdos tiveram. Então essa é uma data muito importante de reconhecimento da comunidade surda e para a questão da inclusão social”, destaca o professor.

Conforme Ferreira, apesar da Libras ter sido oficializada somente em 2002, a sua construção começou muito antes disso. “Assim como a língua humana, a Língua Brasileira de Sinais também é uma língua com a sua própria origem, ela vai ter um início histórico baseado pela língua francesa e vai sendo formada por sinais que aqui no Brasil anteriormente já existiam”, destaca o professor. Por isso, não é possível afirmar uma data específica para a criação da língua, que foi sendo construída ao longo dos anos.

Mas apesar das conquistas também existem desafios a serem cumpridos, o principal deles é levar a Língua Brasileira de Sinais para todas as escolas, conforme determina o decreto de 2002. “O decreto institui que eram para surgir escolas bilíngues e automaticamente ir avançando para todas as escolas. O problema é essa política pública de ensino no Brasil que é frustrada”, avalia Ferreira.

Apesar disso, o professor aponta que alguns passos importantes foram dados, como a obrigatoriedade da disciplina de Libras nas universidades em cursos de licenciatura e da saúde. “A ideia de ter a Libras no ensino médio eu vejo como o próximo passo, uma vez que o decreto já institui isso, mas não adianta nada ter um decreto de gabinete”, afirma Ferreira.

A conquista da oficialização da Língua Brasileira de Sinais serviu também para dar visibilidade para a população surda, que historicamente foi excluída, avalia Ferreira. “Acima do decreto está a luta e a conquista, uma vez que as pessoas surdas sempre sofreram muito mediante a história de exclusão. Por isso, eu acho importante que pelo menos todos tentem se interessar pelo tema, porque é importante a gente olhar isso como uma lei que precisa ser cumprida”, avalia o professor. (WM)

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