Sinara e Alice trabalham juntas desde que a filha tinha 12 anos. FOTO: Juliana Moscofian

Lado a lado, mães e filhas crescem profissionalmente

Mãe é sempre um exemplo. De dedicação, de amor, de carinho e também de profissionalismo. Não são poucas as filhas e filhos que acabam seguindo as carreiras das mães ou até mesmo atuando juntos. Às vezes, essa relação começa bem cedo.

É o caso de Sinara Steigleder do Nascimento, 57 anos, e Alice Nascimento Motta, 31. Sócias da padaria Casa do Pão, em Montenegro, elas mostram que a relação entre mãe e filha também pode prosperar nos negócios. E essa história começou bem cedo, quando Alice ainda tinha 12 anos e passou a trabalhar no caixa do estabelecimento comercial da mãe, quando o irmão mais velho saiu para seguir outra carreira. “Para mim é bem gratificante. O bom é que ela está sempre comigo e, por outro lado, é a confiança que eu tenho”, garante Sinara sobre trabalhar com a filha. A mãe destaca que a relação de sócia delas evoluiu a um ponto onde uma complementa a outra. “Eu acho que, pra mim, foi a melhor coisa que aconteceu dentro da empresa”, afirma.

Sinara e Alice.

Alice revela que a história poderia ter sido diferente. Ela chegou a pensar em fazer outra coisa. No entanto, a abertura que ela recebia da mãe para implementar suas ideias na empresa fizeram com que ela ficasse. “Talvez se num momento em que eu trouxesse as minhas ideias a mãe me limitasse mais eu não teria gostado tanto”, pondera.

No entanto, nesses 19 anos de parceria nem tudo foram flores. No começo, até ser definida a posição de cada uma na empresa, foi um pouco difícil. “Depois que ficou bem definido ficou mais fácil. Ela controla umas coisas e eu, outras. Claro que, em conjunto, a gente troca ideia. Ela não faz nada sem me perguntar e eu também não”, comenta Sinara. Hoje, a mãe fica responsável pela produção e controle da equipe enquanto a filha cuida do atendimento e da parte administrativa.

“Como tudo na vida, a gente teve nossos momentos mais difíceis. Até porque se confunde muito mãe e profissional, mas eu acho que a gente leva muito bem isso”, reforça Alice. “Uma aprende junto com a outra. A gente já conhece muito o jeito uma da outra e é bom que a gente está sempre juntas, porque conseguimos aproveitar juntas no dia a dia”, complementa. A filha observa que trabalhar juntas permite que elas almocem uma com a outra todos os dias. A falta sentida é por mais momentos de lazer fora da padaria.

Paixão profissional que passou de mãe para filhas
Uma paixão que passou de mãe para filhas. Assim pode ser descrita a massoterapia para Irena Wailand, 76 anos, e suas filhas Bernadete Hartmann, 47 anos, e Janete Willers, 43 anos. A história iniciou em 1988, quando Bernadete, Janete e seus outros cinco irmãos ainda moravam com a mãe em Santa Catarina. Foi lá que Irena começou a estudar sobre o tema. No entanto, ela se mudou para Maratá em 1989.

Por aqui trabalhou um tempo na roça e em outros locais até conseguir concluir seu curso de massoterapeuta. Foi a partir de 2000 que ela começou a trabalhar exclusivamente com isso. Pouco antes, em 1998, a filha Janete iniciou seus estudos no ramo. Já Bernadete entrou para a massoterapia por volta de 2005. Hoje, Bernadete realiza atendimento em sua casa, em Maratá. Irena também segue fazendo atendimento na cidade. Já Janete atende clientes em Maratá e também Montenegro.

Bernadete (E) e Janete (D) seguiram a mesma profissão que a mãe Irena

Para Irena, é um orgulho enorme ver a duas filhas seguindo a profissão que ela escolheu. Inclusive, foi com um empurrãozinho dela que Janete e Bernadete entraram para o mundo da massoterapia. “Eu sou a mais nova da casa, daí eu via a mãe atendendo. Eu ficava ali em volta da maca, olhando. Às vezes, dependendo do machucado que a mãe ia atender, ela pedia para eu ajudar”, recorda Janete.

Já Bernadete foi um pouco mais resistente. Ela lembra que quando ainda trabalhava numa fábrica de calçadas uma colega perguntou sua opinião sobre o trabalho da mãe e da irmã. “Muito ironicamente eu disse ‘não vejo graça ficar caminhando em volta de uma maca e ficar sovando as pessoas’”, comenta. O interesse pela profissão foi desperto durante sua gravidez, quando ela passou a morar com a mãe e acompanhá-la nos atendimento. “Eu ia junto para conversar com as pessoas e minha mãe dizia: ‘aquece essa mão. Aquece esse braço’, só para eu ter alguma coisa para fazer e aos poucos foi surgindo essa vontade de querer saber mais”, conta.

Mas nem sempre foi boa a relação entre as filhas com a profissão da mãe. “(Teve) Algum domingo de meio-dia que a gente tentava almoçar e a mãe faltava na mesa porque estava atendendo alguém”, recorda Janete. “A gente se chateava porque ela – como ainda é hoje – era a última a sentar. Então, ela servia o pratinho de comida dela e daqui a pouco alguém chamava”, complementa Bernadete. No entanto, isso nunca incomodou Irena. “Pra mim é sempre em primeiro (lugar) a pessoa que está com dor”, assegura. Aos 76 anos, ela diz que não pensa em parar seus atendimentos e quer continuar com boa saúde para mantê-los. “Eu amo demais essa profissão”, garante.

O amor é tanto que ela já pensa em atrair mais uma integrante da família para a profissão. Trata-se da neta Larissa Elyn Hartmann, 15 anos, filha da Bernadete. Larissa até acompanha os atendimentos feitos pela mãe, pela tia e pela avó, mas ainda não decidiu se seguirá no ramo. No entanto, a vó já garante: a neta irá ocupar no futuro a sua sala de atendimento.

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