Falta de limpeza na rua Osvaldo Aranha gera reclamações de moradores

Descaso. Em meio ao mato, constante enxurradas e lixo, moradores da localidade esperam uma ação da Prefeitura

moradores relatam que a falta de cuidado do terreno da empresa JBS se tornou área para descarte de lixo

Embora os moradores da rua Osvaldo Aranha tenham se empenhado para reivindicar melhorias para a localidade, os esforços parecem não ser o suficiente. Além da preocupação com os alagamentos em dias de chuva, a população ainda enfrenta o mato alto e pilhas de lixo acumulado, problemas que, somados, compõem o cartão de visita de uma das principais vias de acesso a Montenegro.

O sentimento de insegurança e revolta tornou-se frequente para quem vive nessa região do município. A costureira Rosa Souza, 47, residente do local há 28 anos, conta que hoje um dos maiores desafios para ela e sua família é conviver com a omissão do poder público, principalmente quanto a inundações.

“Em dias de chuva é assustador, pois ninguém dorme com medo da água entrar em casa e destruir as coisas que lutamos tanto para conseguir. É triste o cidadão pagar absurdos de impostos e não ter o direito de morar tranquilamente, dentro daquilo que construiu à base de muito sacrifício”, lamenta Rosa.

A rua Osvaldo Aranha em dias de chuvas mais intensas

A costureira acredita que todo esse transtorno começou quando foi construído o asfalto e instaladas as tubulações. “Antigamente tinha uma sanga aqui onde tem o asfalto e a água passava sem problema, o que não acontece hoje, pois a água transborda e invade a rua e as residências”, afirma Rosa.

 

Diante da situação, alguns moradores improvisam barreiras de tijolos na frente das casas e outros preferem aterrar para impedir a invasão da água. O açougueiro Vanderlei Merlo, 43, explica, porém, que essa medida resolve a situação somente a curto prazo. “Antigamente a minha casa era a mais alta, mas com o tempo todo mundo foi aterrando suas áreas e hoje nosso terreno é um dos mais baixos da rua e mais prejudicados”, destaca. “Quem tem condição vai se virando como pode, já quem não tem, resta apenas esperar pela administração municipal”, disse.

Para ele, a grande quantidade de tributos pagos diariamente pela população não seria problema, caso esse valor retornasse em melhorias nos serviços oferecidos para os contribuintes. Ele conta que investiu em melhorias no porão da residência, mas não pode morar nele devido às enxurradas. “Mesmo sem ninguém podendo ocupar o local, o IPTU (O Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU) está sendo cobrado e assim, seguimos nossas vidas nessas condições lamentáveis”, relata o açougueiro.

Prefeitura promete limpar rede de canos ainda este ano

alagamento da rua Osvaldo Aranha é problema constante

De acordo com o pintor de automóveis Isaac Lima, 52, a causa dos alagamentos também tem relação com a falta consciência ambiental da comunidade. Enquanto a reportagem do Ibiá estava no local, o condutor de um carro jogou duas sacolas de lixo em uma pilha de entulho formada na margem da Osvaldo Aranha. “Falta um trabalho de revitalização aqui e manutenção desse terreno da empresa JBS, já que a área parece abandonada e virou área para descarte de resíduos”, relata Lima, destacando a necessidade de um melhor sistema de canalização.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Rafael de Almeida, explica que a limpeza das tubulações somente poderá ser feita após o desassoreamento da sanga, serviço que está licenciado e com programação a ser definida.

“Tendo em vista a vinda de verba federal para realização do serviço, não é possível fazer a limpeza agora, pois a tubulação está totalmente entupida em seu final. Dessa forma, estamos tentando evitar o desperdício de dinheiro público ao realizar uma limpeza somente na parte inicial dos canos, o que não resolveria o problema”, justiça o secretário.

Rafael acrescenta que existe um trabalho interno da Secretaria de Meio Ambiente e de Viação e Serviços Urbanos para o desassoreamento do curso hídrico e das tubulações de esgoto. Segundo ele, o processo tem previsão para ser executado ainda esse ano, o que vai favorecer o escoamento mais rápido da água pluvial, minimizando os alagamentos. “Esperamos a colaboração de todos os cidadãos para que se evite o descarte de resíduos nas vias públicas ou em cursos hídricos, evitando assim, esses transtornos”, ressalta o secretário.

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