Casildo Chassot e Everton Cezar Baum mostram o poço perfurado em 2017

Prefeitura promete implantar rede de água na localidade até o final deste ano

Moradores da estrada Papa João XXIII, da rua Dionísio Arlindo Chassot e da localidade de Morro dos Barretos, no bairro Faxinal, sofrem há anos com a falta de água potável para o consumo. A situação inclusive já foi assunto de outras reportagens do Jornal Ibiá.

Everton César Baum, secretário da Associação Comunitária do Faxinal, conta que a falta de água se agrava durante o Verão, mas nesse ano foi registrada inclusive no Inverno. “Esses moradores aqui de cima não têm água. Já no Inverno esse ano faltou, daí tem que o vizinho emprestar ou vir o caminhão pipa da Prefeitura trazer água”, afirma.

Mas o problema não é de exclusividade apenas de quem mora na parte mais alta da comunidade, a falta de água potável afeta também moradores da parte mais baixa. “Na decida da lomba tem várias famílias e somente um poço particular fornecendo. Lá em baixo, na rua Dionísio Chassot, várias pessoas pegam água para tomar de bombona. Um pouco mais para baixo tem uma senhora que furou seis poços no terreno e a água é enferrujada, é uma água com cheiro, uma água ruim”, conta secretário da associação comunitária.

Baum relata que o período de maior dificuldade foi registrado há dois anos atrás, quando o caminhão pipa da Prefeitura estava estragado e os moradores ficaram sem abastecimento. “No ano passado e retrasado, como o caminhão pipa da Prefeitura estava estragado, nós tivemos que carregar uma caixa d´água dentro da camionete para trazer água de outro poço”, conta.

Conforme Casildo Chassot, presidente da Associação Comunitária do Faxinal, a busca da comunidade por uma solução para o problema começou em 2010 e já se arrasta por 11 anos.

“A luta começou fazendo um abaixo assinado. Depois foi feito um estudo, um levantamento, e o ponto estratégico do poço seria aqui nessa localidade, em Morro dos Barretos, onde foi cedido pelo morador José Faleiro”, conta Chassot.

Poço perfurado na localidade foi lacrado pela Corsan por não apresentar vazão suficiente

Mesmo com a área de terras já garantida, o processo até a perfuração do poço comunitário foi longo, o que acabou acontecendo somente em 2017. Mas o que era para ser a solução do problema dos moradores acabou se tornando outro ainda maior. Após uma análise realizada pela Corsan, o poço foi considerado com uma vazão insuficiente para atender a demanda da comunidade. Como solução a empresa propôs estender a rede de água da estrada Selma Wallauer até o outro lado da BR-470, levando água para os moradores.

“Foi feita a perfuração do poço e depois então veio um estudo através da Corsan, que colocou alguns empecilhos contrariando a rede do poço e colocando para nós uma solução mais viável, que seria a Corsan colocar a água aqui”, afirma o presidente a associação comunitária.

Associação Comunitária acha possível colocar poço em funcionamento
O presidente da Associação Comunitária do bairro Faxinal, Casildo Chassot, afirma que existem outras saídas para resolver a falta de água na comunidade além da extensão da rede da Corsan até a localidade. Como alternativa ele cita a possibilidade da perfuração de outro poço e o uso dos recursos do atual para atender parte da comunidade. “Tem a possibilidade de aumento da perfuração do poço, há também a possibilidade de fazer outro poço. Existe essa versão que poderia ser alimentada parte da comunidade com esse próprio recurso da água desse poço. Ele tem condições de alimentar a parte principal, que seria o projeto inicial”, afirma Chassot.

Moradores já perfuraram seis poços artesianos em busca de água potável

Mesmo a ampliação da rede da Corsan para a comunidade não sendo consenso, os moradores avaliam que essa é a solução mais fácil rápida de ser concretizada.

“Na proposta que foi acordada em uma reunião com a Corsan e a Prefeitura há um mês, o técnico da Corsan nos convenceu de que a água não seria suficiente e que a maneira mais viável seria a empresa estender a rede. Então como o objetivo da causa é água eles se prontificaram que com mais rapidez colocariam a água da Corsan”, afirma o presidente da associação comunitária.

Prefeitura promete solução antes do início do Verão
Há 11 anos aguardando uma solução, a preocupação dos moradores agora é com o período de estiagem. “Nós precisamos de água, vai entrar mais um Verão aí e a comunidade sem água. Não ter água para tomar, fazer uma comida, tomar um banho, é isso que nós precisamos”, afirma Everton César Baum.

Conforme o secretário de Desenvolvimento Rural, Ernesto Kasper, a Prefeitura trabalha para iniciar a colocação da rede de canos até o final do mês de setembro na comunidade. O serviço deve levar cerca de 40 a 50 dias para ser concluído, dependendo do clima. Em paralelo a Administração Municipal busca também realizar o processo de transposição da rede da Estrada Selma Wallauer por baixo da BR-470.

Moradores utilizam poço cavado como alternativa à falta de água

“A Prefeitura vai fazer os dois processos, a colocação dos canos com o apoio da Secretaria de Viação e Serviços Urbanos, e o processo de transposição, que já está tramitando na Secretaria de Planejamento para a contratação de uma empresa que fará a travessia da rede da Corsan para o outro lado da BR-470. Mas esse processo tem que ser por baixo da rodovia”, destaca o secretario.

De acordo com o diretor de desenvolvimento rural, Igor André Silvestrin, a secretaria já dispõe dos canos para fazer a rede de água que deve beneficiar cerca de 130 famílias. “Os canos já estão adquiridos, a gente solicitou também dois profissionais da Corsan, que são instaladores hidráulicos, porque o município não dispõe desse profissional habilitado para fazer uma rede de água”, afirma.

A expectativa da Prefeitura é que os trabalhos sejam finalizados antes do início do Verão, que é o período de mais escassez de água. “A preocupação é que a comunidade não pode ficar sem água, então finalizando a colocação dos canos e a transposição a comunidade já pode ir até a Corsan a solicitar o ligamento de água”, afirma o secretário Ernesto Kasper.

Deixe seu comentário