Em média, a carne bovina já subiu cerca de 30% e deve continuar encarecendo. FOTO: APAS/DIVULGAÇÃO

Expectativa é que reajustes continuem em dezembro

O montenegrino que pagava R$ 16,99 pelo quilo da chuleta bovina na semana passada já paga cerca de R$ 23,99 nos açougues hoje. A alta da carne nas últimas semanas vem deixando o consumidor alarmado e é preocupação constante para os empresários do varejo local. Em média, o produto subiu cerca de 30% e deve continuar encarecendo. A expectativa é uma alta de mais 30% ainda durante a primeira quinzena de dezembro.

A razão pra tudo isso é a diminuição da carne disponível no mercado, uma relação de oferta e procura. É que as exportações da proteína têm batido recordes nos últimos dias, principalmente para a China. Com dificuldades internas – a peste suína africana sendo o principal fator – o país asiático tem se voltado ao mercado internacional. Habilitou frigoríficos brasileiros para que mandassem carne para lá e, com isso, diminuiu a oferta para o consumidor local.

Com isso, não só o boi, mas o frango e o suíno estão mais caros já no campo. “Eles estão pagando bem para os pecuaristas para levar toda a carne possível”, conta o varejista Fabiano dos Santos. A valorização é o que pesa para todos. “Tá complicado! Não estamos conseguindo fazer promoção nenhuma de carne bovina no momento e não tem esperança, no curto prazo, de baixar preço ou coisa parecida.”

O empresário aponta que, como a alta começa no produtor, são poucas as opções de negociação por preço melhor ao consumidor final. “Não tem disponibilidade de nenhum corte; não tem comprar um volume de carne que vou ter preço”, exemplifica. “Estamos conseguindo comprar carne de qualidade e com segurança alimentar, mas com o preço atual.”

Aliada à maior demanda pelas exportações, o preço da carne é alavancado também pela época de festas de dezembro em que, historicamente, aumenta a procura e, com ela, também o preço.

Para o varejista, José Francisco Mombach, a alternativa para o consumidor, com a situação, é repensar as refeições e buscar alternativas de proteínas que sejam mais em conta. “Hoje, se tu faz um churrasco 100% gado, considerar incluir, de repente, uma costela suína; ou uma coxa e sobrecoxa de frango junto. É diversificar o cardápio para tentar manter o custo final dele na mesma coisa”, comenta.

É o jeito, diante da nova alta no horizonte. Mombach relata que o mercado vinha conseguindo negociar pagamentos à vista durante o mês de novembro para não reajustar os preços ao consumidor final. Isso até o fim do mês. “Agora não tem mais como. Como não é o frigorífico que está aumentando, é o criador, então afeta todo mundo”, lamenta. “É o custo do animal que está subindo”.

“BOOM” das exportações
Dados do Departamento de Economia e Estatística do governo estadual mostram o salto das exportações gaúchas para a China neste terceiro trimestre do ano. Comparado a 2018, os embarques de carne de frango aumentaram 201,1%. Já os de carne bovina, 142,4%.

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