Produtores alegam dificuldades para dialogar com as empresas do setor na região. FOTO: arquivo/Agência Brasil

Rações e genética dos planteis com uma qualidade inferior são alguns dos problemas relatados

Produtores de aves que trabalham em sistema integrado na região estão descontentes com as exigências feitas pelas empresas e com as mudanças na qualidade de rações e genética dos planteis.
Conforme o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (FETAG-RS), Carlos Joel da Silva, todos os produtores do setor de aves estão enfrentando um grande aumento no custo de produção, o que está impactando na rentabilidade. “Aliado ao aumento do custo de produção nós temos o preço final que aumentou na prateleira do supermercado, mas não aumentou para o produtor”, destaca Silva.

Além disso, os produtores alegam que mudanças realizadas pelas empresas na qualidade de ração e genética dos planteis vem diminuindo a taxa de conversão dos animais e gerando dificuldade para alcançarem os coeficientes de bonificação, diminuindo cada vez mais a rentabilidade.

De acordo com a FETAG-RS, a avicultura gaúcha é feita majoritariamente pela agricultura familiar, que representa 78,9% da atividade realizada no Rio Grande do Sul. Frente a esse cenário, a entidade em conjunto com participantes das Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs), apresentaram algumas propostas levantadas pelos próprios produtores com objetivo de amenizar e mitigar os efeitos de tais mudanças, como ajustes nas porcentagens pagas ao produtor e de melhorar a relação e a transparência entre os produtores e as empresas.

O presidente da entidade relata que há cerca de dois meses a FETAG-RS se reuniu com a principal empresa do setor na região, a JBS, para tratar sobre os problemas. Na reunião ficou acertado que a empresa iria atender algumas demandas dos produtores, como a melhora na qualidade da ração e também a resolução do atraso na chegada das rações até as propriedades. “Passados alguns meses os problemas continuam os mesmos: rações com uma qualidade inferior, pintos com uma qualidade ruim e cargas que atrasam com a chegada das rações.”, aponta Silva.

Procurada, a empresa JBS afirmou por meio de nota que mantém interlocuções e diálogos constantes com os integrados via Cadec (Comissão de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração).
No entanto, o presidente da FETAG-RS contesta a versão da JBS. Silva relata que a entidade solicitou uma nova reunião com a empresa e até o momento não foi atendida. “Ficaram de nos chamar para uma reunião da Cadec, mas já aconteceram duas reuniões depois disso e não fomos chamados. Isto é desrespeito com as entidades e desrespeitoso com o produtor”, afirma.

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