CORTE. Só vão ser feitas duas viagens de ida e duas de volta para a Unisinos, em São Leopoldo

A maioria das linhas da Viação Montenegro que transportam alunos para a Unisinos, a Ulbra e a Feevale – respectivamente, em São Leopoldo, Canoas e Novo Hamburgo – serão suspensas a partir do ano que vem. O anúncio foi feito pela própria empresa, após análise e autorização da Metroplan, o órgão estadual responsável pelos transportes intermunicipais. Só sobram rotas para a Unisinos e ainda de forma reduzida: saídas de Montenegro às 7h10 e 20h40; e retornos às 17h10 e 22h30.

A justificativa dada é a baixa procura de estudantes. Durante 2019, a média de passageiros transportados pelos ônibus foi de 18,53, o que não estaria sendo o suficiente para cobrir os custos operacionais com combustível, funcionários e a manutenção dos veículos.

“O número de alunos chega a ser 25 no sentido ida e retornam 12. Outras vezes, inverte. Viajam 10 e retornam 21”, relata a assistente administrativa-operacional da Viação Montenegro, Aline Riffel. “Nas sextas-feiras é o dia de menor demanda. Nunca chega a 10 passageiros, nem ida e nem volta. Para a cobertura dos custos diretos da operação precisaria, no mínimo, 30 alunos com pagamento integral por viagem.”

Ela explica que a redução na procura vinha sendo percebida já há alguns semestres, reflexo de mudanças de comportamento e de consumo. “Podemos citar a implantação de extensões universitárias na cidade e proximidades, o desenvolvimento dos sistemas de estudos à distância, o crescimento do transporte individual ou compartilhado e as suspensões de programas de incentivos governamentais aos estudantes”, exemplifica.

Pode até piorar. “Quanto a possíveis outras suspensões de serviços é uma incógnita, depende muito do aquecimento da economia”, adiciona a representante da empresa. “Daqui a pouco, pode-se pensar inclusive em ampliações”.

Anúncio assusta quem depende do serviço

Para os estudantes que dependem do transporte para irem às universidades da Região Metropolitana, o anúncio foi um choque. “Isso vai prejudicar completamente o meu curso”, lamenta o aluno de Administração da Ulbra, Lucas Camões. “Os custos de se manter numa universidade já são extremamente altos. Eu já utilizei serviço particular (para o transporte à instituição) e ele acabou se tornando uma alternativa muito cara.”

Camões está no quinto semestre de seu curso e tem mais três pela frente. Ele é beneficiário do Passe Livre estudantil – benefício concedido a estudantes de renda reduzida, que não pagam a passagem de ônibus, pois tem seu transporte garantido por repasses do governo estadual à empresa. Prestes a ficar sem uma alternativa, ele diz que já considera até a opção de trancar o curso. “Se essa decisão se manter, nós, realmente, não temos um norte”, coloca.

Ele e um grupo de outros usuários já está atrás da manutenção de seu direito ao transporte para as universidades. Entraram em contato com a Viação Montenegro e a própria Metroplan, pedindo esclarecimentos.

A Associação de Estudantes do Rio Grande Do Sul também já foi acionada. Conforme o coordenador operacional da entidade, Paulo Machado, será enviado um pedido de informações à Metroplan, buscando compreender a suspensão. Machado indicou, ainda, que todo estudante prejudicado pela medida deve oficializar reclamação junto aos canais de atendimento da entidade estadual, dando mais força à demanda.

Não é a primeira vez que ocorrem tratativas para a parada das linhas universitárias em Montenegro. Em junho de 2017, a Viação anunciou que suspenderia as viagens, mas foi confrontada pela Metroplan que, na época, disse que não teria autorizado tal alteração. Na época, a pressão dos estudantes ajudou na manutenção do serviço. “E nós vamos lutar novamente”, garante Lucas.

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