Ilê e Cláudio Zirbes recheando ovos decorados

Ovos decorados e recheados e Osterbaum são feitos na data

Presentear alguém na Páscoa com ovos é uma tradição muito antiga, mas antes dos ovos de chocolate e os “de colher”, eles eram produzidos no Sul do País de uma forma simples e bem artesanal: ovos de galinha pintados e recheados com amendoim açucarado, o famoso cri-cri. A tradição pode até não estar no seu “auge”, mas principalmente em famílias com descendência alemã, essa época é de muito trabalho manual. Em Linha Pinheiro Machado, em interior de Brochier, a família Zirbes se dedica à decoração e enchimentos dos ovos de Páscoa.

O trabalho começa semanas antes da Páscoa, com a família recolhendo os ovos das galinhas e gansas e guardando as cascas. “Não é de um dia para o outro, vamos fazendo aos poucos”, conta a matriarca Ilê Zirbes.

Ovos decorados da Páscoa dos Zirbes

Ilê e Cláudio completaram neste ano 54 anos de matrimônio. Segundo ela, essa é uma tradição que foi passada aos dois pelas suas famílias e desde então perpetuada e repassada aos filhos, que seguem o costume nas suas casas. “Isso já veio de criança, passaram tanto para mim como para o meu marido. Eu gosto dessas tradições e o meu marido ainda mais”, diz.

A produção dos ovos recheados é toda artesanal. Com as cascas secas e devidamente limpas por dentro, um papel crepom é enrolado na casca, e então é mergulhado no vinagre. Após um dia, e já com o papel seco, ele é retirado. “Depois eu passo um cotonete com álcool por dentro pra sair a tinta e limpar tudo e eles ficam de cabeça pra baixo. Começamos a encher na quinta-feira a noite com amendoim”, fala. Sobre o recheio, é sempre feito meio quilo de amendoim torrado, que deve ser feito no fogão à lenha para ficar realmente crocante. Depois disso é feito o preparo do cri-cri.

Além disso, Ilê prepara uma cola natural para posteriormente fechar o ovo já recheado. Feita apenas com farinha de trigo e água, ela considera esse material a melhor opção. “Se a cola pega no amendoim não tem problema, porque não é tóxico”, explica.

Apesar de adultos, os filhos do casal sempre participam do enchimento dos ovos após o culto na quinta-feira à noite. Joice vem especialmente de São Leopoldo com a família, e Édner e a esposa saem de Brochier para se reunir com os Zirbes. Os ovos então são distribuídos entre a família, amigos e vizinhos. “Isso é bem significativo e eu valorizo muito. Isso não é trabalho, é prazer”, completa Ilê.

Outra tradição da família é o Osterbaum – Árvore da Páscoa – que tem um significado religioso. “O galho seco é como essa época de quaresma”, fala Ilê. Já no galho são colocadas cascas de ovos coloridos, que simbolizam a alegria da vida que significa a Ressurreição do Senhor. Segundo ela, o Osterbaum é geralmente montado na casa no início da quaresma, e desmontado uma semana após a Páscoa.

Osterbaum da família Zirbes

Outro costume da data também é o peixe assado na Sexta-feira Santa, que já está garantido. Ainda na quarta-feira, 13, o próprio Cláudio tratou de pescar alguns peixes para o almoço na casa da filha, na Linha Pinheiro Machado. No domingo, o almoço será na casa de Ilê e Cláudio, com o tradicional churrasco. Indagados sobre o significado da data, a palavra que representa é alegria. “Na Páscoa veio a ressurreição, veio a alegria”, concluí Cláudio.

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