Colorado não terá Leandro Damião no próximo ano, mas elenco deve ser reforçado em praticamente todas as posições, exceto goleiro. Fotos: Ricardo Duarte / divulgação Inter

Leonardo Freitas é um dos representantes do movimento “O Povo do Clube”

A temporada 2018 começou sob desconfiança para muitos colorados, e não era para menos. O clube voltava da Série B sem o título da competição e não mostrava evolução dentro das quatro linhas. A eliminação para o grande rival nas quartas de final do Gauchão e a queda precoce na Copa do Brasil deixaram o técnico Odair Hellmann na corda bamba. Foi aí que o time cresceu, tornou-se praticamente imbatível no Beira-Rio e encerrou o Brasileirão na terceira posição.

Os torcedores consideram o ano positivo, mas cientes de que há muito para melhorar. No último sábado, ocorreram as eleições do clube, que definiram o Conselho de Gestão e o Conselho Deliberativo para o próximo biênio. Presidente nos últimos dois anos, Marcelo Medeiros foi reeleito. Integrante do movimento “O Povo do Clube”, o montenegrino Leonardo Freitas é um dos novos conselheiros. Ele assume o cargo em janeiro de 2019.

Leonardo será conselheiro do clube pela primeira vez. Ele entrou no movimento em agosto do ano passado, mas já apoiava as ideias do Povo do Clube desde 2013, quando conheceu o grupo. “O movimento nasceu em 2012, com o intuito de lutar contra a elitização do futebol. Naquele momento, estávamos lidando com a reforma do Beira-Rio. O clube ia caminhar para um processo de elitização do estádio, com preços altos. Ia ficar bem ruim para pessoas de menor poder aquisitivo poder participar da história do inter”, comenta.

Leonardo Freitas será conselheiro do Inter a partir de janeiro de 2019. Foto: arquivo pessoal

O grande objetivo do movimento é aproximar as pessoas de baixa renda do clube. Para isso, várias ações são pensadas entre os integrantes do grupo e colocadas em pauta nas reuniões do Conselho Deliberativo. “Nesses seis anos de luta, o movimento conseguiu colocar os primeiros 15 conselheiros em 2014. Nos últimos dois anos, conseguimos, com muita luta e esforço, batendo de frente com muitos que não queriam, fazer com que a gestão baixasse o preço dos ingressos para os sócios”, frisa.

Outros projetos encabeçados pelo “O Povo do Clube” são o espaço sem cadeiras no estádio e a modalidade de sócio Academia do Povo. “O setor sem cadeira é uma luta do movimento desde 2012. O projeto da Academia do Povo, para pessoas de baixa renda, foi apresentado para todas as gestões até agora, a atual levou para o conselho, foi votado e aprovado. E como fiscalização, conseguimos pressionar para que houvesse punição às pessoas da gestão Píffero (2015 e 2016)”, ressalta Leonardo.

No Conselho Deliberativo, as pessoas tratam mais sobre assuntos gerais do clube do que propriamente do futebol (elenco, contratações, dispensas). “São abordadas as questões do quadro social, aprovação de orçamento, de balanço e alteração de estatuto. Não temos muito acesso ao futebol, mas precisamos mudar isso. Como clube, o Inter ainda precisa melhorar a transparência”, enfatiza.

Aproveitamento da base e criatividade para reforçar o grupo
O conselheiro eleito acredita que o balanço de 2018 é positivo. Para Leonardo, um dos motivos para o crescimento do Inter na temporada foi a chegada do diretor executivo Rodrigo Caetano. “A maioria maciça da torcida acreditava que o Inter teria um ano de muitas dificuldades. Mesmo tendo um primeiro semestre complicado, a direção bancou o Odair e, principalmente, fez uma mudança importante no departamento de futebol, trazendo o Caetano. Em pouco tempo, ele conseguiu mudar um pouco da mentalidade do clube”, ressalta.

Após as eleições, a direção agora trabalha na montagem do grupo para 2019, ano em que o Inter voltará a disputar a Libertadores. O técnico Odair Hellmann renovou por mais um ano. Em contrapartida, Leandro Damião não teve seu contrato prorrogado e deixará o clube. O peruano Paolo Guerrero será liberado para jogar em abril e é um dos grandes reforços para a temporada. “Podemos ter um ano bom, vejo que há um planejamento. Entre erros e acertos que tiveram nos últimos dois anos, a gente percebe que o clube evoluiu”, analisa Leonardo.

Odair renovou seu contrato e vai comandar o Inter na Libertadores

A situação financeira do Inter ainda não permite que a direção faça grandes investimentos. Por isso, o conselheiro eleito acredita que o clube deve ser cirúrgico nas contratações e as categorias de base merecem ser olhadas com carinho. “Hoje o Inter tem uma base. Claro que há carências, mas tem uma base boa de time. A direção terá que ser criativa para contratar reforços, até porque não há muito dinheiro em caixa. Tem que usar mais a categoria de base. Acredito que a comissão técnica vai fazer isso”, completa.

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