Torres (E) veio falar dos benefícios. Aníbal (D) falou dos prejuízos e lamentou não haver uma proposta de solução

Os moradores da Volta do Anacleto saíram insatisfeitos da audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores de Montenegro, na noite desta sexta-feira, dia 9, na igreja da comunidade. Na verdade, saíram até ofendidos. “Eles vieram para cá subestimando as pessoas”, declarou – na saída – o representante Aníbal Sérgio dos Santos Júnior. A problemática diz respeito ao bloqueio definitivo da saída pela Estrada Pedro Otto Ost devido a instalação do pedágio na BR-386.

Torres mostrou mapa e disse que outro caminho acrescenta apenas 200 metros. Moradores se revoltaram, afirmando que são mais 6km

A expectativa era que neste encontro já fosse – ao menos – apresentada uma alternativa para manter ou então criar nova saída com essas características – mais curta e em melhor estado de conservação. Todavia, o representante da empresa CCR Via Sul, concessionária que administrará o trecho concedido da rodovia, Élvio Torres, orientou os moradores a “formarem uma comissão” para discutir o assunto. O grupo deve criar propostas, debater entre eles, conversar com a Prefeitura.

Trecho de 1,2 km foi construído há 30 anos pelos moradores

E a CCR estaria disposta a retornar para novo debate. Outra colocação do representante foi que mantivessem a ação civil impetrada no Ministério Público (MP) solicitando a manutenção do acesso; ato que inclusive elogiou. Depois, em uma fala individual com morador, Torres deixou claro que em lugar algum a Justiça manteve aberto um acesso irregular. Isso, por fim, daria legitimidade a situação, garantindo a continuidade da obra, inclusive porque o fechamento da Estrada Ost é uma imposição legal do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Ele expôs ainda que a CCR segue em negociação com a Prefeitura de Montenegro na busca de uma solução, que, basicamente, são melhorias no restante da Pedro Otto Ost. Mas ao Ibiá, Torres explicou que a intenção é apenas largar o material retirado das pistas da BR-386 (fresagem). Já a elevação no trecho que é interrompido em dias de chuva devido ao alagamento, assim como questões de bueiros que não dão vazão, precisariam ainda ser discutidas. Não seria feito asfaltamento dos 8km até a saída pelo Paradouro 22.

Fermíno da Silva Souza: “Mas o que pode ser feito?”

“Não é uma rota de fuga”

O que foi definitivo é que o local do pedágio não será mudado, até porque está no limite de distância da ponte sobre o Rio Caí. Assim é irrevogável que a saída e entrada à Volta do Anacleto será fechada por força de lei, pois, tornou-se irregular ao ter ficado dentro do raio de um quilômetro da praça de pedágio. Os moradores se ofenderam quando Torres justificou que aquela era uma “rota de fuga” para criminosos, que inclusive roubavam na Volta do Anacleto, e o fechamento da entrada ajudaria neste sentido. Neste momento começou a revolta que depois interromperia varias vezes o debate.

Em momento algum comunidade disse ser contra existência do pedágio. Só querem garantir o acesso.

“Não é rota de fuga”, declarou o morador Antônio Carlos Azevedo Quadros. Ele foi muito aplaudido, e depois recebeu o coro de diversos vizinhos, que inclusive apontaram que desvios do Posto da PRF ocorrem pelas outras vias vicinais. Eles repudiaram ainda a justificativa através da criação de 52 empregos, apontando que há mais de 200 moradores na comunidade, e certamente não há 150 desempregados, que é o total de candidatos a trabalho que se apresentaram nesta semana. Eles acreditam que apenas terão o ônus, inclusive com desvalorização de propriedades caracterizadas pela passagem obrigatória por um pedágio.

