Venda do peixe vivo, em feiras ao longo de todo o ano, tem um público considerável

Ano todo. Piscicultores montenegrinos querem um espaço na Casa do Agricultor Rural

A Associação Montenegrina dos Piscicultores (Amop) quer ampliar os espaços para a comercialização de pescados vivos e, neste caso, seu foco é na Casa do Produtor Rural. A organização está elaborando projeto para apresentar à Prefeitura em que propõe se adequar para ocupar um espaço no prédio da rua Osvaldo Aranha. Inclusive detalhes já foram alinhavados durante reunião no Assentamento 22 de Novembro, com participação da Emater/RS-Ascar e da veterinária do Município, Júlia Führ Kranz.

Inicialmente, o objetivo do coletivo era instalar uma agroindústria. Porém, com a produção média de 15 mil quilos ao ano, essa estrutura se tornaria inviável pelo alto investimento e baixo retorno. “Dessa forma, sugerimos ao grupo a participação na feira local como uma espécie de ‘plano B’, o que fará com que a venda vá para além da taipa”, observou o assistente técnico regional em Sistema de Produção Animal da Emater, João Sampaio.

A sugestão é o modelo adotado na Feira Municipal de Lajeado, com os piscicultores aptos a operar pelo Sistema de Inspeção Municipal (SIM) se comprometendo em levar peixes vivos até o local. “Dessa forma, a partir de uma unidade de processamento mínimo, é permitida a venda direta ao consumidor, com o pescado sendo abatido, eviscerado e até filetado”, explica Sampaio. Em Lajeado, um Projeto de Lei permitiu a inspeção diretamente na feira, ideia que deverá ser levada à Prefeitura de Montenegro.

No mesmo encontro, o assistente técnico regional em Organização Econômica da Emater, Alano Tonin, apresentou os detalhes do Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR). Este regularizaria a unidade de processamento mínimo nas esferas tributária, sanitária e ambiental – com o apoio do SIM e da Prefeitura. “Dessa forma, seria possível a comercialização via Talão de Produtor não apenas do peixe vivo, mas até de derivados”, pontua.

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Novos viveiros para ampliar a capacidade de produção
Os representantes da Emater devem ainda orientar os piscicultores na elaboração de projetos de novos viveiros, que permitirão ampliar a capacidade produtiva da Associação. “Importante é que o consumidor se acostume à ideia de consumir pescado. O que só será possível com um bom planejamento de produção”, ressalta Tonin. A confiança deve partir justamente da estruturação da produção, que significa garantir quantidade, qualidade e, especialmente, continuidade na Casa.

Para o presidente da Amop, Nelson Zanella, a reunião foi importante por esclarecer diversos pontos relativos à comercialização de pescado. Ficou claro que os negócios podem sair das propriedades, sendo feito diretamente ao consumidor e chegando também aos mercados via Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) ou Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

“Nossa intenção daqui pra frente é consolidar um projeto que sensibilize a Prefeitura”, assinalou. O setor quer a oportunidade de contar com um ponto fixo para venda do peixe vivo, e assim fidelizando o consumidor. E os piscicultores destacam que nesta equação o Município também sairá ganhando.

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