Considerando como ficou a estrutura, é evidente que foi preciso usar a força para realizar o ato. Corrimão já foi para o conserto, mas é mais um percalço no histórico de entraves envolvendo o projeto da Biblioteca

A Prefeitura de Montenegro chegou a registrar boletim de ocorrência sobre um fato que, segundo estima a secretaria de Educação, ocorreu no final de semana do dia 13 de junho. A estrutura de ferro do corrimão de acesso ao prédio da Biblioteca Pública e também do Teatro Roberto Atayde Cardona foi vandalizada. As hastes foram entortadas, assim como os fixadores que prendiam o corrimão ao chão. A polícia investiga o caso.

De acordo com a secretária municipal de Educação, Rita Júlia Carneiro Fleck, o material avariado foi retirado para conserto e deve ser reposto. Não foi divulgado o quanto a “brincadeira” deve custar. O corrimão integra o projeto de reforma da biblioteca, tendo sido colocado há pouco tempo e ainda nem “entregue” à comunidade com a reinauguração do complexo. As tratativas para a obra tiveram início em 2012 e, segundo o Executivo Municipal, estão, enfim, em fase final; mas ainda não há prazo para a volta do acervo.

Devolução do complexo esbarra no PPCI
Depois de muitos entraves e adiamentos, a Administração Municipal já não se arrisca a divulgar prazos para a liberação do complexo da biblioteca e do teatro. Segundo a secretária Rita, a obra está, sim, concluída – faltando, agora, mais o corrimão – mas segue parada no Plano de Prevenção contra Incêndios, o PPCI.

 

“Para liberação do uso, falta a aprovação final do PPCI pelo Corpo de Bombeiros e posterior instalação dos equipamentos de segurança contra incêndios. O PPCI  engloba biblioteca, teatro municipal e Fundarte, considerados prédio único pela legislação”, escreveu Rita, ontem, à reportagem.

Em junho do ano passado, a secretaria de Obras apontava que, com pequenos ajustes faltando na obra, já iniciaria a execução do Plano. Em novembro, porém, o prefeito Kadu Müller deu entrevista dizendo que o processo tinha encontrado entraves como a inexistência das chamadas portas corta-fogo. A secretária de Educação, agora, diz que toda a demora do PPCI deve-se a sua complexidade por envolver dados e análises técnicas dos três espaços públicos no mesmo projeto.

A comunidade segue aguardando. A expectativa por uma biblioteca reformada em Montenegro teve início ainda em 2012, quando a gestão Percival de Oliveira verificou que o prédio da rua Capitão Cruz precisava de adequações. Todos os livros foram, então, primeiramente para um prédio alugado e, logo no ano seguinte, realocados “provisoriamente” para a estrutura do antigo restaurante do Parque Centenário, onde estão até hoje.

De 2012 para 2013, teve troca de prefeito. Paulo Azeredo assumiu a Prefeitura e, nisso, cancelou o contrato com a empresa que reformaria o prédio. Ele pediu um novo projeto e orçou a obra por um valor 64% menor, abrindo edital no início de 2014. Com aquele preço, no entanto, só uma empresa enviou proposta para assumir os trabalhos, mas pedindo o valor um pouco maior. O prefeito não aceitou.

Após readequações de orçamento, um novo edital foi lançado em 2015 e uma empreiteira, enfim, venceu o processo para realizar a reforma. Mas logo depois veio o impeachment, entrou Luis Américo Aldana na Prefeitura e o contrato existente foi rompido. O novo prefeito também quis readequar a reforma e contratou outra empresa. Essa acabou entrando na Justiça ao discordar de algumas regras do contrato, o que trancou a obra da Biblioteca por mais um tempo.

Só em julho de 2016 que os trabalhos foram iniciados, com previsão de entrega, então, para novembro daquele ano. No meio da obra, outras adequações se mostraram necessárias e o ritmo acabou desacelerando até que, alegando dificuldades financeiras, a Prefeitura paralisou por completo a reforma. Só em março de 2017 que ela foi retomada, apenas para ser interrompida logo depois, durante as investigações da Operação Ibiaçá, que denunciava licitações fraudulentas no Município.

Essa investigação culminou no impeachment de Aldana e na entrada de Kadu. Após promover novas análises no projeto, ele recomeçou a obra no fim de 2018. A contratada foi a empreiteira Upper Engenharia, com um investimento de R$ 279 mil de recursos próprios do Município.

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