Com as grades de proteção no chão, além de local de depósito de lixo, o local é frequentado por estranhos durante noite, diz moradores

Descaso. Sem prazo para finalização da obra, moradores terão que esperar mais tempo pela entrega da escola

Diariamente, quem passa próximo à obra inacabada da Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Centenário compartilha um sentimento em comum com os moradores: indignação. Na frente da construção, uma enorme placa informativa sobre a obra expõe o longo período de espera da comunidade que já se prolonga por dois anos, conforme a data de entrega prevista para entrega, que deveria ser em março de 2017.

Anunciada pela Administração Municipal em agosto de 2016, a obra tem um investimento total de R$ 1.403.607,20 de verba pública. Iniciada em setembro do mesmo ano, a expectativa era de 180 dias para conclusão, no entanto, até hoje não foi entregue. Localizada na rua Vereador João Vicente, no bairro Centenário, a estrutura terá seis salas de aula, mais áreas administrativas e de serviços. Por enquanto, somente as paredes do prédio foram erguidas. Para quem precisa de creche, a situação é preocupante, como conta a aposentada Geneci Souza.

“Como a Emei Centenário ainda não está pronta, minha neta estuda no bairro Panorama e todo dia corremos risco ao atravessar a faixa. Às vezes, quando não estou muito bem por conta da idade, ela acaba faltando, pois não tenho condições de me deslocar toda essa distância e acabamos pagando o preço desse descaso”, desabafa a aposentada, que mora em frente da futura escola. “Tem muita gente pobre que precisa da creche para deixar os filhos e ir trabalhar, e como essa não está pronta, o jeito é correr atrás de vagas em outros lugares”, completa Geneci.

Com data de entrega prevista para março de 2017, moradores questionam o uso do dinheiro público e cobram por mais eficiência

Aos poucos, o mato do terreno invade a construção e se mistura aos restos de materiais deixados na obra. Em meio ao cenário de abandono, outro problema surge. No lado de fora da tela de proteção já caída, o acúmulo de resíduos é cada vez maior. “Como aqui na rua não tem container, as pessoas estão aproveitando a situação para jogar lixo doméstico e até restos de outras obras no local, e isso é lamentável”, dispara a também aposentada Vanete Giovanella, destacando a importância da população em colaborar com os espaços coletivos.

Na área de construção da obra, a sujeira cobre gradativamente os móveis e eletrodomésticos que permanecem no local. “É uma vergonha olhar para tudo isso se deteriorando e saber que é dinheiro público jogado fora”, disse Vanete. “Todos os dias nos perguntamos quando é que essa construção será concluída e, finalmente, ser entregue à população.”

Obra não tem prazo para acabar
De acordo com a fiscal de obra da Emei Centenário, a arquiteta Karina Daudt da Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP), a construção já estava em andamento mais lento em função dos trâmites para execução e pagamento por parte do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). “O Ministério somente repassa os valores ao município após comprovada a execução de mais do que última parcela liberada, fazendo com que a empresa executora sempre trabalhe com recursos próprios, à frente do seu pagamento”, explica Karina.

“Neste momento há ainda divergências entre o Município e a empresa, em termos de reajuste e reequilíbrio financeiro do contrato, que estão sob análise, por este motivo o ritmo do andamento das obras caiu ainda mais. Tendo em vista as questões relacionadas ao reequilíbrio e reajustes solicitados pela empresa, não é possível precisar o prazo de entrega”, ressalta a arquiteta. Conforme a orientação da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), enquanto a Emei Centenário não é entregue, as crianças do bairro são atendidas pelas creches Gente Miúda e Panorama.

À noite, o problema é outro
Além de espaço de lazer para cavalos de estimação e deposito de resíduos, a obra inacabada da Emei Centenário esconde outro problema para a comunidade. De acordo com moradores do bairro, já foram avistadas pessoas transitando pelo local durante a madrugada. “Temos medo porque ninguém sabe quem são esses indivíduos e se representam perigo para quem mora por aqui”, disse um morador, que prefere anonimato.

“Geralmente, lugares assim são utilizados por marginais para uso de drogas porque qualquer um pode entrar e sair, por isso, é urgente que se tome algum providencia. Infelizmente essa situação é mais comum do que imaginamos e locais que deveriam está a serviço da comunidade expõem o descaso com o dinheiro público no nosso país”, completou o morador.

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