Na localidade de Bom Jardim, estrutura para comportar caixa d’água construída pela prefeitura não pode ser utilizada por problemas na estrutura

Bom Jardim, Costa da Serra, Faxinal e Muda Boi são localidades que enfrentam o problema

A falta de água tem sido um problema constante em algumas comunidades do interior de Montenegro. Bom Jardim, Costa da Serra, Faxinal e Muda Boi são algumas das localidades atingidas pelo problema. Quase todas essas regiões têm em comum a gestão da água feita por associações comunitárias.

Com um valor cobrado por metro cúbico de água bem menor do que a Corsan, as associações comunitárias têm enfrentado dificuldades para manter o abastecimento hídrico. Sem capacidade de investimento elas acabam tendo que recorrer ao Executivo Municipal, que também enfrenta obstáculos para ajudar as associações por serem considerados entes privados. Além disso, há a demora causada pela burocracia imposta aos órgãos públicos.

Poço perfurado no Faxinal não apresentou vazão suficiente impossibilitando captação de água. foto Pixabay

Estrutura para a caixa d’água é o problema em Bom Jardim
Na localidade de Bom Jardim existem dois poços, mas somente um está em funcionamento atualmente. O segundo poço, que seria a solução para a falta de água, já está instalado e pode funcionar, mas necessita de uma estrutura para alocar uma caixa d’água de 20 mil litros. É essa estrutura que dará o nível necessário para atender a vazão da água na rede.
A Prefeitura, ainda na gestão passada, iniciou a construção da estrutura. No entanto, segundo a presidente da associação comunitária de Bom Jardim, Noemi Silveira da Motta, neste ano, após estar quase concluída, a obra foi condenada e não poderá mais ser utilizada.

“O poço foi furado através do Governo do Estado pela Corsan, a associação colocou a bomba fez o encanamento, fizemos tudo e não podemos usar por conta disso”, relata Noemi. Ela questiona o fato de a Prefeitura não ter percebido o problema na estrutura ainda durante o andamento da obra: “por que o engenheiro não viu isso antes? Viram só agora depois que está pronto”.

Segundo Noemi, o problema de falta de água na localidade teve início em setembro de 2020, quando o poço em funcionamento começou a apresentar falta de água. “O outro poço tem pouca água e já andou secando, nós ficamos 11 dias aqui sem água no ano passado”.

Sem recursos para reconstruir a estrutura a associação comunitária aguarda uma solução por parte do Executivo Municipal. De acordo com o Secretário de Desenvolvimento Rural de Montenegro, Ernesto Kasper, houve falha no acompanhamento do serviço por parte da Administração Municipal na gestão anterior, o que ocasionou o problema na estrutura que deveria comportar a caixa d’água. Ainda, segundo Kasper, os problemas estruturais estão sendo analisados por um engenheiro da Prefeitura e uma possível solução está em construção. A obra foi realizada por um pedreiro da Prefeitura com a ajuda de apenados.

Poço perfurado em Muda Boi aguarda instalação de rede trifásica para ser colocado em funcionamento


Costa da Serra precisa de ampliação na rede

Na localidade de Costa da Serra, as cerca de 90 casas abastecidas pela associação comunitária não sofrem com problema de falta de água. No entanto, segundo o presidente da Associação Comunitária, Cezar Franke, existem regiões que estão desabastecidas porque não há como fazer a ampliação da rede. “Tem um número bem grande de pessoas que não é possível atender. Os que já estão abastecidos não tem problema, o que necessita aqui é uma ampliação de rede”, explica.

Na localidade não há um poço artesiano e a água é retirada de uma nascente para abastecer as residências. Para fazer a ampliação da rede seria necessário a perfuração de um poço e a ligação da linha até as casas, um investimento que a associação comunitária não tem recursos para fazer. Por isso, a solução é buscar a perfuração do poço através do programa de perfuração de poços do Governo do Estado.

Sem abastecimento, Faxinal usa água imprópria ao consumo
Na localidade de Morro do Barreto, no Faxinal, o problema da água é ainda maior. Um poço chegou a ser perfurado através do programa de perfuração de poços do Governo do Estado, mas não apresentou vazão suficiente e foi condenado. As casas que possuem água na localidade são abastecidas por poços privados que, na sua maioria, têm água sem condições de consumo. A comunidade busca agora uma solução que está sendo tratada com a Prefeitura.

De acordo com o secretário Ernesto Kasper, existe a possibilidade de a Corsan levar o abastecimento até as moradias, mas seria cobrada uma taxa referente ao serviço. “Tudo depende da organização da comunidade, pois havendo a necessidade, a Prefeitura pode dar apoio, assim também a Corsan”, afirma Kasper.

Segundo poço em Muda Boi

Em Muda Boi a situação também continua indefinida. O único poço em uso não dá conta da demanda da comunidade. Um segundo poço que já foi perfurado seria a solução para a falta de água na localidade, mas depende da instalação de uma rede trifásica, encanamento para fazer a ligação até o reservatório e uma bomba de água.

A instalação da rede trifásica já foi solicitada pela associação comunitária de Muda Boi e deve ser realizada nas próximas semanas. Com isso, faltará a instalação da bomba e do encanamento para fazer a ligação com a caixa d’água. No entanto, ainda não foi definido quem arcará com os custos para colocar o poço em funcionamento.

Desperdício deve ser combatido

Segundo o engenheiro responsável pela operação da Corsan em Montenegro, Ângelo Marcelo Faro, um dos fatores que podem estar contribuindo para a falta de água no interior é o desperdício. “O que acontece nessas comunidades é que é muito mais barato a água. Eles não pagam mais que 1,50 o metro cúbico, e aí acaba acontecendo o desperdício”.

A solução do problema, segundo o engenheiro, passa pelo uso consciente da água e a redução do desperdício causado por vazamentos e uso irregular. Como as localidades são abastecidas por poços artesianos, e no caso da Costa da Serra por uma nascente, também há o fator de o recurso ser finito. “Tirar água de um poço artesiano eu comparo com doação de sangue, tu não pode tirar todo o sangue do teu corpo”, explica o engenheiro da Corsan.
Segundo Faro, todo o poço tem um limite de horas por dia para retirada de água. Quando acontece o uso excessivo do recurso, ele acaba não dando conta e pode inclusive acabar secando. É o que está acontecendo nas localidades de Muda Boi e Bom Jardim, onde um único poço não dá conta da demanda, que aumentou agora no período do verão.
Para o Secretário de Desenvolvimento Rural de Montenegro, Ernesto Kasper, deve haver um planejamento por parte das associações no caso de expansão de redes para evitar a sobrecarga no sistema de abastecimento. “Tem que ter uma organização da associação com gestão e com controle, eles tem que se qualificar e buscar orientação”, destaca o secretário.

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