Longas filas são realidade em frente ao Sine. Elas juntam gente, não só buscando o documento, mas também empregos e encaminhamento do seguro-desemprego. Para o acesso ao Posto e as dez fichas existentes, o movimento é maior no início das semanas

AINDA! Posto está com atendimento limitado a apenas dez fichas por turno

Para fazer a carteira de identidade em Montenegro, o cidadão precisa madrugar. Por volta das 7h da manhã, tem que estar em frente a agência do Sine, garantindo lugar na fila, em pé, até a abertura do prédio, às 8h. Tudo para garantir uma, das apenas dez fichas disponíveis no turno para o serviço. A segunda opção é ir à tarde, às 13h. Ali, a escolha acaba sendo entre almoçar antes do trabalho ou ir fazer o documento. Até parece coisa do passado, mas é o que acontece em pleno 2019.

O agendamento pela internet ainda não funciona. Isso porquê, para o governo do estado, nosso Posto de Identificação ainda não foi homologado. Após ter ficado fechado por oito meses, o serviço voltou a ser oferecido em abril, dependendo de um acordo firmado entre Prefeitura e Estado. Cada um faria a cessão de um estagiário para realizar os atendimentos ao Público. Mas o Município não cumpriu sua parte.

Até chegaram a trabalhar os dois profissionais nos primeiros meses – embora o de parte da Prefeitura não estivesse oficialmente contratado – e as emissões apresentavam bom fluxo. A pessoa só chegava durante o dia e era atendida por um dos membros da dupla. A média era de 500 carteiras de identidade por mês, com potencial de ser ainda melhor, conforme os funcionários iam pegando o jeito do funcionamento do Posto.

Não chegou lá. Em setembro, o estagiário “não contratado” recebeu uma oferta de trabalho e deixou o serviço. Teve início o limitado sistema de fichas e todos os transtornos que vem com ele.

Com a procura aumentando, o responsável pelo Posto,  Josué Luis Kuhn, lamenta a situação. Só com uma estagiária, o atendimento à comunidade é prejudicado; e qualquer pendência com documentos, demandas da coordenadoria, de Porto Alegre, ou falhas de sistemas ou de máquina prejudicam o serviço ainda mais.

Risco, agora, é a perda de uma das estações
A reportagem contatou a Prefeitura sobre a situação pela primeira vez em 15 de agosto. Sem um posicionamento oficial recebido, nova tentativa de contato foi feita em 6 de novembro. A resposta veio nesta terça-feira, 19, sem grandes detalhes.

“Está tramitando um processo solicitando a inclusão de um estagiário no convênio já existente entre Prefeitura de Montenegro e o Consepro. Nesse processo será analisada a disponibilidade para cedência do estagiário.” Foi questionado se o Município teria algum prazo ou posicionamento do porquê este processo não ter andado desde abril, oito meses depois. Não houve resposta.

E pode ficar ainda pior caso o atraso continue. Responsável pelo Posto de Identificação, Josué Luis Kuhn conta que já se fala em retirar uma das estações de Montenegro – a máquina onde trabalhava o segundo estagiário e que, hoje, “quebra o galho” quando o equipamento principal apresenta alguma falha. Ela seria destinada para o serviço em Gravataí. Pela situação financeira do Estado, Kuhn avalia que, se a estação ir embora, dificilmente volta. A expectativa é que a situação do segundo estagiário possa ser resolvida antes disso.

Deixe seu comentário