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ANCESTRALIDADE. Religião é cultuada na cidade e ainda luta contra o preconceito

“Levando ao mundo inteiro, a bandeira de Oxalá”, é uma das partes do Hino da Umbanda, religião brasileira que surgiu entre os séculos XIX e XX. A data é em alusão ao primeiro terreiro construído pelo médium Zélio de Moraes, em 15 de novembro de 1908. Em Montenegro, são cerca de 48 casas que se autodenominam praticantes da religião. Na luta contra a intolerância religiosa e ajudando no fortalecimento das redes de terreiros, o Conselho Municipal dos Povos de Terreiros foi criado em 2014.

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“Importante lembrar esta data, pois vivemos em um país Laico, que permite a liberdade de culto, muitas vezes oprimida pelo preconceito”, diz pai Jaime de Oxalá, do Ile Agbara Oya Ati Oxalá, presidente do Conselho. A falta de estudo sobre o assunto é um dos fatores que levam muitas pessoas a terem uma visão deturpada. “No que me refiro às pessoas, falo isso por não ver nenhuma religião como errada, existem pessoas que praticam de forma errada”, afirma.

Para a mãe Miriam de Oyá Nike, do Reino de Iansã e Oxossi, vice-presidente do Conselho, “a Umbanda prega através do autoconhecimento a verdadeira cura do ser humano”. A dirigente religiosa comenta sobre a importância de um dia para despertar a consciência sobre a religião. “Muitos terreiros ainda se denominam ‘espíritas’ por medo da intolerância”, explica. Como umbandista, ela comenta que “Todo dia é dia de praticar a Umbanda”.

O Conselho tem como papeis a luta contra a discriminação, o desenvolvimento de ações, pensar em medidas e políticas públicas voltadas para a comunidade de terreiros de Montenegro. Na página do Facebook, Conselho de Povos de Terreiros de Montenegro, pessoas e terreiros que sofreram algum tipo de intolerância religiosa podem entrar em contato para ter apoio no enfretamento desses casos.

O papel de Zélio de Moraes
A Umbanda teve como forte influência as práticas religiosas das senzalas, feitas pelos escravos. Em 1908, Zélio de Moraes foi levado por motivos de saúde a um centro kardecista. No local, ele recebeu o espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas. O dirigente do local considerou o espírito “atrasado”. No dia posterior, o Caboclo voltou na casa de Zélio, e disse às pessoas que se reuniam ali, que fundaria uma nova religião, baseada nos valores cristãos da caridade e do amor ao próximo: E assim surgiu a Umbanda.

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