Renata Nascimento e Isandria Fermiano viajam em sete municípios de bicicleta. Até o dia 19 estarão em Montenegro.

Com proposta sustentável e de bem-estar, dupla percorre sete cidades em 49 dias para divulgar projeto cultural

Capacetes laranja-florescente e bicicletas coloridas carregadas de simbologia, enfeitadas com vasos de plantas, que chamam a atenção por onde passam. Uma vida de simplicidade, sustentabilidade, saúde e bem-estar. É exatamente assim que vivem e o que pregam Isandria Fermiano, 36 anos e Renata Nascimento, 39. As duas estão de passagem em Montenegro até o próximo domingo, 19, como parte de uma viagem de bicicleta que teve início no dia 30 de outubro, em Esteio.

Ao total, serão 49 dias conhecendo a cultura de sete municípios – uma semana em cada. Com pés nos pedais e rodas na estrada, elas já desbravaram Ivoti, São Sebastião do Caí, Montenegro e garantem: cada cidade tem uma cultura, tempo e maneira muito singular de se relacionar com as coisas.

Dos quase 300 quilômetros programados, depois daqui elas rumam às cidades de Estrela, Taquari, Triunfo e retornam a Esteio, sempre apresentando o premiado projeto de arte de rua e sustentabilidade “Pé de Vela” por todos esses locais.

Da zona rural para a Europa ciclista
“Durante um ano e meio, isso em 2015, nos mudamos para uma casa praticamente abandonada na Chapada Diamantina, Bahia. Trocamos telhas, revitalizamos todo o espaço e juntamos muito lixo do pátio. Ali tivemos outra experiência de vida, comendo o que o entorno oferecia, com mais de 15 árvores frutíferas, e de produtores próximos. E a mudança de vida iniciou”, destaca Renata.

Como todas as vivências se entrelaçam, segundo Isandria, depois de ver todo o resultado do cultivo, com as primeiras plantas brotando no terreno antes sujo, na Chapada, a inspiração para uma vida mais sustentável veio ainda mais forte, em um processo gradativo.

“Pesquisamos sobre agrofloresta, técnicas de plantio com renovação e fortalecimento do solo, e percebemos que, sim, há alternativas diferentes de vida. Nesse período também que começamos uma dupla artística, nos apresentando em outras comunidades próximas”, diz Isandria.

Os próprios moradores da localidade, de acordo com as artistas, encarregavam-se do transporte delas para os locais de apresentação. “Porque se interessavam pela arte. Era o dono do bar ou o vizinho; não era a Prefeitura que nos levava, eram eles”, explica.

E foi na mudança da zona completamente rural da Bahia para a Europa, por quatro meses e meio, que a prática da bicicleta entrou definitivamente em suas vidas.

“Influenciadas pelo estilo de vida mesmo, porque as pessoas têm costume de andar de bicicleta, há respeito no trânsito. Quando estávamos na Croácia, traçamos uma rota e pedalamos até o destino, uma ilha”, relembra Renata, que coleciona cinco bikes.

Artistas de rua, com intervenções em praças, semáforos (com malabares), elas ainda destacam que lá esse artista é valorizado e não depreciado, como acontece muitas vezes no Brasil, em função de uma série de descasos com a cultura. “Acho que é importante dar visibilidade à manifestação artística que é a de rua. O chapéu para contribuição é uma via de financiamento ligada diretamente ao público que gosta de arte e paga”, reforça Isandria.

Cadê os espaços para ciclistas?
“Para você viajar até Santa Catarina, paga uma fortuna. Eu garanto que indo de bicicleta o custo será apenas de 25% desse valor”, informa Renata.

E dentro dessa proposta de vida sustentável, em harmonia com o ambiente, as ciclistas incentivam produtores e insumos naturais, trocando, por onde passam, sementes crioulas de milho e pipoca (de diferentes cores) e feijão, vindas em sua maioria da localidade de Ipê. “Na nossa passagem por Ivoti, trocamos algumas. E em São Sebastião os produtores comentavam. Isso resgata a memória”, enfatiza Isandria.

Instaladas na casa de conhecidos seus da cidade, elas também trazem fortes críticas e questionamentos sobre a ausência de espaços para ciclistas nas ruas. “Cadê a ciclovia? Os espaços nas vias para os ciclistas trafegarem? Aqui tem muitas pessoas que utilizam esse meio de transporte e há, sim, muitos locais para estacionar a bike. Mas por que os políticos não investem em melhorias?”, questiona Isandria.

O Pé de Vela
O projeto delas, Pé de Vela – Arte e Sustentabilidade, contemplado pelo Prêmio Empreendedor Cultural – 3ª Edição, é apresentado nos municípios de passagem. Ele é uma realização da Cia Palma e tem apoio institucional da Cida Cultural e patrocínio de RGE Sul – também por isso as cidades do roteiro são de cobertura da empresa de energia. Com as bicicletas e todas as bagagens culturais que possuem, Renata e Isandria semeiam qualidade de vida. Os focos das ações são o espetáculo em espaço público, feira de troca de sementes crioulas, passeio de bicicleta e oficinas de malabarismo e teatro.

Confira a programação
18/11- Passeio de bicicleta, com saída da Estação da Cultura às 18h
19/11- Espetáculo Pé de Vela, na Estação da Cultura, às 18h

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