Entre as cidades pequenas, Montenegro ocupa 35º lugar no ranking nacional de bem-estar de pessoas acima dos 60

Envelhecer em Montenegro é melhor! Pelo menos o que diz a avaliação do Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade de 2017, uma iniciativa do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon/FGV. O estudo é de nível nacional. Entre as cidades pequenas (de até 100 mil habitantes) com melhor acolhimento para a terceira idade, Montenegro está na posição 35 no ranking integrado, que é para adultos acima dos 60. A avaliação também é feita por faixas etárias específicas. Na de 60 a 75 e acima de 75 anos, a cidade ocupa nacionalmente a 43ª e a 40ª posições, respectivamente. O município conta com uma população aproximada de 63.500 habitantes, segundo o IBGE. Ao todo, 348 cidades integram a avaliação.

A pesquisa, que engloba as diferentes idades, constatou que a população está envelhecendo mais devido, principalmente, à redução das taxas de fecundidade e aos avanços médicos do século XX. Porém, para o envelhecimento ativo, alguns fatores devem ser levados em conta. O cenário atual requer uma adaptação, segundo o IDL, acerca de trabalho, saúde, habitação, redes de relacionamento, educação e transporte.

Entre as cidades maiores, a capital gaúcha, Porto Alegre, ocupa no ranking a terceira posição em bem-estar e qualidade de vida dos idosos. No pódio de excelência, segundo o IDL, está Santos, em São Paulo, seguida de Florianópolis, em Santa Catarina.

Velhice saudável
Em Montenegro, diversas atividades são direcionadas às pessoas idosas. Desde coral a grupos de ginástica e maturidade ativa, o importante, segundo Laureno Renner, 63 anos, é manter a relação de proximidade entre o grupo. Ele é tesoureiro da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Montenegro (Apopesmont) e diz que diversas opções fazem da Cidade das Artes um local para viver melhor. Além de ser arborizada, na visão dele, a condição de cidade pequena, onde a maioria dos moradores se conhece, propicia uma vivência positiva e aumenta a qualidade e a expectativa de vida.

Os idosos não apenas fazem parte da sociedade, mas são fundamentais para ela. Na maturidade, conforme Laureno, a experiência é o que mais agrega nas relações e ambientes. “O papel da associação é principalmente fazer algo por esse público, tentar aproximá-lo mais de atividades para maturidade”, diz.

Para contribuir com o estudo do próximo ano do Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade, e como sonho pessoal, ele espera a concretização da sede da associação. “O potencial dos mais velhos precisa ser melhor explorado. O espaço, quando estiver pronto — pois devagarinho vamos nos mobilizando para isso — ajudará a movimentar diversos projetos”, anuncia.

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– Os critérios utilizados para avaliação e classificação das cidades no ranking incluem diversos aspectos;

– para os indicadores gerais, são levados em conta os índices de agressão à vida, distribuição de renda, taxa de desemprego e violência no trânsito;

– no quesito bem-estar, alcoolismo, hipertensão arterial e diabetes com 15 anos ou mais são avaliados;

– estabelecimentos de atividades de condicionamento físico, além da frequência de diversos tipos de violência também têm peso;

– fatores como número de lanchonetes, casas de chá de sucos e similares e de acidentes com animais peçonhentos também são critérios do estudo.

Aspectos que classificam a cidade
De acordo com Vânia Elisabete Gehrke, 61 anos, a tranquilidade montenegrina contribui, e muito, para uma qualidade de vida vigorosa à maturidade. As características interioranas, com mais ar puro, menos violência e fluxo de trânsito e pessoas — apesar do crescimento populacional significativo dos últimos anos — colaboraram para que a cidade ficasse entre as 50 mais convidativas para envelhecer. A aposentada acredita ainda que, para ter uma longevidade tranquila e produtiva, as pessoas devem investir em atividades para a mente e o corpo, o que Montenegro também oferece. Vânia faz parte de um grupo de maturidade ativa.

Grupos de atividades para idosos colaboram
para acolhimento das pessoas com mais idade
foto: arquivo Ibiá

“Temos bons espaços que podem e são muitas vezes utilizados em atividades para o corpo e a cabeça, como as ginásticas, palestras e encontros de grupos. A Estação da Cultura, a praça Rui Barbosa e o Teatro Roberto Atayde Cardona são alguns deles”, explica. Apesar de ter nascido em outro município, Vânia afirma enfaticamente que sua paixão é morar em Montenegro.

“Para otimizar a vida, o conselho é: sejam ativos. Participem de atividades coletivas. A única necessidade, mas que não chega a ser um problema do município, é a ausência de academias públicas nas praças centrais da cidade”, destaca. Com as estruturas, segundo ela, o exercício entre os idosos se tornaria mais popular e faria a cidade subir ainda mais na classificação.

Mara Beatriz Müller da Silva, 57 anos, nasceu e se criou em Montenegro. Segundo a aposentada, a integração através de grupos e projetos destinados aos idosos é o que alavanca Montenegro na pesquisa. “Procuro sempre participar de todos os projetos ofertados no município, mesmo que o público-alvo não seja propriamente a idoso. Indiretamente, acabamos alcançados e beneficiados, como foi o Dia da Mulher. Essa participação toda acolhe a população e proporciona um ambiente favorável à velhice”, conclui.

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