Carolina Boos de Paula, secretária de sessão na Delfina Dias Ferraz, oferecia álcool a todos os que chegavam

Protocolo contra Covid-19 foi seguido e poucas ocorrências foram registradas

A eleição 2020 em Montenegro e região transcorreu com relativa tranquilidade. Logo no início – nesse pleito as urnas foram abertas às 7h, mais cedo que nos anteriores – muitos idosos foram às sessões eleitorais cumprir o seu dever cívico. Neste ano, as três primeiras horas de votação foram prioritárias aos com mais de 60 anos. Houve registro de filas, mas, de forma geral, estas se dispersaram rapidamente. Para a alegria dos eleitores, não houve derramamento de “santinhos” de candidatos nas entradas das escolas, como muito já se viu em eleições anteriores. Em geral, as ruas próximas das escolas estavam limpas.

De acordo com o chefe do Cartório Eleitoral da 31ª Zona, com sede em Montenegro, Diego Coitinho, não houve problemas técnicos com as urnas eletrônicas, mas ocorreram incidentes de falta de mesários. Foram mais de 10 faltas entre Montenegro e região, o que é considerado um número alto, levando em conta o histórico do cartório. Destes, a maioria dos problemas foi em Montenegro e um em Pareci Novo. Em apenas um dos casos não foi possível colocar um substituto do mesário.

Apesar do dia tranquilo, ocorreram incidentes eleitorais. Um cabo eleitoral foi detido por boca de urna no bairro Santo Antônio, em Montenegro. O acusado estava distribuindo santinhos próximo da Escola Estadual de Ensino Fundamental Adelaide Sá Brito. Em audiência prévia, a juíza eleitoral Priscila Gomes Palmeiro determinou que infrator realize o pagamento de dois salários mínimos pelo crime eleitoral. Não foi divulgado para qual candidato o homem detido fazia campanha. As informações são do Cartório Eleitoral da 31ª Zona Eleitoral.

Já em Maratá, de acordo com Diego Bonato Coitinho, houve denúncia de falsidade ideológica. No caso em questão, um irmão teria votado no lugar do outro. Em Pareci Novo, houve o registro de um atrito entre fiscais de partidos.

Rita Adriane da Silva e Leandro Nunes considerararam a votação tranquila e rápida na Yara Ferraz Gaia

Idosos compareceram ao pleito com muitos cuidados
Entre a turma que compareceu logo cedo, percebia-se muito cuidado para evitar a Covid-19. Quando saiu da sua sessão eleitoral, o senhor Elton Azambuja Parastchuk, de 57 anos, tratou de passar álcool nas mãos e nos plásticos que protegiam os documentos. Isso porque o mesário tocou no título. Então, melhor prevenir. “Temos de ter cuidado também nessa hora”, defendeu o morador do bairro Progresso que vota no Álvaro de Moraes. Mas houve quem precisou de uma ajudinha dos mesários para não ficar sem votar. Enilda Ribeiro Krob, de 62 anos, chegou ao Colégio Álvaro de Moraes com o tubo de álcool em gel nas mãos, mas sem máscara. Percebeu quando já entrara na escola e procurava a sua sessão. Mas quando ia voltando pra rua, ficou sabendo que havia máscara para doar, em caso de necessidade. “Por falta de máscara, a senhora não vai ficar sem votar”, ouviu de uma das trabalhadoras deste dia.

Elton Azambuja Parastchuk deu atenção à prevenção contra Covid-19

Apesar do acúmulo de algumas filas pelos colégios eleitorais, em geral, os eleitores elogiaram a rapidez e organização com que o pleito transcorreu, mesmo tendo novas regras a cumprir, em função da pandemia. Foi o caso da escola Yara Ferraz Gaia, onde o casal Rita Adriane da Silva, de 46 anos; e Leandro Nunes, de 58; exerceram o seu direito de voto. “Me surpreendi. Foi muito rápido, até mais que nas outras eleições. E eu me senti muito segura”, disse Rita.

Enilda Krob trouxe álcool, e esqueceu a máscara. Ela recebeu uma e votou

Nem só idosos votaram pela manhã
Mesmo as três primeiras horas sendo prioritárias aos idosos, houve pessoas mais jovens que foram às urnas neste horário. Foi o caso de Eduardo Augusto Fraga. “Vim bem cedo, porque vou agora para o trabalho”, destacou ele, garantindo que o pleito estava ocorrendo com tranquilidade. Eleitor do Cinco de Maio, Willian Andrade Abriu, de 26 anos, compareceu ao colégio Cinco de Maio para votar. “Uma fila curta e rápida. Super tranquilo”, avaliou ele. Entre os que trabalham no pleito, também havia jovens. Marcelo Bilhão, de 22 anos, foi secretário no São João Batista. Assim como na eleição passada, o estudante de Direito se voluntariou para trabalhar. “É válido como horas complementares, então me inscrevo”, relata ele, que não percebeu diferenças no pleito em função dos maiores cuidados pela Covid-19. Já mais para o fim da manhã, no Colégio Sinodal Progresso, o casal Tauani Castro e Cristiano Alliatti, ambos de 30 anos, foram votar. Levaram a mascote Cersei, uma Pug animada, como companhia. “Tínhamos que levá-la pra passear, então já veio junto”, brincou ela.

