A nova fase da rota reforça o posicionamento em torno da agroecologia e da produção sustentável de alimentos, aliando lazer com educação e conhecimento

Discutir a importância do turismo rural no desenvolvimento sustentável de uma região e sensibilizar o poder público para a necessidade de olhar para o setor foram alguns dos objetivos da Rota Sabores e Saberes do Vale do Caí, ao promover um evento de reposicionamento de marca na noite da última segunda-feira, 18. A solenidade foi realizada na Cachaçaria Harmonie Schnaps, em Harmonia, alambique integrante da rota, e contou com a presença de autoridades, de representantes do comércio, de bancos e de entidades do setor rural.

A nova fase da rota reforça o posicionamento em torno da agroecologia e da produção sustentável de alimentos, aliando lazer com educação e conhecimento. Em seu discurso, o presidente da Rota Sabores e Saberes, Luiz André Steffen, salientou o trabalho consolidado em agroecologia, que já é exercido desde 2007. “Nós produzimos vida e conseguimos mostrar que temos renda para alimentar nossa família com isso. A agricultura agroecológica é nosso sustento, mas também é uma filosofia, é parte do que somos”. Ao final do evento, relembrou que a ideia é unir forças em prol do desenvolvimento do turismo no Vale do Caí.

O evento contou com a presença da deputada Zilá Breitenbach, que representou o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Luís Augusto Lara. O deputado estadual Elton Weber também se fez presente e afirmou que vai encaminhar um pedido junto ao DAER para a colocação de placas que indiquem os empreendimentos.

O vice-presidente da Rota, Leandro Hilgert, dono do alambique Harmonie Schnaps, destacou a importância do envolvimento da indústria, do comércio, de bancos, do poder público e de toda a comunidade para que o turismo se torne um patrimônio da região.

“Em minha caminhada como empreendedor do setor rural, aprendi que o problema não é ser pequeno. O problema é ser sozinho. Agora não queremos mais ficar isolados. Queremos que todas as entidades, o setor público e as pessoas que estão aqui enxerguem que nosso trabalho, além de gerar renda para nós, empreendedores, gera visibilidade e renda para toda a região do Vale do Caí”, afirmou.

O evento também homenageou três pessoas que ajudaram a construir a Rota Sabores e Saberes: Fábio Esswein e Rogéria Flores, da Emater, e Carlos Antonio Campani. Ao final, os convidados foram recepcionados dentro da cachaçaria, onde degustaram um coquetel com a gastronomia oferecida pelos empreendedores em cada propriedade.

Rota Sabores e Saberes: pioneira no turismo rural agroecológico

Criada em 2007, a Rota Sabores e Saberes sempre teve foco na agroecologia, na agricultura familiar e na intenção de mostrar os sabores e os saberes dos empreendimentos que a compõem. Todos carregam as marcas da colonização alemã da região, são recheados com a história de cada empreendedor – eles próprios os anfitriões dos turistas – e apresentam a gastronomia, que aproveita as frutas cultivadas pelos agricultores do Vale do Caí. O cardápio destaca, sobretudo, a bergamota, a laranja, o morango e os derivados da cana-de-açúcar.

Atualmente, dez propriedades e associações a integram, perfazendo quatro cidades: Montenegro (Sítio Steffen, Casa da Atafona, Ecocitrus), Bom Princípio (Ecosabores, Casa do Artesão Mãos com Arte), Harmonia (Harmonie Schnaps, Horto das Margaridas, Pesque e Pague do Batata) e Tupandi (Agrofloresta do Inacinho, Sobrado Weber).

A idealização da Rota foi concebida por meio de um trabalho em conjunto do Fórum Regional da Agricultura Familiar do Vale do Caí, em parceria com a Emater/RS – Ascar, prefeitura dos municípios envolvidos, Ecocitrus, Ecomorango, Associação dos Pesquisadores de História do Vale do Caí (APHEVAL) e Escola Técnica São João Batista de Montenegro.

Objetivo da Rota é aproximar o campo da cidade

Desde o começo das reuniões que fundaram a Rota Sabores e Saberes, houve a intenção de que o turismo rural fortalecesse o campo na região do Vale do Caí, aumentando a renda dos produtores que se uniram ao projeto. Também houve a preocupação de preservar os saberes das diversas etnias que formaram o Vale do Caí, com destaque especial à imigração alemã. 

