Segundo pesquisa norte-americana, uma a cada quatro mortes de cães é causada por câncer. Existem várias forma de prevenir e tratar a doença. FOTO: Reprodução/Internet

Veterinário cita câncer de pele e de mama, dentre outros, como os mais incidentes nos animais de estimação

É inegável que o câncer é uma das principais preocupações da humanidade, hoje, quando se fala em saúde. E a doença não é exclusiva dos seres humanos. Os “amigos de quatro patas” também sofrem deste mal. Uma pesquisa norte-americana aponta que o câncer é responsável por uma a cada quatro mortes de cães nos Estados Unidos. Mesmo não havendo estudo parecido no Brasil, os profissionais da veterinária afirmam que, aqui, a realidade não é diferente.

O veterinário Raphael Zamboni atende semanalmente diversos casos

Raphael Zamboni, veterinário com clínica em Montenegro, aponta seis cânceres como os mais comuns na incidência em cães e gatos: Câncer de pele, câncer de mama, câncer de ossos, tumores malignos de cabeça e no pescoço, linfoma e tumor testicular. Onde trabalha, ele conta, vários casos do tipo são atendidos semanalmente. O profissional aponta que, especificamente entre os cachorros, um a cada três desenvolve câncer. Metade deles morrem vítimas da doença.

Sejam cães ou gatos, não há idade específica para incidência. Embora seja mais comum a doença em animais de idade mais avançada, o câncer pode aparecer em qualquer parte da vida do pet.  “É preciso estar atento aos sinais nos pets. Funciona da mesma forma como nos humanos. Quanto mais cedo descobrir o tumor, maiores são as chances de curá-lo”, coloca Raphael. O câncer pode se desenvolver por predisposição genética ou por contato com elementos que o desencadeiam.

O de pele, por exemplo, pode surgir da exposição excessiva do animal ao sol e deve ser evitado com um maior controle. O veterinário destaca, no entanto, que, hoje, a administração de hormônios nos animais é a principal causa da doença. É preciso atenção. “Atendemos diariamente a casos de câncer em animais, principalmente pelo ato errado de seus proprietários ainda utilizarem hormônios para inibir o cio em cadelas e gatas. Como uma injeção dessas numa agropecuária custa, em média, R$ 4,00, o baixo valor leva as pessoas a encurtarem a vida dos pets, além de lhes causarem sofrimento com o desenvolvimento dos tumores”, alerta.

Raphael aponta que é preciso observar qualquer mudança de comportamento. “Caso o câncer seja detectado em estágio inicial, o animal pode ter uma vida longa, com excelente qualidade, podendo até mesmo chegar na cura”, diz. Ele orienta que, além de evitar a administração de hormônios sem acompanhamento profissional, o dono deve cuidar da alimentação do pet; oferecer-lhe conforto, com um lugar limpo, com piso adequado, abrigo e água potável; e lhe proporcionar um local onde ele possa se exercitar com espaço adequado à espécie e ao tamanho.

Alguns cânceres que podem aparecer nos pets
Câncer de mama – Assim como nos humanos, o câncer de mama é o tipo que mais atinge cães e gatos. De fácil ocorrência, esse tumor também é facilmente identificado. É caracterizado por nódulos (espécie de caroço rígido) nas glândulas mamárias. Após os 6 anos de idade do animal, aumentam as chances de sua ocorrência. A dica é sempre examinar as glândulas mamárias dos pets. Castrar o animal nas primeiras semanas de vida reduz quase totalmente a probabilidade deste câncer. Em gatas, 95% dos tumores na mama são malignos; nas cadelas, o percentual é de 50%. Mesmo benigno, no entanto, existe chance de ele se transformar em maligno. A remoção cirúrgica, por isso, é o procedimento ideal.

Câncer de pele – Segundo lugar no ranking dos tumores em pets, o câncer de pele é comum em cães com mais de 8 anos de idade e em gatos de pelagem branca, em qualquer idade. Algumas raças de cães têm predisposição genética a este tipo de tumor, como pitbulls e weimaraners. Também pode ser prevenido. Para evitá-lo, a recomendação é passar filtro solar embaixo do focinho e dos olhos e evitar a exposição excessiva do pet ao sol, principalmente em animais com predisposição genética. Para identificá-lo, o proprietário deve ficar atento a manchas, nódulos e feridas na pele do animal.

LINFOMA – É o tumor que se desenvolve nos gânglios (elementos distribuídos ao longo do corpo, parte do sistema linfático) de cães e, principalmente, de gatos. Pesquisas indicam que a sua incidência é maior em animais de áreas urbanas do que em animais de áreas rurais. Sua identificação é feita observando o inchaço na região lateral da garganta dos cães e gatos (assemelha-se à caxumba, doença comum em humanos).

TUMOR VENÉREO TRANSMISSÍVEL – O “TVT” ou Tumor de Sticker é presente em cães de hábitos promíscuos, ou seja, cães de rua ou os que copulam pelas grades dos pátios com cães de rua. Ele acomete, geralmente, os órgãos genitais, mas pode ocorrer também no focinho e na boca, por causa do hábito dos cães de cheirar e lamber a vulva ou o pênis de outros cães ou os seus próprios. A chance de cura é alta, apenas com quimioterapia. Nos casos em que o tumor está em um estágio muito avançado, pode ser necessária a realização de cirurgia associada à quimioterapia.

Câncer de próstata – É uma doença que assusta muito os homens, apesar de ter tratamento e cura. O que muitos não imaginam é que ela atinge também os animais, inclusive cachorros. Apesar de não ser tão comum, é mortal. Atinge cerca de 4% dos cães com mais de sete anos. Dentre os sintomas, está a dificuldade em defecar ou urinar; o animal fica gotejando urina, com possibilidade de sangue; o movimento de locomoção fica limitado; há emagrecimento por diminuição de apetite. Alguns exames podem identificar a doença. Há tratamento para minimizar os sintomas e, dependendo do caso, é feita a remoção da próstata.

Aplica-se quimioterapia em animais? Veterinário explica

foto: Reprodução/Internet

O veterinário Raphael Zamboni explica que a quimioterapia é, sim, uma opção no tratamento do câncer. Mas não para todos. “Isso vai variar de animal para animal, do tipo de câncer e do que os donos decidirem”, aponta. Emprega-se a quimioterapia nos tumores que afetam a maior parte do corpo do pet, como os que atacam o sistema linfático, por exemplo.

Nos cânceres que se espalham com facilidade para todas as partes do corpo, primeiro costuma-se operar o tumor e, segundo, administra-se a quimioterapia. Em tumores muito grandes, quando a cirurgia não se torna opção por causa do tamanho, o método também pode ser aplicado para a diminuição ou cessão do crescimento.

A quimioterapia não é recomendada, de acordo com o profissional, para os casos em que o câncer apresente quadro de metástase e que esteja afetando órgãos vitais. Nessa situação, o procedimento apenas debilitaria ainda mais a saúde do animal.

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