Órgãos trabalham para dar um abrigo ao homem. Equipe da agência faz retirada das fezes de manhã. FOTOS: ENVIO DE LEITOR

Desde o fim do ano passado, um homem em situação de rua está vivendo no Centro de Montenegro. Ele não aparenta ter muita idade. Sofre, segundo a Assistência Social do Município, de uma doença mental. Dorme e passa seus dias nas proximidades da Praça Rui Barbosa e do Café Comercial.
Mas o problema vai além da questão social. O indivíduo tem usado o corredor da agência do Sine como banheiro para fazer suas necessidades. Quem amanhece na fila em busca de emprego ou dos demais serviços oferecidos pelo órgão, encontra o local cheio de fezes humanas. Cabe à equipe fazer a limpeza, quase que diariamente.

Nelson Timm, técnico administrativo da agência, conta que não para por aí. Houve casos em que o homem tirou a roupa em pleno Centro e até se masturbou em público – na frente até de crianças e de idosos. Numa instituição de ensino das proximidades, as gerentes relatam que ele é violento e faz ameaças. No dia 16 de janeiro, chegou a entrar no prédio e disse que a equipe “iria ver”. Foi registrado Boletim de Ocorrência, sem um resultado efetivo.

A Secretaria de Habitação e Assistência Social da Prefeitura foi acionada há tempo sobre o caso. “Houve várias ações”, garantiu a pasta, em nota enviada à reportagem. “Pois ele não fala nome, não possui documentos e não sabemos de onde ele é. Quando fazemos várias perguntas, ele fica agressivo”.

O caso já envolve a diretoria de Assistência Social, o CREAS e o CAPS. Já houve uma tentativa de encaminhamento do homem ao Retiro Comunitário de Reabilitação Ocupacional, o Recreo. Ele fugiu poucas horas depois de ter dado entrada. “Acionamos a SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para levar ele até o hospital, mas não se consegue levar à força para saber de fato o que ele tem”, continuou a nota da secretaria.

Caso já foi parar no Ministério Público
Por iniciativa da Prefeitura, o caso foi parar no Ministério Público. O objetivo era obter uma ordem judicial que permitisse uma solução mais efetiva. Por envolver uma pessoa em situação de vulnerabilidade, o processo é mantido em sigilo. Mas, de acordo com a diretora de Assistência Social, Mônica Müller, essa ordem já saiu na última terça-feira, dia 28.

Não deu tão certo. Conforme Nelson Timm, do Sine, chegou a ser feito até novo recolhimento no dia da ordem, mas, ontem, 29, o homem já estava de volta. Tenta-se, agora, uma outra alternativa de local que possa abrigar o indivíduo. Mônica conta que o caso tem caráter de urgência.

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