O passeio de cachorrinha Cersei foi participar
da votação com Tauani Castro e Cristiano Alliatti
O estudante Marcelo Bilhão se
voluntariou para trabalhar nesta eleição
Willian Abreu compareceu para
votar no colégio Cinco de Maio
Druzzian Filho não
abre mão de votar

Respeito ao dever de votar
Quem deseja votar encara as dificuldades. Odilo Lopes da Silva, de 55 anos, chegou com sua cadeira de rodas sendo empurrada pelo irmão Valdomiro Lopes da Silva, de 56 anos. Odilo hoje mora no bairro São Paulo, mas por muitos anos foi morador do Ferroviário e nunca trocou o título. “Pra quê? Venho rever os amigos”, brinca ele. Há dois anos, a diabetes provocou uma trombose e o levou a perder parte da perna, obrigando ao uso da cadeira de rodas. Nada que o faça desistir de votar. “A gente tem que fazer a nossa parte” diz.

Odilo Lopes da Silva utiliza há dois anos uma cadeira de rodas. Isso não o impediu de exercer o seu direito

Na mesma escola, Darci Druzzian Filho chegou na sua bicicleta por volta das 8h para votar. Aos 65 anos, ele garante que não deixa de votar. “Antes eu trabalhava nas eleições. Era policial. Agora, que não trabalho mais, venho cumprir a obrigação de brasileiro”, defende ele.

Voto em família, em Pareci Novo
Pareci Novo também registrou um pleito tranquilo durante o dia. Embora a manhã tenha sido mais movimentada, em função, sobretudo, das pessoas de grupos prioritários que aproveitaram o horário para exercer o voto, a tarde foi de seções praticamente vazias. O município registrou uma troca de urna ainda no início da votação, mas não houve ocorrências graves na cidade.

Inaiara de Lima, 19 anos, foi com a família votar

Votando pela primeira vez, Inaiara de Lima, 19 anos, foi acompanhada dos pais Sandra e Gerson, e da irmãzinha Maia. A família optou pelo início da tarde, por ser mais calmo. “A gente preferiu vir ao meio-dia porque sabia que não teria fila”, diz a jovem. Ela revela que foi até a escola Beato Roque apenas para exercer a obrigatoriedade. “Se fosse opcional, eu não votaria”, afirma.

Cuidados com a saúde e distanciamento
Em Brochier, as placas nas paredes da escola Erni Oscar Fauth já indicavam que essa eleição foi bem diferente das anteriores: elas pediam respeito ao distanciamento social e aos protocolos sanitários.
Embora tenha seguido todas as regras, a eleitora Carmen Pazini dos Santos, 59, acredita que os cuidados deveriam ser iniciativa de cada cidadão. “Tinha que ficar livre”, afirma. Mas revela que não descuida da saúde. “Assim como eu ouvi falando no rádio, eu vim preparada”, conta. A eleitora fez questão de chegar bem cedo à seção, mesmo não sendo do grupo prioritário para o período das 7h às 10h. “É bom vir cedo porque a gente fica livre depois”, revela.

Urnas e mesas das seções foram higienizadas periodicamente durante o dia em ações preventivas

Dona Carmen não foi exceção na cidade. A administradora de prédio Luciane da Motta conta que houve respeito às regras determinadas e cuidados redobrados na escola. “Tudo funcionou tranquilamente”, avalia. A equipe aproveitou o fato de a instituição ter dois portões distantes para driblar a possibilidade de aglomeração. “Fizemos um portão para entrada e outro para a saída”, explica Luciane. “Estou feliz porque logo cedinho os vovôs e vovós vieram votar”, afirma, referindo-se ao horário de votação.

Eleitora nonagenária dá exemplo em Maratá
Nascida em Linha Pinheiro Machado, Brochier, a dona Wally Musskopf Kayser, de 90 anos, reside há 58 em São Pedro do Maratá, interior de Maratá. A nonagenária não recorda ao certo qual foi sua primeira eleição, mas lembra claramente que já era casada quando teve o direito de votar pela primeira vez. Por isso, faz questão de exercer o voto. “Eu acho muito importante a mulher votar. E acho importante a gente valorizar a mulher na política”, diz. “E eu posso caminhar, posso fazer tudo! Então por que eu não viria votar?”

Nonagenária Wally Musskopf Kayser reforça a valorização daa participação das mulheres na eleição

A filha, Ilhane Kayser Comiotto, 65, acompanhou a mãe na manhã de domingo e conta que ela sempre incentiva os filhos e netos a participarem desse momento democrático. “Ela sempre fala que é importante votar e que temos que ir”, revela.

Assim como na localidade, a votação na principal escola do município, o Colégio Estadual Engenheiro Paulo Chaves, foi tranqüila ao longo do dia. Houve respeito às normas e os eleitores permaneceram pouco tempo nas seções – apenas o necessário para votar ou aguardar algum familiar que estivesse votando. Todo cuidado era pouco.

Em São José do Sul, voto consciente marcou a eleição
Para a eleitora Mariana Braun, 24, os protocolos sanitários exigidos nessa eleição são também uma forma de reflexão sobre suas prioridades. “A gente acaba mudando a forma de enxergar as coisas”, diz. Ela fez questão de votar e, junto com o marido Felipe Augusto Atkinson, levou o filho Otávio, de dois anos, para ele ver, pela primeira vez, como é a eleição. “A gente tem que fazer por nós. Na eleição, temos oportunidade de fazer diferente, fazer melhor”, diz.

Mariana foi votar com o marido Felipe e o filho Otávio

Aos 19 anos, Brenda de Oliveira da Silva votou pela primeira vez e fez questão de analisar as propostas de cada candidato. “Foi difícil escolher. Eu estudei bem as propostas e depositei a minha confiança naquele que achei que seria o melhor”, afirma.

A avaliação da presidente de seção, Jurema Ribeiro, e da 1ª mesária, Magali Lottermann, foi positiva. “A maioria traz a própria caneta, entra um de cada vez e nós tentamos manter o distanciamento”, afirma, sobre a escola de São José do Maratá, um dos maiores colégios eleitorais do município.

Brenda votou pela primeira vez e garante que estudou as propostas de cada candidato antes de decidir

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