Família de citricultores Derlam: Pai Irineu Ivo, filho Luís Roberto e neto William Derlam são passado e presente. Foto: Arquivo Pessoal

Parabéns! Dia 8 de junho é dedicado àqueles que cultivam o símbolo da região

A segunda-feira, dia 8 de junho, é dedicada às famílias que ajudam a elevar ao País o nome de Montenegro e região. Os citricultores escolheram cultivar algumas das frutas mais saborosas e ricas em vitaminas, criando uma cultura perpetuada de avós para netos e netas, em torno da qual se desenvolveu o setor primário das cidades, fomentando mais tarde organizações sociais, indústrias beneficiadoras e de pesquisa.

“O citricultor faz porque gosta. Ele ama essa profissão”, sintetizou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Montenegro, Maria Regina da Silveira. Ela tem lugar de fala, pois, aos 57 anos, toca a propriedade no Faxinal ombreando com o esposo, Regis da Silveira, 60, e o filho Regiano, 29. Ela exalta todos os companheiros, lembrando dos entraves que enfrentam, especialmente da natureza, como a seca deste ano. Ainda assim, percebe neles orgulho ao dizer que são citricultores.

Este sentimento tem relação com a qualidade das frutas, dentre as quais duas carregam o nome das cidades Pareci Novo e Montenegro, e outra da região, transformando o Vale do Caí referência nacional em relação aos citros. Isso permite também um ciclo de permanência dos jovens no campo, no qual um ótimo exemplo é William Luís Derlam. O rapaz de 24 anos se criou nas terras da família no Faxinal, interior de Montenegro. Viu o pai Luís Roberto Derlam, 48 anos; substituir o avô Irineu Ivo Derlam, 82; até chegar sua vez de ser o citricultor.

“Não adianta. O cara nasceu e se criou aqui no meio do pomar, em cima de um trator, colhendo e trabalhando na terra; e se acostuma”, descreveu, ao revelar a respeito de uma breve aventura fora da agricultura. E, segundo ele, depois que passa a gostar, fica difícil sair, pois sente falta. Willian afirma que a transição no comando da propriedade foi tranquila. Ao menos para ele! Pois os patriarcas aceitam com certa relutâncias suas ideias modernas.

Em 2019, o jovem lançou o primeiro ‘delivery’ de bergamota da região, o Tele Berga Citrus Derlam, que inclusive já reiniciou as atividades. “Já iniciamos com uma aceitação bem maior, principalmente devido às pessoas terem que ficar em casa”, observou a namorada e sócia Isis Kochemborger, 25. E recentemente, o Tele Berga foi incluso na Feira Virtual da Agricultura Familiar (Fevaf) da Emater. Mas, no fim, a propriedade dos Derlam une a sabedoria vinda do passado com o empreendedorismo e a tecnologia do presente.

Regiano acostuma o filho Luiz Augusto com o pomar. “Quer estar sempre junto. Adora!”, diz avó Maria

Futuro nos pomares e na tecnologia
William Luís Derlam é firme ao definir que não abandonarão a cultura do citros, em especial a bergamota vendida in natura. “Alimento é sempre mais visado para crescer, para ter comércio na cidade”, afirma. Inclusive, acredita que venda para industrialização não deve ser o nicho principal dos agricultores, pois a safra anual é muito maior do que as empresa processadoras possam absorver.

Seja como for, ainda há um caminho a ser trilhado por todos, como sinaliza a presidente do Sindicato. Maria Regina da Silveira refere-se à falta de investimento em tecnologia e pesquisa, especialmente para enfrentar as pragas com redução do agrotóxico. “Até para a saúde do citricultor”, finaliza.

O coordenador do Escritório da Emater em Montenegro, Everaldo Vinicio da Silva, concorda que ainda há muito espaço para evoluir, ainda que classifique como ‘bom’ o nível tecnológico aqui agregado. Ele explica que os produtores estão dividos em três níveis: de ponta, altamente tecnológicos; meio, em pleno processo de tecnificação; e do começo, que agora estão aprendendo as primeiras técnicas.

Mas lembra que o posto de maior produtora de bergamota do Estado de Montenegro, e a qualidade que caracteriza as frutas da região, são graças ao passado dos citricultores na terra. Protagonismo hoje sintetizado na organização, com entidades como a Cooperativa dos Citricultores Ecológicos (Ecocitrus) e a Associação dos Citricultores do Vale do Caí (Acevarc), e a Associação Montenegrina de Fruticultores (AMF).

A variedade Montenegrina é legado do citricultor João Edwino Derlan, em 1930, na localidade de Campo do Meio

Cada safra um desafio
Na visão do presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Montenegro, Ernesto Carlos Kasper, os citricultores têm acompanhado a evolução que o mercado, a cultura e o meio ambiente condicionam. “Pois, trabalhar a céu aberto, torcendo que o clima não prejudique os muitos investimentos necessários, tende a ser um grande desafio a cada safra”, justifica.

Assim, defende que os agricultores estejam sempre se atualizando e se organizando para atuar conjuntamente. Diretor da Ecocitrus, pioneira na produção ecológica de citros, ele crê que o grande mérito dos produtores é a resiliência. Isso porque, em poucos anos, houve mudanças em virtude dos desequilíbrios gerados à natureza, que trouxeram doenças e problemas sanitários aos citricultores.

Então, para garantir prosperidade, a atenção deve estar no consumidor, oferecendo lhe um diferencial. Kasper comenta que a própria Covid-19 acabou confirmando a importância que tem uma comida com qualidade para a saúde. “A produção agro-ecológica tende a ser valorizada, trazendo, além do ganho econômico, a importância do social e do ambiental… com menos impactos ao meio ambiente… onde se produza mais alimento e menos ração”, diz.

Tele Berga Citrus Derlam
– Entregas nas tardes de terças e sextas: (51) 9-9729-6886
*Este ano com opção da sacola de tecido, para reduzir uso do plástico

A força dos citricultores
De acordo com dados da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, em 2018 mais de 10.000 famílias gaúchas tinham renda oriunda da produção de laranjas, bergamotas e limões, entre agricultores, transportadores, industrializadores e produtores de mudas

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