Com o tema Reino Encantado, o casamento teve padrinhos representando as sete cores da bandeira do arco-íris

Casamento LGBT. União de Felipe e Bruno foi realizada através da união de diversos profissionais após campanha

A ação de voluntários possibilitou a celebração do amor na noite do último sábado, 15, em Montenegro. Os professores-artistas Felipe Davi Machado, 27, e Bruno Flores Pradini, 28, celebraram seu casamento com uma festa temática na Casa da Esquina.

Noivos e convidados vestiram-se a caráter, com roupas coloridas, pintura e muito glamour, para viver o momento único na vida do casal, que se conheceu na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) enquanto Bruno cursava Teatro e Felipe, Dança. Ambos moram juntos, mas nunca oficializaram a união. “É importante, para nós, o casamento civil, para que possamos ter os direitos de qualquer casal como, por exemplo: se um de nós for hospitalizado, só quem é da família, ou o cônjuge, pode acompanhar”, explica Felipe.

O tema da celebração foi Reinos Encantados, uma alusão ao direito de se expressar sem medo e, também, uma ligação com o pedido de casamento, feito por Bruno no ano passado. “Na formatura (de Dança) do Felipe, cada pessoa da família tinha que escrever uma homenagem. Deu a coincidência de eu substituir uma pessoa na figuração, me vesti de rei e subi lá. Então aproveitei o momento e acabou que foi um rei pedindo a mão de um príncipe em casamento”, conta Bruno.

Bruno e Felipe se conheceram em um evento da Uergs

A cerimônia foi realizada pela drag queen Onixa e teve performance artística, votos com direito a música ao vivo além, claro, da troca de alianças e uma festa bastante animada. No discurso da celebração, a drag salientou o fato de a sociedade ainda ver relações LGBT com estranheza. “A gente acha mais esquisito duas pessoas se beijando, do que uma pessoa sendo assaltada ou levando um tapa na cara no meio da rua”. Dentro da proposta da cerimônia, sete casais de padrinhos representaram as cores do arco-íris, símbolo da luta LGBTQ+.

Uma das voluntárias foi a estilista, organizadora de eventos e colunista de moda Fernanda Isse. “Enquanto profissional da área de eventos, amiga e ser humano, eu acredito em várias formas de amor. E acredito que nós devemos estar unidos e envolvidos com as questões da nossa comunidade”

Lau é um dos sócios da CDE e um dos organizadores do casamento

Um dos sócios da Casa da Esquina, Lau Graef conta que a iniciativa tem relação com a proposta de rever o casamento homoafetivo, pela equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro. “Logo depois que o Bolsonaro foi eleito, surgiu uma campanha na internet que dizia ‘faça seu casamento acontecer’, que eram pessoas que ofereciam serviços específicos e queriam ajudar quem quisesse casar esse ano”, afirma. “A gente, como tem esse espaço aqui, resolveu participar dessa campanha”.

Após a postagem no Facebook da casa de festas, mais de 50 profissionais e pessoas não ligadas à organização de eventos se voluntariaram para fazer o sonho de casais LGBTs se tornar realidade.

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