Leleco (ao centro) deve tirar um tempo para descansar neste anov Fotos: arquivo Ibiá

Ponto final. Treinador deixa o Olé após saída da sub-12 da Encosta da Serra

“Chega em um ponto que o cara cansa”, lamenta o técnico montenegrino Alex Gonçalves, o Leleco, 45 anos, sobre suas tentativas de elevar o patamar do futebol de campo na cidade. Nesta semana, o Olé oficializou a saída da categoria sub-12 da Encosta da Serra, por falta de recursos. Com a decisão, Leleco resolveu deixar o Olé e dedicar seu tempo para ficar mais perto da família.

Desde 1998 trabalhando como técnico de equipes de futebol, Leleco havia pensado em abandonar o esporte de Montenegro em 2016, com o episódio da falta de comprometimento dos meninos da equipe juvenil do Olé. No início desse ano, a escolinha encerrou as atividades com esta categoria e inscreveu os meninos da 2005 na Encosta. Leleco abraçou a ideia e se dispôs a treinar os atletas, como fez.

Entretanto, como todos os guris da sub-12 são do projeto social e a Prefeitura não deu sinais de que ajudaria os projetos esportivos do município, ficou inviável para o Olé seguir na competição com a sub-12. “Fiquei um pouco chateado. Nunca aconteceu isso na minha vida (precisar retirar uma equipe do campeonato por falta de verba). Mas não fico chateado com o Olé ou com o Gustavo (Hoffmeister, coordenador da escolinha). Fico chateado pela situação, a Prefeitura e os pais não apoiam”, afirma.

Triste com a falta de apoio da Prefeitura e dos pais, Leleco resolveu deixar o Olé para dedicar mais tempo para sua família

Desacreditado com o futebol na cidade, Leleco descarta largar a profissão. “Aqui em Montenegro não dá. Os meninos só querem Facebook e WhatsApp. Daqui uns quatro ou cinco anos, vai acabar o futebol aqui. Para ser treinador aqui, só se for no Cantegril ou Grêmio Gaúcho, em futebol sete. Vou dar uma parada, mas não vou me aposentar”, enfatiza.

Com uma filha recém-nascida, o ex-técnico do Olé quer dar atenção especial à família neste ano, mas não descarta treinar alguma equipe caso surja a oportunidade. “Vou cuidar da minha nenê. Estou gastando meu tempo e as pessoas não valorizam. Nadar contra a correnteza não dá. Cheguei no fundo do poço. Falei isso para minha esposa e ela concordou com a decisão de parar. Se aparecer algo, vou treinar, mas estou querendo tirar um tempo para descansar. Porém, voluntário não vou ser mais”, reforça.
Com planos ambiciosos, Leleco deve voltar a trabalhar na beira do campo apenas em 2018. “Só vou parar quando não puder mais treinar. Esse ano quero visitar alguns clubes, fazer pesquisas e ir em palestras. Ano que vem devo fazer o curso de técnico da CBF, já que o da FGF já realizei. Vou batalhar para ser técnico de alguma equipe profissional”, completa.

 

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