Rodovia recebe grande tráfego. Mais de 2 mil veículos cruzam por hora o trecho que faz parte do corredor Centro/ Região Metropolitana da RSC-287. Foto: arquivo Jornal Ibiá

Agora é oficial. A Prefeitura de Montenegro recebeu autorização do governo do Estado e vai assumir o compromisso de construir duas rótulas na RSC-287. A oficialização deu-se num ato na Câmara de Vereadores na tarde dessa quinta-feira, 28 de janeiro, com a presença do secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella, e do presidente da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), hoje responsável pela rodovia no trecho que corta o Município, Urbano Schmitt.

Focadas em melhor a travessia entre o centro e os bairros Santo Antônio e Panorama, as rótulas ficarão no cruzamento com a rua Ramiro Barcelos, nas proximidades do Posto Ipiranga; e no cruzamento com a rua Coronel Antônio Inácio, nas proximidades da empresa Renauto. Também serão feitas intervenções para dar mais segurança a pedestres, incluindo calçadas na passagem pela rua Ernesto Zietlow.

“Já no primeiro mês de mandato, nos esforçamos muito para conseguir essa liberação”, destacou o prefeito, Gustavo Zanatta. “É um primeiro passo, ainda temos muito para fazer por nossa cidade”. A obra deve custar cerca de R$ 3,5 milhões, valor que deve sair do superávit das contas públicas do ano passado; que apresentou uma sobra de recursos de R$ 6,5 milhões. Agora, o governo municipal trabalha para abrir o processo licitatório e, respeitados os prazos legais, contratar a empresa que executará o projeto. “Essa é a nossa meta numero um desse primeiro ano”, garantiu o prefeito.

Demanda de décadas da comunidade montenegrina

A solenidade que marcou a autorização do Estado para a execução das obras por parte do Município foi marcada pela lembrança do quão antiga e importante é a demanda por melhorias na rodovia que corta Montenegro. A questão é debatida por, pelo menos, quatro décadas.

Em sua fala, Zanatta falou de trabalhadores que, em horários de pico, esperam quase 20 minutos para ir de um lado pro outro. Também falou em segurança. “Muitas mães, quando tem uma sirene de ambulância, começam a rezar em suas casas pensando que o pior possa ter acontecido com seu filho ao atravessar”, colocou.

Prefeito Zanatta; presidente da EGR (assinando), Urbano Schmidt; e secretário estadual Juvir Costella

Secretário de Logística e Transportes do Estado, Juvir Costella agradeceu ao Município por assumir o projeto. “Muitos diziam que tinham a solução, mas até hoje ninguém resolveu”, apontou. “São poucas atitudes como essa que vocês têm ao se dispor a assumir uma responsabilidade que é do governo do Estado do Rio Grande do Sul. Isso precisa ficar claro.” Costella reforçou que ainda é intenção do governo estadual privatizar a rodovia, processo que está em estudo, mas que não tem data para ocorrer.

Convidado para acompanhar a solenidade, o líder comunitário Airton Quadros se emocionou com as falas. Ao fim, foi convidado a, junto das autoridades, também assinar o documento que oficializou a autorização para as melhorias. “Eu estou nessa caminhada há doze anos (buscando soluções). Tive na Regional do Daer, tive em Porto Alegre, no Palácio do Governo, na secretaria de Segurança, tivemos duas audiências públicas” recorda. “Enquanto isso, a faixa continua sequelando, matando e estressando. A gente trabalha o dia a dia e, quando uma ambulância passa, a gente fica ‘ será que não é um dos meus?’”.

Quadros elogiou o Município por tomar a frente nas intervenções, mas lamentou que nenhum das rótulas fique mais próxima ao bairro Panorama, no trecho que envolve a travessia com o bairro Rui Barbosa e suas instituições de ensino. “De momento não está contemplado. Mas, quem sabe, iniciando esse trabalho, eles vão ver que é necessário também uma melhoria lá”, ponderou.

Estudante do Pareci foi essencial para a solução

Montenegro não tinha perspectiva de ver, nem em parte, o problema das travessias da RSC-287 solucionado tão cedo. O Município havia investido num projeto junto a EGR para uma série de intervenções, incluindo cinco rótulas, entre o cruzamento com a BR 470 (Posto Shell) e o entroncamento com a ERS 411 (antigo Frigonal). O custo, porém, era superior a R$ 20 milhões, sem garantia de execução pelo Estado e impossível de ser suportado pelos cofres municipais.

Surgiu então um projeto adaptado pela estudante de engenharia civil Nicole Streit com um orçamento projetado em cerca de R$ 3 milhões. Sob a supervisão do engenheiro e professor Fabiano da Silva Jorge, ela havia trabalhado em cima da RSC-287 para seu trabalho de conclusão de curso da faculdade. Resolveu apresentá-lo ao prefeito, ainda no fim do ano passado, e a equipe de Zanatta foi buscar a autorização para usá-lo.

“Eu não imaginava que ia repercutir dessa maneira, nem que pudesse ser executado de forma tão rápida”, admitiu Nicole, que também participou da solenidade. “Eu sou de Pareci Novo, mas tenho familiares que moram no Santo Antonio e também trabalhei em Montenegro uma época. Então eu via esse problema.” O trabalho foi feito no decorrer de um ano, tempo de levantamento de referencial teórico, análises de tráfego e da montagem propriamente dita do projeto.

Na prática, o que será executada na RSC-287 é uma junção entre o projeto anterior, da EGR, com o trabalho de Nicole. Segundo o presidente da empresa, Urbano Schmitt, as duas rótulas são uma parte do projeto mais amplo – esse sim, avaliado nos R$ 20 milhões. “Mas com essas sugestões, principalmente na parte de faixa de pedestres e outras alterações que foram propostas e nós acatamos”, salienta. Não há nenhuma previsão de quando a totalidade do projeto poderia ser executada. “Essas aqui só serão possíveis graças a participação da municipalidade”, pontuou.

Coincidência Histórica

Lembrou a assessoria de comunicação da Prefeitura que a data, 28 de janeiro, traz consigo uma curiosidade. Nela, mas no ano de 1980, um acidente de trânsito na RSC-287 tirou a vida de uma querida figura da comunidade: Vitorino Fidelis Ferreira, ou simplesmente Vitorino. Conhecido e estimado, ele tinha Síndrome de Down, o que nunca o impediu de entregar jornais ou fazer outras tarefas, como acordar as pessoas de manhã cedo, em frente a suas casas, em troca de algum dinheiro. Na Prefeitura, sua amizade com o ex-prefeito Ivan o transformou numa espécie de funcionário informal.

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