Jaime precisou se privar de muitas coisas após o AVC, inclusive de circular pelas calçadas de Montenegro

Sem calçadas alinhadas, transitar com uma cadeira de rodas é impossível

Quem nunca tropeçou caminhando pelas calçadas de Montenegro? Ou então teve medo passar, por ver uma laje solta? Infelizmente, esses problemas se tornaram frequentes em Montenegro. Segundo a Prefeitura, o passeio público é uma responsabilidade do morador.

Cada um deve preservar o trecho em frente a sua casa. Porém, o poder público é responsável pela fiscalização. Se já é um incômodo para quem pode caminhar, pára os cadeirantes, a situação é muito pior. O medo de se machucar no caminho e a falta de nivelamento faz com que eles desistam de passeios.

Essa é a situação de Jaime Joel Flores, de 54 anos. Há três, ele sofreu um AVC e perdeu o movimento das pernas. Flores consegue se comunicar, se alimentar, porém necessita do uso diário de uma cadeira de rodas. “Ainda estou me adaptando a essa situação. Faço fisioterapia duas vezes por semana e continuo torcendo para que os meus movimentos voltem ao normal”, diz.

Nessa situação, Jaime passou a enxergar a convivência na cidade de outra forma e começou a reparar em problemas que antes não chamavam a sua atenção. “Eu não posso circular pelas calçadas. Todas são desnivaledas. A cadeira cai. Para piorar, a rua em que moro (Euclides da Cunha, bairro Centenário) é de paralelepípedo. Seria bem melhor para andar se fosse asfaltada. Do jeito que está, só saio de casa de carro”, conta. Até segunda-feira (10) havia um buraco bem em frente a sua residência, causado pelo vazamento de um cano, que impedia até mesmo a saída com o automóvel.

Quem o ajuda todos os dias é sua esposa, Suzana Maria Wolff, de 49 anos. Ela diz que a vida do marido mudou radicalmente de uma hora para outra e que sofre junto com ele por não poder mudar essa situação. “Há 30 anos ele trabalhava na oficina de veículos da família.

Agora não conseguimos nem passear no Parque Centenário. Se não fosse o carro, não conseguiríamos ir a lugar nenhum”, desabafa. Suzana conta que Jaime gostava muito de levar sua filha, Luiza, agora com nove anos, para passear no Parque Centenário, para que a pequena desfrutasse dos brinquedos, mas se tornou mais difícil repetir os passeios. “Isso é complicado agora, pois não conseguimos empurrar a cadeira naquelas lombas”, explica a esposa.

Até no Centro da cidade há calçadas intransitáveis para cadeirantes. População pede ajuda à fiscalização

Em curto prazo, não há soluções previstas
A Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP) informa que todas as novas obras viárias e prediais têm que se adequar à Lei de Acessibilidade e que não há previsão de colocação de outro tipo de calçamento na rua Flores da Cunha no momento. A Prefeitura garante que fiscaliza e notifica os proprietários quando identifica calçadas que necessitam de reparos e orienta a população a protocolar suas reclamações e denúncias no Palácio Rio Branco, ou via site, no www.montenegro.rs.gov.br, link lateral “Ouvidoria”. Ou ainda pelo telefone 3649.8201.

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