Durante a pandemia, RGE pode ter a leitura feita baseada na média dos últimos meses. FOTO: REPRODUÇÃO/INTERNET

DE OLHO. Tem muita gente reclamando de diferença na cobrança deste último mês

Equilibrar as finanças tem sido desafiador para a grande maioria das famílias. E em cima disso, muita gente ainda tomou um susto ao receber sua conta de luz neste mês. Montenegrinos foram às redes sociais expressar sua indignação, pois a diferença da cobrança de um mês pra outro foi considerável.

A reportagem recebeu relatos de débitos que dobraram; que vieram R$ 100,00 a mais, dentre outras situações. Teve até quem pagou R$ 40,68 referente a abril e que, agora, está sendo cobrado R$ 311,63 referente a maio, mesmo com pouca diferença efetiva de consumo.

Por aqui, o problema chegou no Legislativo; e o vereador Talis Ferreira (Progressistas) está cobrando respostas da RGE e também do Comdecon. Mas é notável que o problema não é restrito a Montenegro.

Há relatos de vários municípios gaúchos onde a mesma situação foi constatada. Em Santa Maria, inclusive, o Procon chegou a notificar a concessionária sobre o alto valor da conta. Em nota à reportagem, a RGE explicou que a situação está atrelada a forma como a medição do consumo foi feita.

Situação também é reflexo da pandemia
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou, ainda em 24 de março, que as distribuidoras de energia elétrica do país todo deixassem de visitar as residências para medir o consumo. Foi uma medida de segurança diante da pandemia do novo coronavírus. Empresas como a RGE ficaram autorizadas a efetuar o faturamento pela média dos últimos doze meses de consumo do cliente; ou, através da autoleitura, onde a própria pessoa informa o seu consumo.

O que aconteceu? Segundo a RGE, além de algumas restrições de circulação impostas por municípios de sua área de cobertura, houve um período – entre 6 e 15 de abril – em que uma decisão liminar da Justiça do Trabalho proibiu atividades dos agentes comerciais da RGE. “Nesse período, o faturamento dos clientes foi realizado pela média dos últimos 12 meses ou pela autoleitura”, escreveu à reportagem. O período em questão foi a cobrança de maio.

Distribuidora garante que divulgou as possibilidades

Em Santa Maria, ao criticar o uso da média dos 12 meses para cobrar o consumo, a diretora do Procon lembrou que os meses de verão intenso elevaram bastante o consumo do período analisado que, então, passou a ser considerado para a cobrança da luz neste mês. Por essa conta, mesmo que tenha consumido pouco num mês em que muitos tem se segurado para conseguir pagar as contas, o cidadão tende a pagar bastante.

Há relatos de quem tomou um susto com esse débito e que entrou em contato com a RGE para pedir a autoleitura, informando à empresa o seu consumo real do período. Mas isso, ao que indicam os consumidores, só quando a iniciativa partiu do cliente. A empresa, por outro lado, garante que fez a divulgação da alternativa através de seus canais de comunicação, apontando que os cidadãos poderiam, sim, ter evitado a cobrança pela média.

Agora é esperar a compensação
As leituras presenciais da RGE foram retomadas já no mês passado, após os dias citados. E a empresa garante que vai compensar quem acabou beneficiado ou prejudicado pelo sistema de medição pela média de consumo. As próximas contas, garante a empresa, virão com a leitura física do período, mais a compensação das diferenças, tendo elas sido a mais ou a menos. “Não é necessária nenhuma ação dos clientes. A compensação acontece de forma automática”, apontou a concessionária. Para dúvidas, a empresa atende via telefone 0800 970 0900; e no aplicativo CPFL Energia.

Cortes
As distribuidoras não estão cortando o fornecimento por inadimplência em clientes residenciais urbanos e rurais. Isso vale até 22 de junho, mas, no retorno, débitos em aberto terão incidência de juros e multas. Há previsão de isenção de tarifas apenas para os beneficiários da “Tarifa Social”.

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