Se transformar em Papai Noel era a grande paixão de Timito. Fotos: arquivo pessoal da família

NATAL FRATERNO. 20ª edição homenageou o idealizador da causa social

Exemplo de generosidade e dedicação às causas sociais Altemir Flores Lemes, o Timito, de 58 anos, concluiu sua passagem por este mundo no dia 14 de abril deste ano. Antes de ir embora, Altemir construiu uma rede de solidariedade que, mesmo com sua partida, é mantida viva, através de seus amigos e familiares.

O policial militar aposentado, membro da Loja Maçônica Rocha Azul, desenvolvia ações beneficentes ao longo de todo o ano, mas o Natal tinha atenção especial. De outubro até dezembro, ele transformava-se no Papai Noel Timito – “título” que era motivo de alegria para ele. Quando começou suas ações, em 2007, ano em que se aposentou da Brigada Militar, Timito usou seu 13º salário para comprar brinquedos que foram distribuídos para crianças na Travessa José Pedro Steigleder. A partir daquele ano, a ação só cresceu. Mas, as dificuldades enfrentadas pelas famílias carentes da cidade, fez Timito mudar o foco e passar a distribuir cestas básicas.

Neste Natal o espaço deixado vazio pela presença física de Altemir é preenchido pelo espírito solidário que envolve todos que se uniram para dar continuidade às suas ações do bem, e realizar um de seus maiores sonhos: promover a 20ª edição do Natal Fraterno. O evento ocorreu no último domingo, dia 19, no Campo do América, no bairro Cinco de Maio. A ação desenvolvida em parceria por integrantes das Lojas maçônicas Rocha Azul, Loja Maçônica Cidade de Montenegro, e Loja República Riograndense de São Sebastião do Caí, com a parceria da Turma das Quintas e do Grupo Mas – Montenegro Amor e Solidariedade – distribuiu lanches, cestas básicas, brinquedos e esperança para mais de 160 crianças e suas famílias.

A festa teve o objetivo de ajudar quem precisa, mas, além disso, foi a forma encontrada pelos irmãos da maçonaria para homenagear Timito. “Não podemos deixar isso morrer. É um legado que vai ficar”, relata Fabiano Dias de Lima, amigo de Altemir. Fabiano abraçou a causa para, junto com outros voluntários, levá-la adiante. “Ele dizia que tinha certeza que eu daria continuidade ao Natal Fraterno. Ele confiava em mim para isso”, comenta.

O Natal Fraterno começou a ser realizado em 2007, com distribuição de brinquedos

Fabiano e sua rede de parceiros conseguiram dobrar o número de doações feitas esse ano, comparado com o ano passado, quando Timito realizou seu último trabalho. O grupo reuniu recursos para compra de cerca de 370 cestas básicas. “Colocar a mão na massa”, faz o voluntário destacar a determinação de Altemir. “Conseguimos doações grandes com empresas, além da contribuição de muitas pessoas, envolvemos muita gente nessa ação. Foi muito bom fazer esse trabalho, mas também foi muito cansativo. Imagino como era para ele fazer isso sozinho e com problemas de saúde”, comenta Fabiano.

Há tempos a saúde do Papai Noel Timito não vinha se comportando bem. Contudo, ele deixava a dor em segundo plano e seguia com o projeto. “Era um cara muito humano. No último Natal, pediu alta do hospital para poder entregar as doações nos bairros”, lembra Fabiano.

“Ele deve estar muito feliz”
Para a família do Papai Noel Timito, ver o projeto Natal Fraterno ser levado adiante é motivo de conforto emocional. “Ele deve estar muito feliz vendo tudo isso que foi feito. Fiquei muito contente com a homenagem, é muito gratificante para nós”, diz Roselaine da Silva Lemes, viúva de Altemir. Além da ação realizada no Campo do América, comunidades da Rua Nova e Bairro/Morro Bela Vista – que já eram contempladas nas ações de Timito – recebem doações de cestas básicas do projeto.

Com o passar dos anos, os adultos também foram contemplados pela ação

Roselaine e os filhos, Bianca Lemes Sartori e Tiago da Silva Lemes, também pretendem manter acesa a chama da solidariedade deixada por Altemir. “Pretendo passar isso para meu o filho. É muito triste ver pessoas passando necessidades”, comenta Bianca.

Neste ano, mãe e filha resolveram apoiar campanhas de arrecadação de brinquedos para crianças. “Vamos conseguir doações para ajudar 16 crianças, através do projeto das cartinhas da Popy, além de outros pedidos que já conseguimos atender”, explica Roselaine.

Embora o Natal deste ano esteja diferente, sem a presença do Papai Noel em casa, as boas recordações, de quando faltava espaço para organizar tantos presentes, serão mantidas. Também será mantida a união da família para doar um pouquinho de si em nome do Timito.

Disciplina e organização herdadas da Brigada Militar
O policial militar Valdoir Ramos Oliveira se aposentou em 2008, um ano depois da aposentadoria de Altemir Flores Lemes. Ambos trabalharam juntos na instituição e nas ações do Natal Fraterno, mas esses são apenas alguns dos vínculos que aproximavam a dupla, que se conheceu muito jovem e chegou a estudar junto no ensino médio. “Eu fazia parte da família dele e ele da minha. Passei natais e finais de anos com eles. Amo os filhos e netos dele assim como amo os meus”, diz Valdoir.

Papai Noel Timito usava vermelho, mas seu coração era azul

Do trabalho na Brigada Militar, Valdoir destaca a dedicação e organização do amigo. “Ele era um profissional fantástico, de tão correto que era, chamávamos ele de caxias. “A forma como organizava a distribuição dos itens do Natal Fraterno era baseada na organização e disciplina que carregou consigo do trabalho na Brigada”, compara Valdoir.

“Uma vez, entregamos brinquedos para cerca de 700 estudantes da escola Jorge Guilherme Moojem, levamos tudo de caminhão. Ele organizou tudo para que nenhuma criança ficasse sem presente, todos receberam itens condizentes com sua idade. Ele era muito organizado”, recorda o parceiro de ações.

Altemir levava alegria para crianças e adultos por onde passava

“Acho muito bonito darem continuidade ao trabalho do Timito. Essas pessoas são fantásticas. O Natal Fraterno era muito importante para o meu amigo, que bom que tive o prazer de participar”, conclui Valdoir.

Origem do apelido Timito
Segundo Bianca Lemes Sartori, o apelido do pai foi dado por ele próprio, na infância. Altemir adorava chimia e passou a ser chamado por algumas pessoas de “chimio”, a pronúncia sofreu alteração e tornou-se Timito.

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