MÃE da menina corre o risco de perder a guarda da criança. Foto: Arquivo Jornal Ibiá

Autoridades sabem onde ocorreu a gravação e informam que o pai está preso

Novidades sobre caso da criança que foi gravada brincando com um revólver devem ser divulgadas somente na próxima segunda-feira, dia 28. Ontem o delegado da 1ª DP, Paulo Ricardo Costa, confirmou que a família e o endereço estão plenamente identificados. Todavia, a Polícia Civil (PC) está alinhavando ações com o Ministério Público devido à complexidade do envolvimento de um bebê.

Outro fator que está bastante claro para as autoridades é que o fato aconteceu em um local de criminalidade, mais exatamente tráfico de drogas. Inclusive o pai da criança encontra-se preso há mais de um ano. A mãe teria deixado a cidade ainda na quarta-feira, após a repercussão nacional do vídeo gravado com celular dentro de sua própria casa.

O Conselho Tutelar aguarda informações da Polícia Civil, sendo que espera acompanhar uma possível operação para poder cumprir seu papel de proteção ao menor envolvido. O órgão ainda não foi informado sobre quem é a família, portanto não pode se pronunciar sobre um possível histórico de ocorrências atendidas. Reiterou, porém, que, como publicou ontem o Jornal Ibiá, os responsáveis pela menina infringiram gravemente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Não é possível ainda falar em punição, mas a perda da guarda da filha – passando para um familiar – é uma possibilidade.

Especialista orienta sobre cuidado com armas de fogo
Após a grande repercussão do vídeo em que uma criança de aproximadamente dois anos aparece brincando com uma revólver calibre 38, em Montenegro, é preciso falar sobre os cuidados que devem ser tomados por quem possui armas de fogo. Guardar o armamento em locais fora do alcance de menores de idade e mantê-lo travado são as principais dicas de segurança para evitar acidentes.

O caso, publicado pelo Jornal Ibiá nesta quinta-feira, 24, causou indignação entre a população montenegrina. O sargento Elvis Carvalho, do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e responsável pelo material bélico da corporação, explica que existem armas com travas de segurança e outras que não possuem esse dispositivo. As pistolas, em geral, podem ser travadas para que não sejam disparadas, ao contrário do que acontece com a maioria dos revólveres.

“Quando se trata de cuidados com armas, é necessário considerar diversos aspectos, como o tipo de ambiente (bairro perigoso, por exemplo), idade das crianças na casa, tipo de temperamento, entre outros fatores”, orienta o sargento. “Cada caso exige um cuidado diferente. Se a moradia tem uma criança que já consegue entender e discernir as coisas, é importante que os pais ou responsáveis estabeleçam um dialogo e expliquem os perigos que isso envolve”, alerta.

Nas residências com crianças pequenas, a dica é guardar a arma fora do campo de visão e do alcance delas. “Ter um cofre é o ideal. Caso não tenha, pode ser uma gaveta com chave, armário ou um lugar seguro”, orienta o sargento.

Sobre a penalidade aplicada ao dono da arma em caso de manuseio por incapazes, o policial explica que o crime é previsto no artigo 13 da Lei 10.826/ 2003. A pena para o delito é de um a dois anos de prisão mais multa.

Sobre as imagens do vídeo, o sargento repudia e condena qualquer tipo de comportamento que coloque a segurança das crianças em risco. “Uma criança de aproximadamente dois anos não tem capacidade de compreender o que é certo ou errado, cabendo aos responsáveis cuidar e zelar pela integridade dela”, destacou.

De acordo com a Convenção dos Direitos das Crianças, de 1989, é necessário manter menores longe dos impactos da violência, de conflitos armados ou de hostilidades. Num Protocolo Opcional, aprovado em 2000, a Organização das Nações Unidas (ONU) ainda aponta que governos têm o dever de proteger as crianças de hostilidades. (IR)

Deixe seu comentário