O investimento em turismo também incentiva a sucessão rural – um problema salientado pelo último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que teve resultados parciais divulgados em julho do ano passado. Com novas formas de trabalhar nas propriedades, os jovens tendem a permanecer no campo, amenizando o êxodo rural.

O turismo no campo também vai de encontro ao desejo de espaços de lazer mais tranquilos, afastados da correria e do barulho das grandes cidades. O interior torna-se uma opção a quem busca paisagens bucólicas, convívio com a natureza e conhecimento do processo de produção dos alimentos.

Conheça os empreendimentos

Agrofloresta do Inacinho
Localizada em Tupandi, a Agrofloresta do Inacinho é comandada por Inácio Rohr e Ivete Juver e apresenta uma produção agroflorestal pioneira no cultivo de citros. Com 13,5 hectares, já recebeu mais de 10 mil turistas de 20 países desde 2000. Oferece visita guiada pela propriedade, lanche e/ou almoço.

Casa da Atafona
Natureza, aventura, lazer, gastronomia local e preservação da história do Vale do Caí: a combinação oferecida por Martin e Iara Maurer proporciona uma experiência completa aos turistas. Localizada em Montenegro, a Casa da Atafona é um espaço adequado a quem deseja descansar da correria urbana, conhecer uma produção agroflorestal e aprender sobre a região.

Casa do Artesão Mãos com Arte
Integrada atualmente por dez artesãs, a Casa do Artesão Mãos com Arte foi fundada em 2004 na cidade de Bom Princípio. Por meio do reaproveitamento de materiais e da tradução da cultura local, o espaço oferece peças que contam a história do Vale do Caí.

Ecocitrus
Cooperativa fundada em 1994 e reconhecida internacionalmente pela produção agroecológica de citros, a Ecocitrus oferece visita guiada pela agroindústria, pela compostagem e por uma propriedade rural associada. Há preferência por receber turistas interessados na produção técnica da entidade, localizada em Montenegro, que produz sucos e óleos essenciais a partir da matéria-prima dos cooperados.

Ecosabores
Comandada por Adriana e André Steffen, a Ecosabores tem como carro-chefe a produção de morangos em Bom Princípio, posteriormente processada em geleias e sucos com marca própria. Oferece visita guiada e refeição com gastronomia local em uma propriedade rodeada por uma mata nativa exuberante.

Harmonie Schnaps
Alambique fundado por Leandro Hilgert e Fabiani Hansen, produz cachaças artesanais e oferece visita guiada para o turista conhecer toda a produção, desde a moagem até o envase e o envelhecimento. Localizada em Harmonia, já conquistou prêmios internacionais. Ao final, o turista tem a oportunidade de degustar a bebida.

Horto das Margaridas
Chás e ervas medicinais são o forte do horto de Laura Ludwig, localizado em Harmonia, que se interessa pelas propriedades de cura das plantas. Oferece visita guiada e lanche aos turistas, que podem conhecer o relógio do corpo humano, no qual as plantas são divididas por órgãos e horas adequadas para serem ingeridas. Também produz tinturas e remédios caseiros.

Pesque e Pague do Batata
Pescaria, descanso em meio à natureza e trilhas na cidade de Harmonia. No Pesque e Pague do Batata, o turista é recebido por Andréa e Ilvo Finger. O local oferece hospedagem, passeio de carreta, café colonial no inverno e almoço com o conhecido peixe frito do Batata.

Sítio Steffen
Colher fruta do pé, descansar em meio a uma paisagem bucólica e aproveitar a natureza. No Sítio Steffen, em Montenegro, o turista pode passar momentos agradáveis com Jean e Eliete Steffen, em uma propriedade que está na família desde 1923. Oferece almoço, lanche, passeios e tem um museu no qual preserva objetos antigos da região.

Sobrado Weber
Se há empreendimentos focados em oferecer sabores, o Sobrado Weber tem como ponto forte oferecer saberes. O local é uma casa tombada que pertenceu ao primeiro dentista da cidade de Tupandi. Atualmente abriga um centro cultural com exposições temporárias, biblioteca e um museu.

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