Retorno com aquilo que os próprios pagarão

Quanto ao retorno ao Município através de impostos, lembraram que virá graças as tarifas de pedágio que os próprios montenegrinos também pagarão. Esses benefícios foram defendidos inclusive pelo vereador Joel Kerber (PP), que estava na posição de representante da Prefeitura. “Se tiver que ser instalado, que seja em Montenegro”, declarou.

Depois, completou que todos estavam ali para “encontrar uma solução para a CCR”, mas também manter o acesso de alguma forma. Essa postura foi reprovada por alguns presentes, que ao término da audiência comentaram que “quem deveria defender o povo vem aqui e fica do lado deles (empresa)”, critica extensiva à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Eles sabiam do pedágio, mas foram surpreendidos com bloqueio. Ana Paulo Araújo: “por que moradores não participam da negociação com Prefeitura?”

O proponente da audiência, vereador suplente Paulo Azeredo, fez sua última participação assinalando o fator anterioridade, uma vez que a Estrada Pedro Otto Ost está ali há mais de 30 anos. Ele argumentou que, se há uma lei que impede acessos laterais um quilômetro antes e um quilômetro depois de uma praça, então a definição do local deveria ter observado isso. “Vocês tem condição de arrumar. Vocês que erraram”, declarou. Na mesma direção foi o morador Irlãn da Silva Souza, que pergunto por que a distância mínima não foi vista antes.

Ninguém sabia que havia um acesso

A explicação veio pela coordenadora da estruturas da ANTT, Marisa Tiefense, que revelou que o órgão ficou sabendo do problema ao ser convidado para a audiência nesta semana. “Provavelmente, quando foi feito (o projeto) não se deram conta que havia um acesso”, confirmou, ainda que tenha recordado que em março de 2017 houve audiência pública em Montenegro para debater o pedágio. Os moradores afirmaram desconhecer este debate.

Diante desta colocação, o morador Leandro Kuhn usou sua experiência profissional com licitações para especular que talvez o Dnit (responsável pelo processo de concessão) tenha apenas contratado um escritório de fora para fazer o projeto, que classificou como algo “que já começou errado”. “E não vamos abrir mão do nosso direito. Vocês estão cientes disso?”, posicionou-se.

A reunião prosseguiu neste clima com debate a respeito do acesso pela Estrada Martins Souza Vigel, ao lado do Paradouro 22 – também apontado pela CCR como problemático –, a questão de quem não tem carro e caminha até a rodovia, a circulação do ônibus escolar e outros pontos.

Não foi marcada nova reunião. Ao final, o vereador Juarez da Silva (PTB) fez questão de reiterar que o Legislativo de Montenegro está ao lado da comunidade. Depois, afirmou que a Câmara não foi chamada a participar das reunião com a CCR Via Sul a respeito de soluções para a Volta do Anacleto.

Custo de quem dirige
Um cálculo aproximado aponta que quem usa seu veículo para trabalhar em cidades do outro lado do pedágio gastará aproximadamente R$ 400,00 por mês. O custo é acentuado justamente pela distância que será ampliada em 8 km (16 km ida e volta) para sair pela Estrada Martins Souza Vigel ou pela estrada do Pesqueiro (Hotel Salton). O custo considerar combustível e as taxas do pedágio, sem mensurar o desgaste do veículo pela estrada de chão batido.

1 comentário

  1. Estão de brincadeira, a CCR menciona que não sabiam do acesso? Trabalho com projetos de aeroportos, rodovias, loteamentos etc. Utilizamos imagens até do google earth para definição de viabilidades. É um deboche com os participantes alegar desconhecimento da estrada. O que a CCR quer é que todos paguem pedágio, sem perimitir acessos paralelos, o que seria possível na rótula do paradouro 22, projeto inicial, conforme consta no edital. A camara de vereadores deve debruçar sobre o edital e viabilizar inclusive a passagem livre para os moradores de montenegro que utilizam a rodovia para trabalhar. O que estão fazendo? parabéns ao Ver Paulo Azeredo, me parece o único a se interessar no povo e não na CCR.

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