Emprego formal é realidade distante da vida de muitos montenegrinos, como para Célia Maria Costa da Silva

Segundo IBGE, percentual caiu para 12,4%. Nesse cenário econômico, parte da população busca mercado informal

O índice de desemprego no Brasil teve uma leve recuada. Caiu de 13,1% para 12,4% no segundo trimestre encerrado em junho deste ano. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda representa uma redução de 0,2%, mas o número absoluto de pessoas com carteira assinada é o menor em seis anos.

além de vender joias e lingerie, Karine Cristina Taglieber está concluindo um curso de manicure

Na prática, isso significa que mais de 536 mil pessoas foram reposicionadas no mercado de trabalho e voltaram a ter renda fixa. Por outro lado, o número de desempregados chega a 13,2 milhões, o que contribuiu para o crescimento do trabalho informal, onde oito em cada dez estão nessa situação.
É o caso da montenegrina Karine Cristina Taglieber, 27. Sem emprego formal há seis meses, ela conta que teve de buscar outras alternativas para manter as contas em dia.

“Já deixei currículos em várias empresas da cidade, mas até agora não tive nenhum retorno, então o jeito foi procurar outros meios de gerar renda. Hoje sou revendedora de lingerie, joias e estou concluindo um curso de manicure”, relata Karine. “A maior dificuldade que encontro é a exigência em experiência que os contratantes pedem, mas é difícil ter algo se nunca é dado a oportunidade”, conclui ela.

Para Nelson Luiz Timm, os número de demitidos é crescente e preocupa

Para o agente do FGTAS/Sine de Montenegro, Nelson Luiz Timm, o cenário do desemprego permanece acentuado. “Não sentimos redução, e tenho percebido que o empresariado está parado em decorrência do clima de instabilidade na política e economia do país”, revela o agente. “É complicado para esse setor investir na empresa e consequentemente gerar mais emprego se eles não sabem como vai ser os próximos períodos, com isso, também ocorrem muitas demissões”, diz Timm.

Outra realidade cada vez mais presente no país é a de pessoas que não trabalham e nem estão procurando uma oportunidade. Essa parcela da população soma mais de 65 milhões de brasileiros, nível recorde na série histórica iniciada em 2012. Por isso, as filas de empregos diminuíram, mas não por as pessoas encontrarem trabalho.

Para Karine, a desistência da população na busca por emprego se justifica pela pouca oferta de vagas, o que acaba desanimando quem procura. “Uma vez fui para uma entrevista onde não falaram quantas vagas estava sendo ofertadas, mas tinha umas 40 meninas, no final descobri que era apenas uma oportunidade, isso é desanimador”, revela a autônoma.

Relação com a mudança na lei trabalhista
Os expressivos números de desemprego estão acompanhados de outra estatística. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho, as demissões feitas por acordo entre trabalhadores e empresas – possibilidade criada pela reforma trabalhista – cresceram em todo o país. Em dezembro de 2017, um mês após a mudança na legislação, foram feitos 5. 841 acordos. Já em maio desde ano, o número saltou para 14. 576, aumento de 149%.

O agente do FGTAS/Sine de Montenegro, Nelson Luiz Timm, afirma que a quantidade de pessoas que são demitidas e solicitam o Seguro Desemprego é cada vez maior. “Esse é um fenômeno que estamos percebendo nos últimos anos, onde o número de demissões tem superado as contratações”, diz.

Recém desempregada, Pâmela Costa da Silva, 35, comenta que foi demitida há uma semana e já está na fila por um novo trabalho. “Estou procurando, mas as ofertas de vagas são poucas”, disse Pâmela. “Não basta deixar currículo, pois cada pessoa tem uma perfil e isso dificulta às vezes no processo”.

Sem opção de escolha na busca por vagas
Faltando pouco mais de 2 anos de trabalho com carteira assinada para se aposentar, dona Célia Maria Costa da Silva, 61, comenta que tem buscado de tudo para conseguir um emprego formal. “São 3 anos tentando algo, mas até agora não consegui nada”, disse dona Célia.

Para arcar com as despesas pessoais, ela revela que o trabalho informal tem sido a única saída. “Faço de tudo o que aparece, mas geralmente trabalho como faxineira e auxiliar de cozinha, não tenho muita opção de escolha”, declara dona Célia.

Busca por emprego em família

Márcia Aminadabe Xavier, Queriate Xavier e Vilmar Kehl buscam por uma oportunidade no mercado de emprego formal

Para alguns brasileiros a situação de desemprego é ainda mais grave. Com a esperança de uma vida melhor, um trio com integrantes da mesma família procuram periodicamente no mural do FGTAS/Sine de Montenegro uma oportunidade de trabalho. Sem emprego há 4 anos, Queriate Xavier, 25, e o marido Vilmar Kehl, 34, contam que dependem dos serviços informais. “Eu me viro como posso e faço de tudo, seja como vigilante, pedreiro ou eletricista, mas emprego de carteira assinada está difícil”, disse Kehl.

Diante da situação, Queriate revela que diversas vezes chegou a chorar no desespero por não saber o que fazer. “Temos duas crianças, de 3 e 2 anos, e só não passamos fome porque contamos com a ajuda da igreja onde congregamos”, disse. “É desesperador, mas estamos esperançosos que algo vai aparecer”, completa.

Junto com o casal estava Márcia Aminadabe Xavier, 22, irmã de Queriate, que também busca uma oportunidade. “Tenho a sensação que para a mulher é sempre mais difícil conseguir algo, porém, no que depender de força de vontade, logo estarei empregada novamente”, declara Márcia, desempregada há dois anos.

Quem são os mais afetados pelo desemprego
Conforme os dados do IBGE, existe um perfil de brasileiros mais afetados pelo desemprego, onde os pretos, pardos e mulheres se destacam.

Os números mostram que a desocupação no 1º trimestre encerrado em junho foi de 15% mulheres e de 11,6% para homens. Entre os que se declaram brancos, a taxa ficou em 10,5% no trimestre, abaixo da média nacional (13,1%), enquanto a dos pretos (16,0%) e as dos pardos (15,1%) ficou acima.

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