Projeto que estava parado na Prefeitura desde 2017 foi protocolado hoje na Câmara de Vereadores

Município vai ceder espaço para instalação do centro de recuperação e adoção

Uma reunião cercada de expectativa fez brotar lágrimas nos olhos de Luiza Kimura. Após 30 anos lutando para que Montenegro dê atenção à saúde dos animais abandonados e mal tratados, nesta quinta-feira, dia 10, a voluntária presenciou o início da realização do sonho da sede própria através do projeto protocolado no Legislativo pelo vereador Cristiano Von Rosenthal Braatz (MDB). A lei autoriza cedência de área pública para uso da Amoga (Associação Montenegrina dos Guardiões dos Animais).

O projeto entra imediatamente na pauta da Casa e seu atual presidente, vereador Juarez Vieira da Silva (PTB), acredita que já possa ser votada na segunda sessão de fevereiro, após o fim do recesso. O autor da proposta garante que o prefeito Carlos Eduardo Müller (SD) ira sancioná-la, inclusive porque ele incentivou Braatz a agilizar o andamento de seu projeto, apresentado em 2017.

Desde esta data acontecia a tramitação dentro da Prefeitura, sempre encontrando entraves. Enquanto isso, as entidades protetoras imploravam por um espaço para acolher, tratar e deixar os animais para doação. Kimura ilustrou essa jornada com a hipérbole de que “talvez tenha ido 1.000 vezes ao Palácio Rio Branco” em busca de apoio. Atualmente os voluntários das quatro ONG’s na cidade, reunidas sob o Conselho Municipal de Proteção Animal (Comupa), abrigam mais de 500 cães e gatos em suas residências.

A presidente do Conselho, Jamile Brunie Biehl, explica que uma sede facilitará todo esse processo de proteção, que inicia pelo resgate e passa pelos cuidados veterinários e alimentares. Mas tanto ela quanto Kimura assinalam que não será um canil, um depósito onde os bichos serão presos. A definição é Centro de recuperação animal. Inclusive, depois de restabelecida a saúda do bicho, caso na haja adoção, ele será devolvido ao local de onde foi resgatado.

Voluntários acolhem e tratam em suas casas os animais de rua, que depois são colocados para adoção. Foto: Arquivo Ibiá

ONG’s agora precisam captar recursos

O Contrato de Concessão de Uso que nascerá do projeto define apenas a cedência do terreno de 5.373,70 m², com um pavilhão de alvenaria, pelo período de 10 anos, renovável por mais 10. A gestão de trabalho será de inteira responsabilidade das entidades, como acontece com empresas privadas beneficiadas pelo Poder Público. Sua atuação, inclusive na rua, deverá respeitar normas da Vigilância Sanitária e da Secretaria de Meio Ambiente.

Também a adaptação do prédio e gastos com manutenção serão de inteira responsabilidade da Amoga e demais parceiros. Inclusive, hoje os voluntários já pensavam em formas de arrecadar fundos, por meio de eventos e de apoio da iniciativa privada. Kimura recorda inclusive de uma antiga promessa de respaldo do Ministério Público (MP). A pedido dos voluntários, o endereço não será divulgado para evitar a já conhecida postura de simplesmente despachar animais na frente de abrigos.

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