dança faz parte do tratamento para as mulheres

História. Iniciativa nascida para recuperar dependentes químicos hoje conta com fazenda para jovens, espaço para receber mulheres e o projeto Casulo

O Recreo completa 30 anos de atividades em 2017. O projeto teve início com um grupo de narcóticos anônimos, dentro da Secretaria Municipal de Saúde, para se tornar um dos projetos de recuperação de dependentes químicos dos mais antigos do Estado. Naquele grupo de 87 entrou para reabilitação o jovem Otávio Furtado, atual presidente da instituição. “Sentimos a necessidade de nos manter juntos para não sofrer a recaída”, conta Otávio apontando que se trata de primeira comunidade terapêutica do Rio Grande do Sul, nos moldes de Psicoterapia.

De lá pra cá houve uma comunidade terapêutica na localidade do bananal, que na época pertencia a Montenegro. “Depois disso o Lions nos doou uma faixa de terras onde está a fazenda Recreo para homens adultos”, conta Otávio. Hoje existe também uma fazenda para jovens e adolescentes na zona rural, um espaço na zona urbana para receber mulheres e o projeto Casulo, que é uma casa de passagem para moradores de rua, independente de serem dependentes químicos. Esse prédio fica no centro, na antiga Delegacia. “Fizemos a proposta de compra e o proprietário aceitou. Pagamos com recursos próprios acumulados em dez anos”, comenta Otávio.

Volta por cima após situação de vulnerabilidade social

De usuário de drogas na adolescência, Cléo Dias hoje atua como supervisor terapêutico no Recreo

O ano era 1996 e o então adolescente Cléo Lopes Dias, após ser apreendido na casa de um traficante, foi internado no Recreo. Hoje aos 35 anos de idade está de volta a casa. Desta vez para retribuir carinho e cuidado recebidos no tratamento. “Eu não tinha esperança. Minha mãe e minha cunhada acreditaram em mim e aqui recebi estrutura, caráter”, afirma o supervisor terapêutico do Recreo. Casado, pai de três meninas, uma delas com 13 anos que já tem formação para não entrar no mundo das drogas. “Minha família sabe do meu trabalho, do que passei para estar aqui hoje e dei às meninas a estrutura que eu não tinha”, aponta Cléo.

Hoje ele estende a mão para homens como Juarez Rodrigues, atleta profissional com passagem por Inter e Vasco, que perdeu tudo para o crack. “O Juarez chegou aqui em situação de vulnerabilidade e o Otávio acolheu ele”, relata.

Ex-atleta profissional com passagens pelo Inter e Vasco, Juarez está livre das drogas há dois anos

Na última sexta-feira, Juarez completou dois anos de recuperação e dividiu dessa alegria com os colegas que trabalham ao lado dele no Recreo.
“Completo dois anos de sobriedade. Aqui recomecei minha vida. Descobri que tinha encontrado um lugar que devolve a vontade de ser uma pessoa melhor”, relata Juarez, hoje casado, dono do próprio apartamento e que está concluindo os estudos para se tornar um coordenador credenciado pela Federação das Comunidades Terapêuticas.

Disciplina e acolhimento
Na casa os internos possuem uma rotina de disciplina e acolhimento. O programa de recuperação varia de três meses a um ano. A estimativa é de que cerca de cinco mil pessoas de todo o país tenham buscado ajuda no Recreo. “Tem gente que larga tudo, outros passam pela redução de danos. Isso é de pessoa pra pessoa”, avalia Otávio.

As fazendas e a casa central são mantidos através de convênios com prefeituras e pela mensalidade dos internos. O Casulo, que existe há 18 anos, tem capacidade para abrigar 20 pessoas com quatro refeições por dia.

Para marcar as comemorações dos 30 anos, em 2018 deve haver um baile com homenagens a todos os colaboradores. Em 2019, ano que marca os 30 anos da fundação oficial como entidade assistencial, a ideia é fazer um show com artista de renome nacional. Por enquanto ainda está em fase de conversações. Um artista com o perfil do Recreo: que seja um lutador e venceu. “Já temos um nome em vista, mas ainda é cedo para confirmar”, aponta Otávio.

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