DOM CARLOS destacou os problemas causados pelas Fake News entre os cristãos

Bispo diz que a distorção da verdade produz ódio e fundamentalismo, afastando as pessoas dos princípios cristãos

Criadas e disseminadas nas redes sociais com o objetivo de confundir e enganar, as notícias falsas, normalmente chamadas de Fake News, são também uma preocupação para a Igreja Católica. Ontem, no Dia Mundial da Comunicação, o bispo Dom Carlos Rômulo, o padre Diego Knecht e a assessoria de comunicação da Diocese de Montenegro reuniram representantes dos veículos de comunicação da região para debater o assunto. Também participou do encontro o bispo emérito Dom Paulo De Conto.

Durante a atividade, Dom Carlos apresentou uma mensagem do Papa Francisco sobre o tema, na qual o sumo pontífice alerta que somente a verdade é capaz de libertar. No documento, intitulado “Fake News e jornalismo da paz”, há um chamado para que os católicos se preocupem com a veracidade das informações que recebem antes de passá-las adiante.

Segundo bispo, as Fake News se caracterizam por serem baseadas em dados falsos, mas verossímeis. Elas encontram campo fértil junto a pessoas que já têm opiniões formadas e não estão dispostas e rever posicionamentos, nem mesmo diante de argumentos sólidos. “Também é muito comum encontrar pessoas suscetíveis às teorias da conspiração, nas quais a informação, mesmo não sendo verdadeira, planta dúvidas”, ressaltou.

Amparado nas escrituras, que apresentam Deus como a única verdade, no livro de João, capítulo 14 versículo 6, Dom Carlos reforçou que “a paz é a verdadeira notícia”. E sugeriu que as pessoas tomem cuidado com informações que semeiam a discórdia. “Devemos estar sempre prontos a ouvir, a ponderar, a questionar”, propôs o religioso.

A preocupação da Igreja Católica com as Fake News tem basicamente duas razões. Por um lado, geram intriga e ódio, afastando muita gente dos princípios cristãos. Por outro, preocupa a constatação de que, cada vez mais, a própria doutrina vem sendo usada para nutrir a desconfiança. De acordo com o bispo, cada pequeno trecho da Bíblia permite diversas interpretações e é comum estas leituras distorcidas serem usadas para a criação de fundamentalismos que levam à destruição da fé. A Igreja, segundo ele, fundamentado no documento divulgado pelo Papa, não defende um jornalismo “bonzinho”, mas cuidadoso com a divulgação da verdade e com a construção de valores positivos.

O próprio Papa Francisco, lembrou Dom Carlos, costuma ser alvo de Fake News. Em 30 de março, na Sexta-feira Santa, um jornal italiano publicou o resumo de uma conversa que o seu editor teria tido com o sumo pontífice, na qual ele teria dito que o inferno não existe. Segundo Dom Carlos, o autor do texto não gravou o diálogo, o que impede a comprovação de sua veracidade. Além disso, trata-se de uma pessoa declaradamente agnóstica (que duvida da capacidade humana em comprovar a existência de Deus). Logo, seria uma leitura pessoal das palavras que ouviu. “Nós não cremos no inferno e, sim, no céu, onde as pessoas boas e justas vão estar com Deus. Há uma possibilidade real de quem não crê de ficar afastado de Deus”, comenta, sugerindo que esta condição pode ser vista como o inferno.

Durante o encontro, a assessora de comunicação da Diocese, Graziela Wolfart, apresentou os serviços colocados à disposição de rádios e jornais. Além disso, citou as publicações feitas pelo órgão e o trabalho desenvolvido nas redes sociais para divulgar as atividades da instituição e integrar as 30 paróquias que a compõem.

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