No último sábado, doze pessoas foram até Porto Alegre para praticar o gesto de cidadania e solidariedade

MOBILIZADOS, cidadãos dão exemplo e incentivam outras pessoas a multiplicarem iniciativa

Um grupo formado por 12 montenegrinos acordou cedo nesse sábado, 25, para praticar um gesto de amor e solidariedade ao próximo. Eles foram até Porto Alegre para doar sangue ao Banco do Hospital da PUC. Motivado a ajudar a quem precisa, o grupo dá exemplo de cidadania e incentiva outros cidadãos a fazerem o mesmo.

A missão dos montenegrinos foi de contribuir com a campanha em prol da pequena Maria Antônia. A menina, de um ano e cinco meses de idade, precisa das doações para viabilizar seu transplante de medula. A mobilização já envolveu mais de 50 pessoas de Montenegro, e conta também com doadores de Porto Alegre, Sapucaia do Sul e São Sebastião do Caí.

O fato de se tratar de ajuda para uma criança foi motivacional para que várias pessoas se deslocassem até a Capital do Estado para doar. Contudo, elas reconhecem que as doações devem ser realizadas em qualquer época, independente de campanhas, pois muitos pacientes dependem disso para continuarem vivos.

João Gilberto de Castro, de 49 anos, dá o exemplo para suas filhas, a auxiliar de escritório Joana de Castro, 29 , e a gerente financeira Júlia de Castro, 28. No sábado o trio aproveitou o transporte cedido pela Secretaria de Saúde de Montenegro para doar um pouco de si. João já está acostumado ao gesto, porque há anos é doador. Joana já está se tornando experiente no assunto, pois doou outras vezes. Júlia doou pela primeira vez, mas pretende repetir a feito daqui a algum tempo. Foi de Júlia a ideia de chamar a irmã e o pai para realizar a doação. Mesmo sem ter vínculo com a família de Maria Antônia, a jovem sentiu-se tocada com a história da garotinha. “Eu tenho filho e pensei como mãe. Como mãe, penso que ficaria feliz se alguém que não me conhece fizesse isso por mim. Uma colega doou e me falou, aí eu resolvi ajudar”, conta.

Joana e Júlia doaram sangue juntas. Foi a primeira vez da dupla fazendo doação

Joana cresceu vendo o pai doar sangue e agora segue o mesmo caminho. “A primeira pessoa que vi doando é ele. Meu pai sempre foi um exemplo, ia constantemente. Já doei sangue outras duas vezes para familiares e para o pai de um colega”, diz.

Outras pessoas, além da família Castro também deixam o sentimento falar mais alto quando o assunto é doar um pouquinho de si. A jovem estudante Vitória Francine Carvalho, 20 anos, já tinha tentado doar sangue em outras ocasiões, mas não deu certo. Agora, após se tornar mãe, ela dá ainda mais valor ao gesto e insiste em se tornar doadora.“É minha terceira tentativa. Eu tenho uma filha de um ano e sete meses que já esteve internada quatro vezes e precisou de doação de sangue, foi o que me motivou a vir”, explica.

O aposentado João Gilberto de Castro dá exemplo para as filhas que também se tornaram doadoras

Vitória lembra que muitos desconhecidos também precisam de ajuda e que para eles nem sempre é fácil conseguir pessoas engajadas como os montenegrinos. “A gente acaba se mobilizando só quando precisa.É importante a gente doar não só nesses momentos. Alguém ajudou minha filha e agora eu quero ajudar quem precisa”, acrescenta.

Alguns fatores dificultam a doação
João Gilberto de Castro por muitos anos doou sangue em Montenegro, mas com o passar dos anos foram surgindo dificuldades para dar sequencia a ação. “Doei por um período de cerca de cinco anos. Parei porque fiz tatuagem. Esperei dois anos e fui doar novamente. Procurei o Hospital Montenegro, só que eles tinham mudado o sistema”, lembra o aposentado. “Tinha que marcar horário, era muita burocracia e eu trabalhava, então não deu mais”, recorda.

O simples gesto de doar sangue pode salvar vidas

A questão do agendamento, existente tanto no HM quanto no Hospital Unimed Vale do Caí, levou João a parar de doar, pois não conseguia conciliar seus horários de trabalho. Depois disso, quando é solicitado, ele vai até Porto Alegre para doar. “A dificuldade é muito grande. Tem a questão da disponibilidade de horário e custo com transporte”, acrescenta.

A técnica de enfermagem Camila Carolina de Oliveira, 41, também lamenta a falta de um banco de sangue em Montenegro. Camila diz que, sempre que tem possibilidade, ajuda nas campanhas de doação. Seus pais já precisaram de doações e ela conhece bem o valor do gesto. “Fica bem complicado para as pessoas conseguirem doar sangue, mas quando conseguirem é muito importante que se mobilizem”, conclui.

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