Para desviar do buraco, muitos veículos acabam tendo que invadir a pista contrária. O risco de acidentes é grande

Solavanco faz tremer a ponte e balança as residências vizinhas, que já estão rachando

A buraqueira generalizada em ruas e estradas pela cidade já é uma triste realidade para muitos montenegrinos. Mas para os moradores que vivem próximos à ponte seca da RSC-287, na divisa entre os bairros Centenário e Faxinal, a dor de cabeça é ainda maior.

“De domingo a ontem, a gente está sem dormir”, confidenciou a cabeleireira Rosane Menges, que vive e tem seu salão logo abaixo da ponte. “Isso ainda vai dar uma tragédia”.

É que na rodovia estadual, um buraco ocupa toda a pista no sentido Centro x Parque Centenário, logo no acesso à ponte. O trecho já é um estreitamento de via e obriga os motoristas a realizarem freadas bruscas ou a invadir a pista contrária para desviarem da cratera. É um risco duplo de acidentes.

O chão treme

Além da questão do trânsito, o problema traz outra consequência que afeta diretamente os moradores das proximidades. Caminhões e carretas de grande porte, quando passam pelo buraco, dão um forte “soco” na pista. O impacto balança a ponte e, pior, faz tremer as residências vizinhas.

“A casa sacode toda. Tá todo mundo apavorado”, conta o empresário Eduardo Machado, que tem um armazém na rua paralela à 287. “Lá em cima, no segundo andar, então. Tu tá dormindo e a casa fica fazendo assim”, completa, ilustrando com as mãos o balançar da edificação. A residência dele já apresenta rachaduras devido ao movimento.

Mesmo quem mora longe, perto do Parque, sente os tremores. Conforme Rosane, o trecho da rodovia sofre com os buracos há anos, mas, quando a responsabilidade pela via era do Daer, eles faziam a correção. “Dava uns quinze dias e voltava o buraco de novo com as chuvas, mas, pelo menos, tapavam”, recorda. “Agora tá há quinze dias assim, depois da última chuvarada.” Foi quando os tremores se intensificaram.

Maria Luisa mostra as rachaduras que surgiram nas paredes do armazém da família

Filha de Eduardo, Maria Luisa tomou a frente para buscar soluções. O primeiro contato com a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), que é a atual responsável pela 287, foi feito na terça-feira passada, dia 28. “Aí pediram para mandar por e-mail. Eu mandei na quarta e aí ontem (dia 3), eu mandei outro”, conta. “Passei também para a Defesa Civil e Polícia Rodoviária. Todos dizem já saber do problema e que é uma coisa antiga e que nunca foi arrumada.” As rachaduras na parede lembram o temor dos moradores de que suas casas acabem vindo abaixo.

Estreitamento da pista já era um risco da 287, mesmo sem o buraco

O que diz a EGR
Contatada pela reportagem, a EGR informou que o pavimento na cabeceira da ponte “deve passar por reparos nos próximos dias”. A empresa também respondeu sobre a questão estrutural do trecho, pelo movimento sentido com a passagem de veículos pesados. Disse que “um contrato específico para vistoria de pontes deverá ser assinado em breve, após a conclusão do processo licitatório. Com isso, será possível verificar a situação e apontar soluções”. Não foram dados prazos.

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