Dentre os pratos principais, o Töltött Paprika e o Aprólekleves (acima); e o Rántott Csirke com Sült Burgonya, junto da sobremesa Fagylaltos (abaixo)

Restaurante familiar tipicamente húngaro foi fundado por imigrantes, no ano de 1967, e segue fazendo sucesso

Que tal um farto almoço composto por um prato de Aprólekleves, Rántott Csirke e Sült Burgonya? Ele é acompanhado por um delicioso Töltött Paprika e, para quem está de dieta, uma boa Vegyes Saláta. Para sobremesa – já que ninguém é de ferro – uma doce Fagylaltos. Esse é o cardápio principal do restaurante “A Canga”, em São Sebastião do Caí.

Às margens da ERS-122, o estabelecimento fica a 22 quilômetros de Montenegro e é tipicamente húngaro. O único do tipo na região Sul e um dos poucos do país, em 2017, completou 50 anos de existência, trazendo, como dizem os proprietários, um pedacinho da Hungria para terras gaúchas.

Hoje, o “A Canga” é administrado por Carlos José Cvitko, 59 anos, em parceria com a irmã, Carolina Cvitko de Araújo, 45, que gerencia no local um comércio de doces e artesanato húngaros e também um museu com artigos da família. No restaurante, os filhos de Carlos também já trabalham, marcando a terceira geração dos Cvitko que se dedica ao empreendimento.

Em um espaço todo decorado com quadros e artigos vindos da Hungria, a música é temática do país e, na TV, só passa um compilado de programas e comerciais da cultura local. Tudo para que o cliente tenha a melhor imersão possível no espaço. O cardápio – de nomes complicados – não é feito de pratos requintados. Quem come no “A Canga” desfruta de uma comida popular, consumida no dia-a-dia pelo povo húngaro. A culinária – explicam os donos – tem como ingrediente principal a páprica, que é suave e vem importada para o Brasil.

Foram os pais de Carlos e Carolina que abriram o negócio. Eles migraram para cá na década de 50, em uma viagem de navio que durou 21 dias. Uma filha mais velha já era nascida nesta época. A mudança deu-se diante do descontentamento com o regime político da Húngria na época. A família começou trabalhando no ramo de hotelaria, em Porto Alegre, e, anos depois, decidiram pelo restaurante, instalado no Caí. Desde aquela época, é lá que os Cvitko moram.

Carolina Cvitko de Araújo e Carlos José Cvitko dão seguimento ao empreendimento dos pais, iniciado em 1967

“No início, os negócios eram difíceis, pois as pessoas não conheciam a culinária”, lembra Carlos, que assumiu a gerência há cerca de 20 anos, com a velhice dos pais. Ele conta que logo o restaurante foi sendo descoberto e, pelo boca a boca, tornou-se um sucesso. Com tantos anos no mercado, algumas famílias de clientes já estão na terceira geração frequentando o local. O “A Canga” também é visitado por gente de fora que, quando tem algum compromisso na capital, não perde a chance da visita.

Mantendo vivo o amor pelo país de origem, no Leste Europeu
Em seu nascimento, o “A Canga” receberia um nome húngaro e, seguindo a tradição, teria uma canga de bois como artigo decorativo em seu pátio. Os Cvitko logo perceberam que a pronúncia de um nome estrangeiro poderia afastar clientes, então, de adorno, a canga foi promovida a nome do estabelecimento. “E aí logo pegou”, conta Carlos.

Ele, a irmã e os demais familiares ainda têm parentes na Hungria e seguidamente estão lá fazendo visitas e, claro, aproveitando para trocar receitas. O carinho pela terra natal dos pais – Carlos e Carolina são nascidos no Brasil – fomentou a criação de um museu da família, que fica nos fundos do restaurante desde o ano passado. Lá, além do comércio de doces típicos, ferramentas antigas e peças com motivos húngaros feitas com latonagem, fica um pedacinho da história, que é aberto para visitação.

No museu, em meio a diversos objetos, as fotos antigas da família contam parte da história dos Cvitko desde antes da chegada ao Brasil

Mantido por Carolina, o espaço conta com móveis, objetos antigos – como um tamanco de madeira para caminhar na neve – instrumentos musicais, quadros, orações, as fotos do passaporte dos pais Cvitko, o vestido utilizado pela irmã que veio da Hungria durante a viagem, dentre diversas outras lembranças. “Nossos pais eram muito patriotas. Agradecidos pelo Brasil lhes ter acolhido, mas tinham o coração na Hungria. A gente quer manter vivo isso”, pontua a coordenadora do local. O pai faleceu em 2008 e a mãe em 2011, mas sua memória segue viva.

Saiba Mais
Endereço: ERS-122, Km 9, São Sebastião do Caí
Horário de funcionamento: de terça a sexta: das 11h às 14h; aos sábados, domingos e feriados: das 11h às 16h
Preços: o cardápio tradicional – com sopa de miúdos de frango com massa caseira (Aprólekleves); pimentão recheado com carne moída e arroz, molho de tomate e páprica doce (Töltött Paprika); salada de repolho, cenoura, pimentão, pepino, brócolis, cebola (Vegyes Saláta); frango a milanesa (Rántott Csirke); batatas fritas (Sült Burgonya); e torta de chocolate com sorvete (Fagylaltos) – custa R$ 49,40.
O mesmo cardápio é oferecido em porções menores (prato executivo) no valor de R$ 29,60. Há também o cardápio especial, com receitas mais elaboradas e oferecidas aos sábados, domingos e feriados, que custa R$ 63,80.
OBS: O estabelecimento comercializa pratos congelados e também vinhos e licores húngaros importados

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