secretária Sônia salientou que a colaboração do agricultor também é fundamental para dar certo

O seminário ontem, no campus da Unisc, iniciou a construção do Plano Municipal de Desenvolvimento Rural de Montenegro. Um grupo de 59 pessoas, na sua maioria produtores, soube que dispor de um plano é crucial para organizar a intervenção pública do governo, e que desta forma muito pode ser feito. Mas, também perceberam que o município tem um longo caminho no que tange organizar e fortalecer o segmento socioeconômico.

A manifestação que colocou realidade na mesa, e que pode nortear as decisões, foi da secretaria de Agricultura, Sônia Feldmann, e do chefe do escritório da Emater de Morro Reuter, Evandro Knob. Em uma hora de debate, revelaram que seu Conselho Municipal da Agricultura é o verdadeiro definidor de políticas públicas ao setor, sendo que reúne, sob a mesma importância, todos os agentes da comunidade civil.

Knob salienta que desta forma as políticas de desenvolvimento são de estado e não de governo. E Sônia completa que tudo isso é definido por leis, o que obriga que cada novo gestor respeite as demandas definidas. Mas para isso, no cerne desta relação deve estar o que chamou de “unidade de diálogo”.

“Agricultura nunca é despesa”, declarou, ao reforçar que o político que quiser ver sua gestão dar certo deve ligá-la ao setor primário. O Conselho foi criado em 2002, a partir de demanda apontada pelas próprias comunidades. Desde lá, não parou e se atualiza anualmente, permitindo melhorar as políticas públicas municipais. “Pois são políticas da comunidade, e não de governo”, reiterou Knob.

Cidade já é referência nacional
Na missão do Conselho está ainda analisar os programas da prefeitura, e analisar os pedidos de subsídio ou insumos dos produtores via Secretaria. Neste momento, o secretário de Desenvolvimento Rural de Montenegro, Ari Müller, observou que Morro Reuter cobra pela hora/máquina, enquanto Montenegro concede de graça.

Esta diferença foi confirmada pelos palestrantes, mas destacando que o programa incentiva a produção. Através do Talão do Produtor, é concedido abatimento de até 60% no valor de R$1,5 mil 1 hora/máquina. Além disso, dá até 400 litros de óleo diesel ao ano, dependendo da produção e área cultivada.

Já os avicultores ganham terraplanagem e R$ 20 mil a fundo perdido para iniciar a construção do aviário. Morro Reuter tem hoje 350 famílias do campo, mas sua casa do produtor rural tem nove expositores; a produção de orgânicos cresceu e em 2019 realizou a 1ª Ecofest. Apesar de ter chegado somente em 2000 como flor ornamental e sua produção iniciado em 2014, a Lavanda é o símbolo de Morro Reuter – equivalente a Bergamota Montenegrina – e a cidade está na 4ª edição da Festa Nacional da Lavanda. Hoje, segundo Sônia, a agricultura representa 29% de retorno direto aos cofres. “Aumentou muito nossa arrecadação nos últimos anos”, definiu.

Para evitar o êxodo rural dos jovens
Outra palestra que apontou direção foi do professor Antônio Gomes, representante da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc). Ele recorda que a perturbação foi lançada pelo banco Sicredi, que percebeu que a maioria dos seus associados tinha mais de 45 anos. Era evidente que a sucessão familiar na propriedade estava ameaçada pela saída do jovem do campo para a cidade.

Começou então a ideia de uma escola particular que valorizasse as características locais e despertasse nos alunos o interesse pelo legado na terra. Para tanto, a Escola trabalha no sistema europeu da Pedagogia de Alternância, na qual o estudante fica uma semana na escola em regime de internato e uma semana em casa.

Passados 10 anos, a instituição de Ensino Médio profissionalizante em Técnico Agrícola conta com quatro unidades no RS e parceria da Emater. E em Santa Cruz do Sul o segundo apoiador ao projeto inicial foi a Unisc, o que justifica a Universidade como sede do seminário desta quinta-feira.
Seguindo sua missão de fomentar o desenvolvimento regional, a unidade em Montenegro será a aglutinadora das ideias, com seu ‘expertise’ e como sede dos encontros. A próxima reunião será dia 10 de dezembro, no campus do Zootecnia, as 19h. Este segundo encontro já será para receber as primeiras sugestões ao Plano.

Deixe seu comentário