Confiante, Mateu embarca na próxima semana para São Paulo para realizar transplante de medula óssea. FOTO: arquivo pessoal Josiane Coitinho

Tratamento é a esperança para retomar vida normal

O montenegrino Mateu Coitinho do Santos, de 9 anos, embarca na próxima terça-feira, 2, para Barretos, em São Paulo, onde irá passar por um transplante de medula no dia 19 de novembro. A luta do pequeno contra a leucemia iniciou em fevereiro desse ano, e agora a expectativa é pela cura da doença.

A mãe de Mateu, Josiane Coitinho, 36, conta que a descoberta da leucemia aconteceu de forma repentina, após uma visita a pediatra. “Em fevereiro ele começou com um pouquinho de febre constante, e apareceu uma manchinha no rosto. Aí eu levei na pediatra e ela pediu alguns exames, fizemos a coleta no dia seguinte”, relata. Mas no mesmo dia da realização do exame o laboratório entrou em contato com Josiane solicitando que Mateu voltasse no consultório da médica pediatra. “Quando a gente voltou ela disse que os exames deram muito alterados e a gente foi encaminhado com urgência para Porto Alegre, para o Hospital de Clínicas. Chegando lá, os médicos fizeram vários exames e já ficamos internados. Isso foi no dia nove de fevereiro”, conta Josiane. Com o resultado dos exames, foi confirmado que Mateu estava com leucemia, e a partir de então o pequeno começou com o tratamento através de quimioterapia.

De início, a mãe relata que a notícia foi muito difícil, principalmente pela internação repentina e o contato com as outras crianças internadas no hospital. “Quando tu entra lá, no primeiro momento te dá muito medo, porque tu vê as crianças todas carequinhas, caminhando com os carrinhos de soro, com quimioterapia acontecendo. Isso no primeiro momento é um impacto muito forte. Nós chegamos no dia nove de fevereiro e ficamos por 42 dias internados, sem poder sair lá de dentro”, relata Josiane.

A força de Mateu foi fundamental para superar essa primeira barreira. Sempre confiante, o pequeno demonstrou coragem para enfrentar o tratamento. “O Mateu é muito forte e o pensamento dele é muito positivo, tem momentos que ele está muito fraco por conta da quimioterapia, mas está sempre tentando brincar e ver um lado positivo em tudo”, diz a Mãe.

Transplante foi a saída para cura da doença
Mateu foi diagnosticado com a Leucemia Linfóide Aguda (LLA), umas das mais comuns em crianças. Inicialmente o quadro foi classificado como nível intermediário e a saída para evitar o transplante seria uma resposta positiva à quimioterapia. A mãe do pequeno conta que o tratamento foi realizado de fevereiro até maio, mas as quimioterapias não conseguiram controlar a doença. “Em maio eles mudaram o protocolo e começaram com uma quimioterapia muito mais forte, e aí com esse tratamento eles conseguiram controlar a doença”, afirma Josiane.

Mateu quer voltar a jogar futebol a brincar com os amigos após retornar do tratamento em São Paulo. FOTO: arquivo pessoal Josiane Coitinho

No entanto, após uma nova análise, os médicos identificaram que Mateu apresentava a leucemia em um quadro mais grave, sendo reenquadrada como de alto risco. Com isso, a chance da doença voltar futuramente, mesmo já controlada, seria maior, sendo a opção a realização do transplante de medula. A ideia inicial era que o procedimento fosse realizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, mas como a lista de espera teria vaga disponível somente para abril de 2021, os médicos decidiram encaminhar o pequeno para o Hospital de Barretos. “Entraram em julho com o pedido no Banco e Medula e em setembro veio a notícia que teria um doador 100% compatível. Então a médica do Mateu aqui do Hospital de Clínicas sugeriu de encaminhar ele para São Paulo, para que o transplante fosse feito ainda esse ano”, conta a mãe.

A primeira consulta de Mateu em São Paulo foi realizada agora em outubro. Já de volta ao Rio Grande do Sul, o pequeno está passando por mais um período de quimioterapia antes do transplante. O procedimento estava previsto para acontecer em dezembro, mas o hospital de Barretos conseguiu antecipar a coleta da medula do doador e foi antecipado para o dia 19 de novembro. A família embarca para São Paulo já na próxima terça-feira, 2, para iniciar a preparação para a cirurgia.

“A gente está super confiante… A expectativa é ir pra lá, fazer esse transplante, e que dê tudo certo pra que a gente possa voltar pra cá e ele consiga voltar à vida dele normal: poder jogar futebol, que ele ama, poder andar de bicicleta, poder ver os amigos, poder ir para a escola, essas coisas que ele sente muita falta”, diz a Josiane.

Campanha ainda busca recursos para estadia em São Paulo
Para custear a estadia durante um período de três meses em São Paulo, a família de Mateu organizou uma vakinha virtual. A participação da comunidade foi um sucesso e o valor arrecadado superou o solicitado. Mas, durante a consulta em Barretos, agora no início de outubro, os médicos estipularam um período de até seis meses de tratamento na cidade, a depender de como o organismo do pequeno reagir ao transplante.

Mãe de Mateu, Josiane acompanha o filho durante todo o período de tratamento. FOTO: arquivo pessoal Josiane Coitinho

Com a possibilidade de ficar por um período maior em São Paulo, a família de Mateu teve que organizar novas campanhas de arrecadação de recursos. Uma rifa está circulando na cidade, cujas informações de como adquirir os bilhetes podem ser obtidas através do Instagram da mãe, Josiane Coitinho. Também será realizada a venda de camisetas alusivas a importância da busca pelo tratamento precoce do câncer, além de um pedágio solidário, ainda sem data marcada.

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