Manifestação foi até o Palácio Rio Branco

Pedido de auxílio financeiro foi reiterado com manifestação nesta quinta-feira

As aulas presenciais paradas em razão da pandemia do coronavírus têm pesado no bolso de quem depende da atividade para se sustentar. Sem trabalhar, empresários do ramo do transporte escolar particular vêm encontrando dificuldades para arcar com obrigações e até para o custeio das despesas familiares mais básicas.  A classe se uniu para buscar apoio do poder público municipal.

Na manhã desta quinta-feira, dia 30, fizeram uma carreata em Montenegro, saindo parte do bairro Centenário, parte do Timbaúva, até a sede da Prefeitura.  Foi mais um passo em tratativas iniciadas ainda em maio, quando os trabalhadores se uniram para discutir alternativas diante da situação; e que já renderam um primeiro encontro com o prefeito Kadu Müller e uma indicação de projeto através do gabinete do vereador Felipe Kinn (MDB), que também é empresário do ramo.

Aproximadamente 15 veículos participaram da carreata. Grupo de transportadores conta com cerca de 40 membros

A proposta principal é um auxílio emergencial de R$ 500,00 por três meses ou até o fim do estado de calamidade pública. “O Município vai receber mais de R$ 8 milhões para suprir a arrecadação que não está tendo; e esse valor tem como ser bem distribuído e auxiliar as pessoas que mais precisam”, avalia Felipe Kinn, em referência ao auxílio da União enviado aos municípios para compensar perdas tributárias decorrentes da pandemia e pagar as despesas do poder público.

O vereador estima que são cerca de 40 transportadores que poderiam ser beneficiados pela ajuda municipal proposta. “Não podemos esperar por deputados. Temos que resolver na esfera municipal”, complementa.

Motoristas apontam situação delicada

Um dos primeiros da fila durante a carreata, Manoel Negruni, de 42 anos de idade, vê a situação da categoria como “desesperadora”. Alguns até conseguiram a colaboração dos clientes – pais dos alunos – que seguiram pagando parte da mensalidade no início da interrupção das aulas. Só que com tanto tempo parado, a principal fonte de renda, praticamente, terminou por completo.

“Existiu esse compromisso, mas até o limite, porque muitos pais também acabaram ficando desempregados e desamparados”, coloca. “Tem gente com imposto atrasado, com prestações em aberto. Eu, por exemplo, coloquei quatro pneus novos na Kombi para começar a pagar em março, porque o nosso ano é programado de março a dezembro. Só que o nosso mês começou em março e terminou em março. Nossa reserva acabou.”

Negruni acabou recorrendo, primeiro, a venda de marmitas para garantir o sustento dele e da esposa. Agora, conseguiu a oportunidade de gerenciar um estacionamento onde ele guardava sua Kombi no passado. “Mas eu sei que isso não acontece para todos. É muito mais fácil de não se ter a oportunidade do que ter”. Ele diz que apenas três do grupo de transportadores chegaram a receber o auxílio emergencial de R$ 600,00 do governo federal.

Também em situação crítica, o casal Paulo e Neusa Schonardie, de 63 e 57 anos de idade, tem contado com o apoio dos filhos para manter as contas em dia em casa. Eles estimam que, por mês, tem deixado de receber cerca de R$ 8 mil sem poderem trabalhar. “Eu já renegociei contas com o banco, mas tu renegocia para ficar um mês, dois meses, e aí já vence de novo. Tu fica amarrado e não sabe o que fazer”, lamenta o marido.

Dentre o grupo, os empresários relataram colegas tendo que deixar contas em aberto e encontrando dificuldades para contraírem empréstimos junto aos bancos dada a atual situação. Eles também contam que alguns quiseram, mas não puderam participar da carreata, ou por estarem envolvidos em “bicos” como alternativa para terem renda extra; ou por não terem condições de arcar com os próprios gastos com o combustível durante a manifestação.

Na ausência do prefeito, grupo foi recebido pelo chefe de gabinete, Rafael Riffel

Governo não garante auxílio financeiro

O primeiro encontro dos empresários com o prefeito Kadu Müller, segundo eles, ocorreu há cerca de um mês. Com a indicação do vereador protocolada no último dia 16, os transportadores buscaram, com a carreata, dar mais velocidade a uma possível ajuda. “A classe está em desespero. Não podemos esperar por mais 30 dias. Precisamos das coisas para ontem”, colocou Felipe Kinn.

Nesta quinta, o grupo foi recebido no pátio da Prefeitura pelo chefe de gabinete do governo, Rafael Riffel. Kadu não estava no Palácio Rio Branco durante a manhã. Riffel citou, apesar de nada ainda concreto, o que o governo municipal vem fazendo em prol dos transportadores escolares. A principal linha é o estudo dos trâmites legais para, a exemplo do que vem sendo feito em outros municípios, liberar que os veículos do transporte escolar sejam licenciados para fazerem fretamento de pessoas, em geral. “A gente sabe que talvez não seja o melhor caminho, mas é a possibilidade que alguns têm”, disse.

O governo também está em contato com o gabinete da deputada estadual Franciane Bayer (PSB) que apresentou recente projeto de lei estadual com o objetivo de garantir renda aos transportadores escolares contratados pelo poder público e que estão sem trabalhar. Quer que o projeto também preveja profissionais particulares como os que fizeram a carreata.

Sobre o auxílio municipal dos R$ 500,00, por sua vez, Rafael Riffel disse que não pode fazer promessas. “Não posso dizer que vamos conseguir auxiliá-los com valor financeiro. Temos que avaliar a questão legal e há todo um encaminhamento que se tem que fazer”, disse aos presentes. O vereador Felipe Kinn rebateu a declaração dizendo que, num primeiro encontro entre Kadu e empresários, o prefeito teria dito que “os R$ 500,00 não seriam problema”.

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