SISTEMA pode ajudar a evitar muitos erros em campo, mas a decisão final sempre cabe ao árbitro da partida. Fotos: divulgação internet

Tecnologia. Novidade vem causando polêmica na Copa do Mundo da Rússia

A primeira rodada da Copa do Mundo de 2018 nem terminou e a arbitragem já chamou atenção em várias partidas, por acertos e erros. Poucos jogos disputados até aqui não tiveram nenhum lance duvidoso assinalado – ou sonegado – pelos juízes. Uma das principais novidades do Mundial deste ano, o árbitro de vídeo (VAR) tem causado muita discussão nas rodas de conversas sobre futebol, principalmente após os lances polêmicos no empate brasileiro contra a Suíça na estreia.

Para muitos torcedores, o suíço Zuber empurrou o zagueiro Miranda no gol da seleção europeia. Além disso, grande maioria dos brasileiros viu pênalti sobre Gabriel Jesus em disputa com Akanji na área adversária. O renomado árbitro gaúcho Anderson Daronco, do quadro da Fifa, explica o motivo do árbitro de vídeo não ter sido utilizado nas duas situações. “Se houver o mínimo de margem para interpretação no lance, o VAR não atua. Em situações interpretativas, o árbitro de vídeo só interfere se acontecerem erros grosseiros, claríssimos”, frisa.

Nesta segunda-feira, na partida entre Suécia e Coréia do Sul, o árbitro do campo foi avisado pelo VAR de um pênalti que ele não havia assinalado. “Aquele foi um exemplo de erro claríssimo, pois até o pipoqueiro de costas na arquibancada concorda que foi pênalti”, acrescenta Daronco.
O árbitro assistente montenegrino Michael Stanislau, do quadro da CBF, ressalta que a decisão final é única e exclusivamente tomada pelo árbitro do campo. “O VAR revê as jogadas e passa ao árbitro principal quando acha que uma situação deve ser revista. A decisão final é sempre do árbitro de campo, tanto para ver a jogada e decidir, como ele pode ser indicado a rever o lance no monitor e não aceitar, ficando com a decisão do campo. O juiz não é obrigado a rever o lance por solicitação do VAR”, enfatiza.

Para o bandeirinha de Montenegro, os lances polêmicos ocorridos no jogo da Seleção Brasileira são normais. “No gol suíço, vejo um contato de jogo, em um jogador que não faz menção de ir na bola. O VAR também tem essa interpretação e não fala nada ao árbitro. O suposto pênalti no Gabriel Jesus é interpretação total, se aquele braço é faltoso e gera aquela queda. Para mim, segue o jogo em ambas as situações”, analisa.

Dois árbitros gaúchos veem falta em Miranda no gol suíço

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Disputa entre Gabriel Jesus e o suíço Akanji foi normal, de acordo com especialistas em arbitragem do Estado. Torcedores pediram um pênalti

Assim como Anderson Daronco e Michael Stanislau, o árbitro gaúcho Daniel Bins não considerou pênalti sobre Gabriel Jesus na estreia do Brasil. No entanto, o juiz tem outra visão no lance do gol da Suíça. “Os lances interpretativos, em que o árbitro está bem posicionado, a decisão é toda dele, mas nada impede que o VAR avise para ele verificar. Nos lances do Brasil, o árbitro de vídeo não falou nada, deixou a responsabilidade para o árbitro. Para mim, foi falta no Miranda, a imagem mostra os dois braços do jogador suíço empurrando o zagueiro”, afirma Daniel.

O experiente Fabrício Neves Corrêa, ex-árbitro do quadro da CBF, também vê lance faltoso no gol de empate dos suíços. “As polêmicas certamente não irão acabar. Acho que o árbitro errou no gol da Suíça. Temos uma disputa, em que o jogador suíço empurra o zagueiro brasileiro, assim o gol é irregular”, comenta.

Situações em que o VAR é utilizado
Gols: em posição de impedimento e falta; infração pela equipe ofensiva na criação de sua oportunidade de gol; bola fora do campo antes do gol.

Decisões em pênalti: penalidade incorretamente concedida; lance livre concedido à equipe atacante, para o qual há dúvidas sobre se ocorreu dentro ou fora da grande área; falta cometida pela equipe atacante antes do lance do pênalti; bola fora do campo antes do incidente de penalidade.

Incidentes com cartão vermelho: o árbitro suspeita que uma possível infração de expulsão foi detectada ou não foi claramente vista por oficiais da partida; o árbitro julga que um jogador cometeu uma falta que pode ser uma expulsão por negar uma oportunidade de gol óbvia ou um cartão amarelo que pare um ataque promissor.

Identidade errada: se o árbitro avisar ou expulsar o jogador errado (incluindo a equipe errada), ou não tem certeza de qual jogador sancionar, o VAR ajudará.

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