Sede da instituição começou a ser construída em 1983

Instituição foi construída com o auxílio de vários setores da comunidade montenegrina

A Apae Montenegro completa na próxima segunda-feira, 23, 50 anos de história no município. A instituição foi fundada em agosto de 1971, em uma das salas da EEEF Delfina Dias Ferraz. A iniciativa partiu da professora Maria Eunice Muller Kautzmann, mãe de uma criança com Síndrome de Down. Com a ajuda de um grupo de professoras de classes especiais da época, o movimento ganhou força e impulsionou a construção da sede da instituição em Montenegro.

A diretora da escola da Apae Montenegro, Naia Sehn, conta que a instituição surgiu pela necessidade de ter um espaço para atendimento de pessoas com deficiência intelectual e múltipla no município. “Na época a igreja Católica doou um terreno e soldados da Brigada se engajaram na construção do prédio. Foram várias pessoas que se mobilizaram para criar a instituição. Autoridades civis, militares, religiosos, pais de alunos, professores de turmas especiais e interessados em apoiar o movimento foram fundamentais para a fundação da instituição”, destaca Naia.

A Apae é uma instituição filantrópica com atendimento gratuito para a comunidade. A organização é formada por uma diretoria executiva, que conta com um conselho administrativo e um conselho fiscal, que atuam de forma voluntária.

A Apae Montenegro presta atendimento na área educacional, por meio da Escola de Educação Especial Nossa Senhora Medianeira, e também clínico.

O presidente da instituição, Fernão Leal Mohn, explica que a Apae é financiada com recursos vindos de cinco diferentes leis de incentivo fiscal estadual e federal, além do apoio vindo através de doações de empresas e da sociedade civil.

“Nós temos convênios com prefeituras, projetos do governo do Estado, do governo Federal e com o próprio SUS nós temos um convênio. Também recebemos doações de empresas e pessoas da sociedade”, afirma Mohn.
Outra importante ajuda financeira vem dos eventos organizados pela instituição, como o Baile e o Chá da Apae. Esses eventos contam com o auxílio do grupo de Madrinhas de Apae, que atuam junto a organização há cerca de 40 anos.

Ginásio foi construído com a ajuda de voluntários no ano de 1991 no terreno que foi doado pela Cúria Diocesana de Montenegro

Grupo de Madrinhas da Apae é parte importante da instituição
Cerca de 280 senhoras fazem parte do grupo de Madrinhas da Apae. Elas são responsáveis por divulgar o trabalho da instituição junto à sociedade, ajudar na realização de eventos, além de contribuírem semestralmente com um valor em dinheiro para a associação.

O grupo foi fundado há cerca de 40 anos e desde então tem sido uma das principais ajudas da instituição. Vera Sahlberg, coordenadora das Madrinhas da Apae, afirma que o papel das pessoas que fazem parte do grupo é buscar fortalecer a associação e seu trabalho.

“O grupo é muito importante, estamos longe de sanar todas as necessidades da Apae, mas elas complementam muito. Nós ajudamos também com presentes, as madrinhas são bem solidárias, quando a gente aciona elas para pedir alguma coisa elas estão sempre presentes”, afirma Vera.

A coordenadora explica que outra função importante das madrinhas é na organização e venda dos bilhetes dos eventos organizados pela Apae. “A principal função das madrinhas eu vejo como sendo uma divulgação do trabalho e uma ajuda na comunicação entre a comunidade e instituição, porque é através das madrinhas que o maior número de pessoas conhece a Apae”, relata Vera.

Para o presidente da instituição, Fernão Leal Mohn, a participação das madrinhas nos eventos para arrecadação de recursos organizados pela Apae é fundamental para o sucesso das campanhas. “São pessoas que se dedicaram muito e que fazem parte da história da Apae”, afirma.

Instituição atende 200 pessoas de toda a região
Ao longo dos 50 anos a Apae Montenegro se consolidou como referência no atendimento de pessoas com deficiência intelectual e múltipla em toda a região. Não há um número exato do total de estudantes já atendidos, mas, a instituição estima que o total alcance 1 mil alunos.

Atualmente atende 200 pessoas. São 125 alunos matriculados na escola especial e em outros 75 que recebem atendimentos pedagógicos e técnicos. A instituição realiza atendimentos nas áreas saúde, assistência social, lazer, preparação, inserção e manutenção no mercado de trabalho, entre outras ações.

Desde o início da pandemia de Covid-19 a Apae teve que se reinventar. A diretora da escola, Naia Sehn, afirma que a instituição não parou de prestar atendimentos. “A educação aconteceu de forma on-line, uma empresa nos doou mesas e cadeiras de escritório. Teve outra empresa que nos cedeu os computadores, então o rapaz que trabalha com a TI na Apae deixou esses computadores funcionando. A nossa marcenaria reformou as mesas e cadeiras e nós fomos até as residências dos alunos e instalamos as mesas as cadeiras, deixamos funcionando”, relata Naia.

