Nesta foto, tirada na Câmara, Vitorino (D) está ao lado de Cylon Azeredo, Ivan Zimmer, Tito Fauth, Ari Borges (com o microfone) e Edgar Roberto Fink

MUITO POPULAR em toda a cidade, morador do bairro Santo Antônio tinha Síndrome de Down e faleceu em 1980

Quem viveu em Montenegro entre os anos 50 e 80 certamente ainda lembra de uma figura muito conhecida e estimada por todos: o Vitorino. Nascido em 20 de dezembro de 1933, ele faleceu em 28 de janeiro de 1980, aos 47 anos, vítima de um acidente de trânsito. Caçula numa família com dez irmãos, tinha Síndrome de Down, o que o tornava especial não apenas no aspecto físico, mas também no temperamento e na forma amável com que se relacionava com a comunidade.

Ainda esta semana, o prefeito Kadu Müller deve sancionar uma lei que ajuda a resgatar sua história. Vitorino Fidélis Ferreira será o nome de uma rua localizada no bairro Santo Antônio, onde o homenageado morou por toda a vida. A proposta foi apresentada pelo vereador Felipe Kinn da Silva (MDB) e aprovada por unanimidade pela Câmara.

Vitorino Fidélis Ferreira

O autor do projeto de lei lembra que fez uma pesquisa sobre o passado de Vitorino, incluindo conversas com os familiares. Kinn também contou com o apoio do líder comunitário Airton Quadros. “O Vitorino ainda está muito presente na memória das pessoas. Ele era um grande amigo dos taxistas e bem quisto por todos”, ressaltou.

O vereador lembrou que Vitorino só começou a caminhar quando tinha sete anos, o que não o impediu de “descobrir” a cidade e de se tornar um de seus personagens mais marcantes. Diariamente, frequentava o Café Comercial, a Prefeitura e a Biblioteca Pública. Embora não soubesse ler e escrever, passava horas folheando livros e revistas e, a seu modo, estudava. Entregava jornais e, muitas vezes, recebia dinheiro para acordar as pessoas em suas casas. “Ele comparecia sempre na hora certa, era muito pontual”, afirma Kinn.

Na Prefeitura, segundo a vereadora Rose Almeida (PSB), foi criado até um caderno de presenças para ele “registrar o ponto”. Cada vez que ia ao Palácio Rio Branco, Vitorino apresentava-se a um guarda e fazia uma bolinha junto à data. “Eu convivi com ele diariamente por quatro anos, entre 1976 e 1980, quando ele faleceu e, antes, quando meu pai era taxista, às vezes o levava lá em casa para tomar café”, lembrou.

O presidente da Câmara, Cristiano Braatz (MDB) contou uma das histórias que ouviu sobre Vitorino. “Como ele era muito próximo ao ex-prefeito Ivan Zimmer, muitas vezes ficava com as autoridades no palanque durante os desfiles de 7 de setembro. Um dia, alguém viu que o Vitorino estava com o zíper da calça aberto e cochichou no ouvido do prefeito, que prontamente foi lá, abaixou-se na frente dele e fechou a calça. O desfile parou e todos aplaudiram.”

Durante a discussão do projeto, também foi lembrada a participação do homenageado nos enterros. Ele costumava ir à frente dos cortejos, carregando a cruz que era deixada nas sepulturas. Na época que antecedia o Natal, recebia muitos presentes. Morto num acidente de trânsito na RSC 287, seu enterro foi um dos maiores da história. Em sua homenagem, até o comércio fechou as portas.

Conhecido e estimado
Uma boa fonte de pesquisa sobre Vitorino Fidélis Ferreira é o grupo Montenegro de Ontem, no Facebook. Seguem alguns depoimentos sobre ele registrados ao longo dos anos:

Cléris Kerwald – …todo aniversário do nosso prefeito Cardona, lá estava ele, e dava até discurso, sempre vestido impecavelmente de terno e gravata. Lembrança boa nas nossas memórias de uma figura que jamais esqueceremos.
Laurentina de Sá Freitas – Vitorino era um ser especial. Irradiava alegria por onde passava. Ele fez parte de toda a família montenegrina.
Gilberto Gonçalves – Eu tive o prazer de engraxar os sapatos do Vitorino, era meu cliente assíduo no Café Comercial.
Rosani Brochier Nicoli – Eu lembro muito bem do Vitorino. Ele acordava muita gente cedo da manhã. Melhor que despertador.
Paulo Aloísio Oliveira – Sextas-feiras era o dia “eu”, quando passava nos bancos, lojas, repartições, recolhendo a sua gorjeta.
Maria Rita de Borba – Inesquecível! Lembro que os motoristas de taxi, volta e meia, o levavam para passear de carro.
Ricardo Dreher – Nos féretros que saíam da capela mortuária, o Vitorino sempre levava a cruz que era depositada na sepultura do falecido. Ele levava a cruz a pé.
Claudete Backes da Silva – O Vitorino tinha trânsito livre dentro da Prefeitura. Andava por todas as salas, mas não incomodava ninguém. Geralmente era bem humorado e participava de brincadeiras. Lembro que um dia eu estava sentada, compenetrada no serviço, e mandaram ele dar um beijo na minha nuca. Levei o maior susto! hehehehhe

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