Com a mesma profissão do pai, Anderson já trabalhou com diversos tipos de solda

Aventureiro. Anderson já conheceu muitos lugares e pessoas em suas andanças

Quem passa pela rua Capitão Cruz, no Centro de Montenegro, próximo ao ponto de táxi, encontra um homem em situação de rua. Anderson da Silva Alves, 48, chamado de Anderson Silva por aqui, é natural de Alvorada. Ele conta que já viajou por 14 estados brasileiros. “Não há lugar que eu não tenha dormido”.

O episódio mais recente marcante na vida de Anderson foi sua vinda de São Leopoldo para Montenegro, em 2017. Feita toda caminhando, a viagem demorou cerca de três dias. “Vim porque queria reencontrar meus filhos. Dormi em paradas de ônibus durante os dias”, diz. Isso porque durante 17 anos, Anderson teve família constituída no bairro Aeroclube, onde teve dois filhos meninos.

Soldador por formação e ajudante de obras, o homem relembra quando auxiliou o sogro nas obras da rodoviária da cidade. “Quando vou tomar banho lá (rodoviária) eu olho os azulejos e lembro que eu coloquei muitos deles”, relembra. Anderson comenta sobre o calçamento em frente à Viação Montenegro, feito com seu auxilio também. Filho de José Vicente Alves, soldador, ele conta que o pai custeou no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) seu curso, pois queria que ele seguisse essa profissão. “Eu sei utilizar todos os tipos de solda”, comenta.

O soldador ainda não restabeleceu o contato com os filhos. A separação com a primeira esposa resultou no desconhecimento do filho mais novo. “Acabamos não dando mais certo, daí fui para Londrina”, conta.

No Paraná, Anderson teve mais um relacionamento de cinco anos, entretanto, resolveu mudar de vida novamente, se mudando para Florianópolis. Em todas essas viagens, o homem comenta que sobreviveu porque aprendeu muitas coisas no Exército, em que serviu por três anos. Foi nesse meio tempo que os problemas com alcoolismo começaram e duram até hoje.

Nesses três anos no Vale do Caí, Anderson já morou no Retiro Comunitário de Reabilitação Ocupacional (Recreo), trabalhou como chacareiro em Capela de Santana e, por último, esteve em uma chácara em Bom Jardim, interior de Montenegro, mas acabou não ficando por não ter um salário. “O dono queria só me dar alimentação”, comenta. Durante todas as suas andanças, Anderson diz não haver arrependimentos, pois conheceu diferentes lugares e pessoas. “Acho que por eu ter um pouco de estudo, eu sei me comunicar com as pessoas, por isso me dou bem com todos”, diz. Alves gosta de deixar claro que é um homem honesto e “limpo”, tendo um ótimo relacionamento com a polícia.

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