Naia Sehn, diretora da escola, e Fernão Leal Mohn, presidente da Apae Montenegro

Já para os alunos que não conseguiram acompanhar as aulas de forma on-line, a Apae montou um plantão disponibilizando atendimento duas vezes por semana com professores. Outro trabalho importante realizado durante esse período foi com as famílias que traziam relatos de criança que estava com sobrepeso ou com quadro depressivo.

“Eles foram atendidos pelo professor de educação física, pelo psiquiatra e pela psicóloga. Já as famílias que não se manifestaram nem online, nem vinham buscar as atividades, a assistente social e a psicóloga iam até a casa para saber o que estava acontecendo”, afirma Naia.

A instituição também já pensa no futuro. Desde 2010 o investimento em novas tecnologias educacionais e clínicas tem sido destaque. Uma das principais inovações oferecidas pela Apae Montenegro é a terapia Snoezelen, conhecida como sala branca, que busca a reabilitação física e mental através da conexão sensorial ao estimular os sentidos primários do indivíduo.

Agora está sendo construída a sala negra, que será uma complementação a terapia Snoezelen. “Já temos a sala branca e agora essa é a continuação, no qual o atendimento é bem direcionado para crianças com autismo”, diz Naia.

Professora da Apae há 40 anos relata seu amor pela instituição
Há exatos 40 anos a professora Maria Inez Griebeler iniciava sua trajetória dentro da Apae Montenegro. O primeiro cargo ocupado dentro da instituição foi o de secretária, uma vaga que ela conta que foi disputada com outras 48 pessoas.

“Surgiu uma oportunidade como secretária aqui na Apae e eu me inscrevi. Mas tinham 48 pessoas e eles precisavam apenas de uma. Então fiz o teste e fui pra casa, depois de uma semana veio uma correspondência me chamando para eu vir trabalhar aqui, quase nem acreditei”, relata Maria Inez.

Professora Maria Inez trabalha há 40 anos na Apae

Mas o amor por ensinar veio ainda na infância. A professora conta que quando era jovem ajudava um primo surdo com os trabalhos da escola e a partir daí surgiu o interesse em trabalhar com o ensino para pessoas com deficiência intelectual e múltipla.

Mais tarde, já trabalhando como secretária na Apae, Maria Inez teve a oportunidade de ver de perto durante seu estágio do magistério como era o ensino para crianças especiais. “A escola que eu estagiei quando fiz magistério tinha duas classes especiais e eu achava muito interessante. Eu ficava parada na porta olhando e imaginando que era aquilo que eu queria”, conta.

Dentre os tantos momentos vividos como professora da Apae, Maria Inez lembra emocionada de um episódio durante uma visita a um Shopping Center. “Um aluno olhou para nós e disse que nunca tinha vindo em um lugar tão chique, que parecia até lugar de novela. Eles também andaram de escada rolante pela primeira vez na vida, foi uma festa. Essa foi uma das histórias, porque em todos esses anos têm muita coisa boa que a gente viu acontecer aqui”, conta a professora.

Maria Inez afirma que o mais importante em trabalhar com crianças especiais é não enxergar a deficiência, mas sim valorizar cada conquista das crianças. “Eles sempre atingem alguma coisa boa que tu consegue enxergar, o minimozinho que eles conseguiram pra gente é uma vitória imensa, é uma superação. Então tu olha aquilo e se sente realizada, feliz da vida. A gente aqui trabalha com as possibilidades deles e tentando desafiar as dificuldades”, destaca.

Após 40 anos trabalhando na Apae, a professora não se vê longe da instituição e se diz com muita energia para continuar trabalhando e levando conhecimento para os alunos da instituição. “Eu sou apaixonada pelo meu trabalho, e quando tu te apaixonas é paixão. Desde o primeiro momento que eu botei os pés aqui dentro era isso que eu queria, me sento realizada podendo ver a realização dos meus alunos. Então não quero me afastar tão cedo disso aqui”, diz Maria Inez.

Programação especial em comemoração ao aniversário
Para comemorar os 50 anos da Apae Montenegro, a instituição organizou uma programação especial. Diariamente estão sendo divulgadas nas redes sociais dicas de profissionais da área da saúde que trabalham na associação com o objetivo de orientar a população sobre temas diversos.

Chá em homenagem às madrinhas da Apae acontece no dia 28 em formato drive thru. Foto: divulgação/Apae Montenegro

No dia 23, data em que a instituição completa 50 anos, profissionais da escola irão passar nas paradas onde alunos embarcam no transporte escolar para entregar um bolo e um balão aos estudantes.
Já na terça-feira, 24, às 19h, acontece a transmissão da live “Sons da Inclusão”, através do Facebook e YouTube da Apae Montenegro. O evento contará com a apresentação de canto e dança de alunos da instituição, além do show do cantor Rafa Machado. No dia 25, às 18h30min, acontece uma missa comemorativa na Catedral São João Batista.

Para marcar o fim da programação especial de aniversário de 50 anos, no sábado, 28, acontece o Chá Doce Encontro. Os bilhetes podem ser adquiridos no valor de 38 reais diretamente na sede da Apae ou com umas das madrinhas da instituição. A retirada acontece no formato drive thru, das 14h às 17h30min, na sede da Apae.

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