Libório José Luft foi o primeiro a ser rendido pelos bandidos quando saía de casa

VIOLÊNCIA NO INTERIOR. Ladrões usaram cadarços para amarrar vítimas enquanto “limpavam” a casa

Por volta das 6h30min dessa sexta-feira, 3, dois homens armados efetuaram um assalto em uma residência localizada no quilômetro 277 da BR-470, na localidade de São José do Maratá, município de São José do Sul. Sete pessoas foram feitas reféns por cerca de uma hora, incluindo um menino de quatro anos de idade. Depois de pegar o que queriam, os meliantes fugiram levando consigo a caminhonete saveiro vermelha, placas IVP 2215 de São José do Sul, do pintor que prestava serviço no local.

Libório José Luft de 54 anos foi o primeiro a ser rendido pelos ladrões. Ele mora em instalações nos fundos da propriedade onde ocorreu o assalto. “Eu saí de casa olhando o celular, de repente um deles saltou do barranco, bem na minha frente”, relata.

As vítimas tiveram as mãos amarradas com cadarços de sapatos

O morador conta que teve pés e mãos amarrados com uma corda, e que foi deixado sentado em um banco sob vigia de um dos elementos. “O outro foi pra frente da casa e depois de uns 20 minutos rendeu o pessoal de lá. Eles se comunicavam por rádio, acho que tinha um terceiro homem esperando por eles”, detalha. “Eles disseram que queriam o dono da casa e dinheiro”, acrescenta Libório.

Dona Claíra Maria Vogt, 65, ainda estava dormindo quando o filho saiu pela porta principal e foi rendido. Ao entrar na casa, os ladrões despertaram a mulher, renderam a nora dela e as levaram até o quarto da criança, filho do casal. Em seguida, Libório também foi conduzido até à casa e trancado no dormitório.

Os criminosos retiraram cadarços dos sapatos e tênis dos moradores para amarrá-los. “Eles disseram que não era para olhar pra eles e que iam atirar se a gente fizesse isso. Acho que uma das armas era um revólver .38”, comenta Libório.

Enquanto os bandidos agiam, o pintor e o assistente, que prestavam serviços, chegaram ao local. Ao subir a escada para chamar os moradores, o homem e seu companheiro de trabalho foi surpreendido pela ação que ocorria no andar superior. Eles também foram amarrados no quarto do garoto.

A intenção da dupla de assaltantes era fugir com o fusca da família, mas com a chegada do pintor acabaram mudando o alvo e levaram a saveiro do autônomo. “Ele sempre vinha de moto, mas como estava chovendo resolveu vir de carro”, conta Libório.

No mesmo pátio da casa há uma serralheria. Quando um dos funcionários chegou de moto para trabalhar, os criminosos ouviram o barulho e saíram às pressas do local. Foram levados televisores, computador, eletrodomésticos, jóias, relógios e outros objetos que a família ainda não listou.
A dupla fugiu deixando as portas da casa fechadas. A nora de dona Claíra conseguiu desamarrar-se e sair pela janela em busca de ajuda. Brigada Militar e Polícia Civil estiveram no local e deram início as buscas por suspeitos.

Na casa não há câmeras. A família não sabe descrever detalhes sobre os bandidos. “Eles estavam com roupas camufladas, escuras”, esse é o único detalhe do qual Libório lembra.

O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Salvador do Sul. Assaltos à mão armada não são comuns naquela região, afirma a polícia. No ano passado uma onda de furtos foi registrada com intensidade durante o primeiro semestre, mas depois passou a ocorrer com menor incidência.

A própria família de dona Claíra já passou por situação de furto em duas ocasiões, um há três anos e outra em setembro de 2019. Até o fechamento desta edição, o veículo levado não havia sido encontrado.

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