Em ano difícil e de muita superação, capitão da Sub-14 do Fera retornou de lesão na decisão do Estadual Inovação

A trajetória de um jogador de futebol é marcada por vitórias, derrotas, conquistas, decepções, fama, polêmicas e contusões. As derrotas doem e as decepções são difíceis de esquecer, mas o maior obstáculo na vida dos atletas é ficar um tempo afastado dos gramados. Com talento de sobra para trilhar um caminho de sucesso no esporte, o jovem Arthur Bazi, capitão da categoria 2004 do Fera, sofreu três vezes com lesões nesta temporada, mas não baixou a cabeça e se recuperou a tempo de levantar uma taça no último jogo do ano.

Volante de boa saída de jogo e rápido raciocínio, Bazi é peça-chave no time do técnico Eduardo Vercelhese, o Da Páscoa. Um líder dentro de campo, o jogador de 14 anos nunca havia tido problemas de lesão antes dessa temporada. As contusões atrapalharam sua sequência em 2018, mas serviram como motivação extra para fechar o ano levantando a taça do Campeonato Estadual Inovação de Futebol.

Pela terceira temporada seguida, Bazi foi campeão do torneio regional com o Fera. Apesar de terminar o ano no lugar mais alto do pódio, 2018 não começou da forma que o volante desejava. Em janeiro, durante a Copa Teutônia, o jogador sofreu sua primeira contusão. “Lesionei a virilha contra o Ivoti, ainda na primeira fase, e joguei o resto do campeonato com dores”, relata. Nesse campeonato, a categoria 2004 do time montenegrino foi eliminada pelo São José, nas quartas de final.

Na metade da temporada, Arthur sentiu um incômodo no joelho direito e ficou cerca de 10 dias sem treinar com o grupo. Porém, a lesão mais grave ocorreu em outubro, quando o garoto sofreu três fraturas no rosto após uma disputa de bola durante um torneio na cidade de Triunfo. “Após o lance, eu colocava a mão no rosto e sentia que estava diferente, um pouco inchado, mas não imaginava que havia sido tão sério. Só fui saber a gravidade quando fui ao médico e ele falou que eu tinha sofrido três fraturas”, conta.

A cirurgia foi bem sucedida. De acordo com o médico, a previsão para o retorno de Bazi aos gramados era de três meses. Com isso, o atleta voltaria apenas na Copa Teutônia de 2019. Entretanto, a recuperação surpreendeu a todos, o volante foi liberado pelo médico para fazer atividades físicas no final de novembro, a uma semana da grande final do Estadual Inovação.

Pronto para voltar a fazer o que mais gosta, o jogador tinha outro desafio nos dias seguintes à liberação do médico: recuperar a confiança e o ritmo de jogo para chegar bem preparado para o duelo decisivo contra o Cruzeiro, de Cachoeirinha. “Fiz só dois treinamentos antes da final. Para dividir e cabecear a bola no início, bateu um receio, mas depois foi tranquilo”, minimiza o atleta.

Com apenas dois treinos realizados nas vésperas da decisão, era impossível Arthur chegar para a partida 100% fisicamente. O jogador sentiu o cansaço no jogo, mas continuou em campo e ajudou o Fera a vencer o Cruzeirinho por 1 a 0 e conquistar o tricampeonato. “Não esperava jogar a final, meu medo era ficar de fora até da Copa Teutônia. Mas deu tudo certo. A decisão era para ser uma semana antes, aí eu não teria condições. Como choveu e adiaram as semifinais das categorias mais novas, pude atuar”, celebra.

Grupo unido e treinador “paizão”
O terceiro título consecutivo da equipe 2004 do Fera no Estadual Inovação coroou um trabalho que vem sendo feito há três anos. O grupo atual começou a ser formado no início de 2016 e mudou poucas peças de lá para cá. Muitos meninos se conhecem desde a creche, e o técnico da equipe, Da Páscoa, é como um pai para a gurizada. “É um grupo unido, jogamos juntos há bastante tempo. O Da Páscoa nos ajuda em tudo. Ele brinca quando tem que brincar e fala sério quando precisa”, enfatiza Arthur Bazi.

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Arthur Bazi (com a taça) voltou de lesão na decisão do Estadual e ajudou a equipe 2004 do Fera a conquistar o terceiro título no torneio. Foto: divulgação Fera

Apesar das três lesões, o volante considera positiva sua temporada. Além do título do Estadual Inovação no início deste mês e das grandes apresentações com a camisa do Fera durante o ano, Bazi teve a oportunidade de realizar um teste no Juventude na metade da temporada.
“Fiquei alojado em Caxias do Sul durante uma semana, com treinos diários. Eles acabaram não ficando com ninguém naquele teste, porque não tinha nenhum atleta da posição que precisavam”, explica o atleta.

Irmão de Arthur segue seus passos
Uma das principais promessas do Fera, Arthur Bazi sonha alto. Sua maior inspiração no esporte atua na mesma posição e tem o mesmo nome: Arthur, campeão da Libertadores com o Grêmio em 2017 e que atualmente defende as cores do poderoso Barcelona, da Espanha. Bazi tem várias características em comum com seu xará, como a qualidade no passe e o controle de bola. “Seria demais chegar onde ele chegou”, enaltece.

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Jogador de 14 anos sofreu contusões no ano, mas não baixou a cabeça

Se Arthur tem como inspiração seu xará do Barça, o pequeno Thiago Bazi, de 11 anos, quer seguir os passos do irmão mais velho no futebol. “Ele joga bem, me ajuda muito, dentro e fora de campo. Me inspiro nele. Acreditei que o mano voltaria (a jogar) rápido, porque ele é muito forte e ajuda as pessoas, então merecia isso”, frisa Thiago, que também joga como volante.

Os pais José Leandro Vanin Bazi e Reginara Haas Bazi acompanham de perto os dois filhos. Quando Arthur sofreu as três fraturas no rosto, a mãe ficou do lado do atleta antes e depois da cirurgia para dar forças ao filho. “A família foi fundamental para eu me recuperar tão rápido da lesão. Minha mãe ficou comigo todos os dias, antes e depois da cirurgia. Em praticamente todos os jogos eles (pais) vão assistir, e é muito bom ter eles por perto”, ressalta Arthur.

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