Brasil goleou a Itália naquela final disputada no dia 21 de junho de 1970. Foto: divulgação Paste Magazine

Equipe comandada por Zagallo brilhou no México com show de Pelé

Neste domingo, 21 de junho de 2020, a conquista do tricampeonato mundial da Seleção Brasileira de futebol completa meio século. Há 50 anos, o time comandado por Zagallo goleava a Itália por 4 a 1 na decisão e se consolidava como uma das grandes seleções de todos os tempos. Melhor jogador da história do futebol e também daquela Copa do Mundo, Pelé protagonizou lances marcantes durante o torneio, como a cabeçada para a “defesa do século” do goleiro inglês Gordon Banks.

Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson, Jairzinho e Rivellino; Pelé e Tostão. Essa foi a escalação do Brasil na final, uma equipe recheada de craques, que comprovou sua qualidade nos gramados mexicanos. Diante dos italianos, Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto marcaram os gols que deram à seleção canarinho o tricampeonato, em um Estádio Azteca lotado, com mais de 107 mil torcedores.

Há 50 anos, Celso Stein, na época com dez anos de idade, vibrava com toda a vizinhança o terceiro título conquistado pelo Brasil na Copa do Mundo. “Eu morava com os pais no interior de Salvador do Sul, em Linha Comprida. Lembro que, naquele dia, praticamente toda a vila foi lá em casa. Meu pai havia comprado um televisor telefunken, preto e branco, claro. Todo mundo teve que caber lá, na sala de estar, na área da frente. Devia ter mais de 30 pessoas assistindo a esse jogo”, recorda.

A Copa do Mundo de 1970 foi a primeira a ser transmitida pela TV, ao vivo, via satélite, e em cores. Mas naquela época, poucas pessoas de Salvador do Sul tinham um aparelho, relembra Celso Stein. “Meu pai era o segundo morador da localidade que tinha televisor, e o outro acompanhava só notícias. Era muita alegria, muita torcida. Algo inédito, porque as outras copas ninguém conseguia assistir, e em 70 era possível”, ressalta.

O futebol mudou – e muito – de 50 anos para cá, tanto é que todos os atletas brasileiros convocados atuavam no País. Stein lamenta que a paixão demonstrada pelos atletas daquela época tenha sido substituída pelas cifras milionárias que envolvem o jogo atualmente. “Naquela Copa (1970), era o Brasil em campo, uma demonstração de patriotismo e de fervor. Não era apenas a seleção, era a pátria. Hoje tudo é dinheiro. Parece que são convocados os jogadores que ganham mais, não necessariamente os melhores. O patrocinador quer ser visto, manda no próprio jogo. Hoje não há mais paixão”, observa.
Com 17 anos na época, o montenegrino Airton Garcia define a equipe treinada por Zagallo como uma das melhores de todos os tempos. “Era uma seleção praticamente imbatível, uma das melhores da história. O Brasil levava muita vantagem no preparo físico naquela época, tinha grandes profissionais”, relembra.

Um dos momentos emblemáticos do torneio para Airton é o drible de Pelé sobre o goleiro uruguaio Mazurkiewicz. “Eu assistia aos jogos da Copa de 70 com a gurizada e com meus pais em um televisor, preto e branco. Aquele lance que o Pelé dribla o goleiro do Uruguai sem tocar na bola me marcou muito”, comenta.

Melhor jogador de todos os tempos, Pelé foi o
craque do tricampeonato conquistado pelo Brasil. Foto: reprodução

Os craques, as seleções e os lances marcantes da Copa de 1970
No México, a 9ª edição da Copa do Mundo reuniu grandes jogadores do futebol mundial. Além dos brasileiros citados acima, também disputaram aquele torneio o peruano Teófilo Cubillas, o uruguaio Mazurkiewicz, os alemães Sepp Maier, Gerd Müller, Karl-Heinz Schnellinger e Franz Beckenbauer, os italianos Roberto Rosato, Sandro Mazzola e Luigi Riva, os ingleses Gordon Banks, Martin Peters e Bobby Charlton, entre outros.

O Mundial de 1970 contou com a participação de 16 seleções, sendo nove da Europa (Alemanha Ocidental, Itália, Bélgica União Soviética, Suécia, Inglaterra, Romênia, Bulgária e Tchecoslováquia), cinco das Américas (México, Brasil, Uruguai, Peru e El Salvador), uma da Ásia (Israel) e uma da África (Marrocos). Primeira tricampeã mundial, a Seleção Brasileira venceu todas as seis partidas que disputou na competição e marcou 19 gols na campanha – média superior a três gols por jogo.

Eleito pela Fifa o craque da competição, Pelé marcou quatro gols naquela Copa do Mundo, mas poderia ter feito pelo menos outros três. Além do cabeceio defendido de forma espetacular pelo inglês Gordon Banks, o maior jogador de todos os tempos teve outros lances inesquecíveis naquele torneio. No jogo de estreia contra a Tchecoslováquia, Pelé por pouco não marcou um gol de antes do meio-campo, no lance que ficou conhecido como “o gol que Pelé não fez”. E na partida contra o Uruguai, o craque brasileiro deu um drible de corpo sem tocar na bola sobre o goleiro Mazurkiewicz e finalizou, mas a bola foi, caprichosamente, para fora.

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